5G na indústria: avanço sem precedentes para a digitalização do setor

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No início de 2020, surgiram grandes preocupações para a economia global. Porém, essa realidade desafiadora trouxe também grandes promessas, particularmente no tocante ao papel do 5G na indústria.

Aproveitando avanços tecnológicos em andamento há anos, empreendedores responsáveis por empresas de diversos tamanhos transformaram as dificuldades em impulso para inovar e superar os desafios. 

Com isso, tecnologias como a computação de borda (Edge Computing), a Internet das Coisas Industrial (IIoT) e os robôs autônomos, entre outras, passaram a ser aplicadas com bastante frequência. 

Ademais, o próprio leilão das redes de quinta geração no Brasil, realizado em novembro de 2021, deu início aos avanços necessários para que o setor alcance o status de indústria 4.0.

Mais do que convenientes, a combinação desses fatores ocorre em ótima hora, já que a retomada da produção global, sobretudo nas indústrias de média e alta complexidades, depende da tecnologia para atender à demanda crescente.

Como resultado, entre esses dados otimistas e a chegada de tecnologias promissoras, há uma grande esperança para o futuro, sobre a qual você entenderá melhor neste artigo. Siga com a leitura e veja também:

  • Panorama atual da indústria brasileira e expectativas para 2022
  • Iniciativas e obstáculos para a digitalização do setor no Brasil
  • Tecnologias do setor industrial alavancadas pela nova rede móvel
  • 5G e os sistemas de missão crítica

Apreensão e expectativa marcam o panorama industrial para 2022

Engenheiro checando computador em usina
Nova rede deve impulsionar outras tecnologias utilizadas na produção, como a Internet das Coisas

Em meio às ameaças externas, as pesquisas realizadas com empresários da indústria apresentam, em geral, um misto de sentimentos que, à primeira vista, demonstram oposição: apreensão e esperança.

Isso porque, de um lado, as estatísticas do período que abriu esse cenário são preocupantes. Em novembro de 2021, uma publicação do Portal da Indústria, do CNI, indicou quedas consecutivas no faturamento e na empregabilidade do setor, tanto ao longo de 2020 quanto em 2021. 

Adicionalmente, a participação do ramo industrial no PIB apresentou baixa, seguindo uma tendência que já antecedia a chegada da covid-19.

Em contrapartida, os meses finais de 2021 sugerem melhorias. Em particular, nota-se o crescimento na porcentagem de Utilização da Capacidade Instalada. Isso aponta um possível acréscimo na demanda e uma queda da ociosidade das fábricas.

Desse modo, há uma expectativa de que a receita do setor em 2022 apresente um aumento correspondente. 

Evolução tecnológica é perceptível, mas ainda insuficiente

Em meio a tal realidade, estudos recentes também demonstraram o potencial de tecnologias que, só agora, têm se difundido nas fábricas brasileiras. Um caso de exemplo é o programa “Indústria Mais Avançada”, organizado pelo Governo Federal e executado pelo SENAI em todo o País, entre os meses de maio de 2018 e outubro de 2019.

Com resultados publicados dois meses após o seu término, a iniciativa testou a eficácia do uso de tecnologias ligadas à indústria 4.0, como sensores e dispositivos de IoT, sobretudo em empresas de pequeno e médio portes.

Ao final do projeto, o resultado médio entre todos os estados foi de um aumento de 22% na produtividade. No mesmo relatório, o SENAI também detalha que o programa se limitou à adoção de soluções acessíveis, indicando que, havendo tempo e caixa para apostar em recursos mais sofisticados, os resultados seriam ainda maiores.

Apesar das iniciativas no sentido de digitalizar a indústria brasileira estarem em alta nos últimos anos, os números atuais sobre a maturidade tecnológica das fábricas seguem baixos.

Em junho de 2021, dados divulgados pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) mostraram que o uso de tecnologias inovadoras ainda “não faz parte da agenda estratégica das empresas”, nas palavras usadas pela entidade. 

Ao longo do estudo, conduzido com 401 organizações de médio e grande portes, a ABDI constatou que, na indústria, o foco de utilização das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) está principalmente na gestão e redução de custos

Desse modo, a conclusão é de que os produtores nacionais ainda não encaram esses recursos como base para negócios inovadores e disruptivos. Em outras palavras, a inovação tecnológica continua sendo vista apenas como uma ferramenta pontual, em vez de permear as operações de forma integrada.

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Custos e falta de mão de obra qualificada são os principais fatores

Apesar de a conclusão geral ser negativa, a pesquisa da ABDI revela números que apontam onde as organizações, privadas e públicas, devem investir esforços para reverter essa situação. A seguir, confira a íntegra de alguns dos principais indicadores do estudo:

  • 94% das empresas consultadas têm setores especializados em TI, próprios ou terceirizados;
  • Dos 401 empreendimentos consultados, 73% não possuem recursos de IoT incorporados às suas atividades;
  • Entre as empresas que adotam a IoT de algum modo, 50% dizem estar satisfeitas, enquanto 40% estão muito satisfeitas;
  • 70% dos respondentes consideram baixos (28%) ou muito baixos (42%) os investimentos da empresa em TICs;
  • As soluções de TI mais difundidas entre as companhias são as ferramentas de colaboração e produtividade, cloud computing, cibersegurança e plataformas de gestão da produção;
  • As menos presentes são as soluções de Big Data (19%), impressão 3D (11%) e Inteligência Artificial (10%);
  • Entre os principais obstáculos para a implementação de projetos de TI e conectividade na indústria, alto custo e falta de mão de obra capacitada saem na frente, segundo gestores;
  • Apesar de a maioria dos participantes afirmar que sua empresa está à frente ou, ao menos, acompanhando o ritmo médio de digitalização da indústria brasileira, dois terços também acreditam que a produção industrial do Brasil está atrasada em relação ao restante do mundo.

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Conhecer o problema é o primeiro passo para enfrentá-lo

De forma geral, a pesquisa realizada pela ABDI demonstra uma dificuldade crônica da indústria brasileira em adotar novas tecnologias, especialmente as mais complexas. Ao mesmo tempo, porém, permite concluir que a própria disseminação das TICs, ao longo da cadeia produtiva nacional, ajudará na solução do problema.   

Isso porque, tanto para reduzir o custo de implementação quanto para aprimorar a capacitação tecnológica dos profissionais — os dois maiores obstáculos apontados no estudo —, é preciso que os recursos de TI e conectividade ganhem mais espaço nas fábricas. 

Não por acaso, é nesse ponto que a tecnologia 5G pode se mostrar uma oportunidade inédita para o setor, pois, além de mais rápida, estável e confiável, a nova geração de redes móveis têm baixíssima latência, reunindo características capazes de, a longo prazo, transformar o conceito de automação e informatização industrial. 

Principalmente no setor produtivo, a chegada de uma nova rede não produzirá efeitos imediatos. 

Entretanto, é esperado que, conforme o 5G se consolide entre diferentes regiões e dispositivos, não apenas tablets e smartphones, seus benefícios sejam perceptíveis dentro das fábricas – para além de uma comunicação mais rápida entre máquinas e equipamentos.

A seguir, conheça alguns dos avanços importantes que esse novo padrão de internet móvel poderá proporcionar ao setor produtivo, inclusive do Brasil: 

Missão crítica deve ser o primeiro foco de aplicação do 5G na indústria

As expectativas acerca do impacto do 5G na indústria e outros empreendimentos não são meramente especulativas. Também em razão da latência consideravelmente menor, especialistas da área afirmam que a chegada responderá, sobretudo, às futuras demandas do mercado no que se diz respeito à missão crítica.

Muito embora o atual 4G já viabilize redes privadas de alto desempenho, aptas a garantir a operação de caminhões autônomos, como na parceria entre a Vivo Empresas e a Vale do Rio Doce, o 5G deve levar tal capacidade além.

Na prática, essa transferência ultrarrápida de dados permitirá que as empresas utilizem-no em seus sistemas de missão crítica, garantindo que, no caso de uma eventual falha da infraestrutura de conectividade principal, as operações da companhia possam continuar a partir da rede móvel, sem interrupções ou quedas bruscas de velocidade.

Não por acaso, no início de 2021, o CEO global da Nokia, Pekka Lundmark, afirmou que, até 2030, os gastos com redes privadas 5G superarão os investimentos nas infraestruturas públicas

Para o executivo, o motivo seria justamente o interesse da indústria, de todo o mundo, em reforçar seus sistemas críticos com o novo padrão de conectividade. Nos cálculos da Nokia, cada dólar investido nesse tipo de infraestrutura poderia retornar até US$ 4 adicionais em geração de valor, o que justificaria o apetite das fábricas em relação ao 5G.

Até 2030, a companhia ainda projeta um ganho econômico de 7% para o PIB global (US$ 8 tri). A razão por trás do fenômeno é a expectativa de um aumento inédito dos investimentos privados em transformação digital – estimados, por sua vez, como uma reação das empresas às mudanças impostas pela crise sanitária irrompida em 2020.

Computação na nuvem e a novidade da vez: Edge Computing

No mundo conectado pelo Cloud Computing, tudo está online o tempo todo. Nesse sentido, não é difícil imaginar o impacto que a nova internet móvel terá sobre as empresas que dependem desse recurso. 

Entretanto, a transformação proporcionada pelo 5G não deve ocorrer apenas com uma conexão mais rápida entre uma plataforma hospedada na nuvem e seu usuário final. 

Isso porque a evolução da Internet das Coisas também exercerá um papel importante nessa dinâmica, a partir do chamado Edge Computing, ou, ainda, ‘computação de borda’.

Em suma, o termo designa um estágio intermediário entre o processamento local e online de informações. Assim, em vez de enviar todos os dados para um servidor na internet, como ocorre na nuvem “pura”, ou de processar tudo localmente, tal qual em um Data Center on-premise, essa abordagem une o melhor dos dois mundos.

A grande vantagem está no fato de que os dados produzidos e coletados nas imediações do usuário – ou seja, na borda – passam a ser computados por múltiplos dispositivos e distribuídos em funções específicas, além de geograficamente mais próximos que um servidor central.

Dessa forma, é possível agilizar principalmente as etapas mais críticas do processamento de informações. Mais do que isso, a solução também deve permitir um uso mais eficiente da conectividade, recurso a ser operacionalizado, em boa parte, com a tecnologia 5G, dada a sua capacidade de transmitir em ultravelocidade e sem fios. 

A princípio, o Edge Computing pode até parecer uma complicação pouco vantajosa nas infraestruturas de TI, que passam a ser ainda mais descentralizadas. 

Contudo, basta observar estimativas como as da Intel, que prevê que, até 2025, 55% de todos os dados gerados no mundo partirão de equipamentos de IoT, para entender como os benefícios dessa tecnologia representam um alto potencial de desempenho para a indústria.

Qual o papel do 5G na indústria 4.0?

Especialistas do setor tecnológico esperam alta em produtividade com 5G na indústria
Especialistas do setor produtivo esperam ampla modernização com chegada do 5G na indústria

O papel do do 5G na indústria 4.0 fica claro ao observar que, para além dos robôs, a quarta revolução do setor é altamente guiada por dados. Consequentemente, a partir da administração inteligente desses ativos, os gestores podem dimensionar as operações com base em noções claras de estoque, ritmo de produção e demanda.

Mas apesar da previsibilidade ser uma premissa em qualquer fábrica, é especialmente em um cenário de fragilidade na cadeia produtiva global, como o vivido a partir de 2020, que extrair esses insights de forma rápida e precisa tem se tornado um fator de sobrevivência para as corporações. 

Nesse cenário, a conectividade de alta velocidade e sem fios, como a oferecida hoje pelo 4.5G e, futuramente, pelo 5G, reúne características essenciais para ampliar a capacidade e reduzir o custo operacional nas fábricas – em especial as brasileiras, cujo potencial de desenvolvimento tecnológico, conforme indicou a ABDI, é alto.

Em entrevista cedida ao Valor Econômico em setembro de 2021, Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o cone sul da América Latina, afirmou que a adoção do 5G poderá aumentar a produtividade da indústria nacional em até 25%. 

A razão é que, para Dienstmann, além de beneficiar os processos do setor, a nova rede deve fomentar o surgimento de mercados inéditos, com demandas que exigirão respostas igualmente únicas. 

Ou seja, tal qual o 4G permitiu o avanço dos smartphones, criando um mercado que leva as empresas envolvidas à casa dos trilhões, a maior parte dos retornos econômicos oriundos do 5G estará na infinidade de novos hábitos, métodos, produtos e serviços que a tecnologia viabilizará.

Inclusive, a mesma ideia é reforçada pelo presidente da CNI, Glauco Côrte, que vê o 5G como “essencial” para que o Brasil alcance países onde a Indústria 4.0 já é realidade, conforme publicação do UOL Economia, em novembro de 2021.

Em conclusão

Com o leilão do 5G realizado em novembro de 2021, a nova etapa na evolução da conectividade está mais próxima e promete transformações não só na comunicação entre pessoas, mas também na forma das empresas produzirem bens e serviços.

Consequentemente, tais fatores fazem com que a tecnologia seja um salto inédito para a digitalização das fábricas brasileiras, inclusive porque deve alavancar outras inovações importantes para o setor, como a IoT, a nuvem, a inteligência de dados e a segurança digital.

Ou seja, frente a possibilidades tão vastas, não é exagero concluir que a nova internet móvel e suas aplicações se tornarão determinantes para quem deseja continuar competitivo e rentável no longo prazo.

Da mesma forma, é válido ressaltar que, apesar da nova rede seguir em implementação no Brasil, os recursos tecnológicos disponíveis atualmente já representam uma oportunidade de maior desempenho às produções – sem contar que, no futuro, podem servir como base para a adoção do 5G e de outras inovações da indústria 4.0.

Em caso de dúvida, conte com quem conhece as necessidades desse setor. Além de referência no fornecimento de soluções como Cloud, Conectividade, Cibersegurança e Big Data, a Vivo Empresas é líder no segmento de M2M, com 36% de participação de mercado (fevereiro de 2021), e mais de 10 milhões de dispositivos conectados.

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Até a próxima!

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