Como as tendências de consumo sustentável trazem mudanças para o varejo

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O consumo sustentável vem sendo bastante debatido nos mais diversos setores da economia. E isso não é diferente para o comércio, afinal a sustentabilidade no varejo foi tema pertinente nos principais encontros mundiais da área.

Na realidade, a busca por uma forma mais consciente de conduzir os negócios está diretamente ligada às mudanças no consumo. Hoje, tanto investidores quanto consumidores estão mais atentos a práticas alinhadas aos valores ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) e, portanto, os empreendedores também precisam estar.

Seja repensando a logística, substituindo os materiais utilizados na produção ou mesmo selecionando parceiros e fornecedores, é preciso tomar medidas para ter uma atuação de menor impacto.

Para entender a importância desse tema no varejo, bem como as melhores práticas que ajudam em um consumo sustentável, neste artigo, você verá:

  • Consumo sustentável: uma tendência global
  • Comportamento do consumidor mudou
  • Sustentabilidade no varejo já é realidade
  • Consumo sustentável na prática
  • Tecnologia é parceira no consumo sustentável

Consumo sustentável: uma tendência global

Consumidor está mais consciente, o que exige respostas à altura do comércio varejista

O consumo sustentável é pauta em debates mundiais de órgãos como o Fórum Econômico Mundial, a ONU e diversas ONGs há algum tempo. E aos poucos, também vinha ganhando espaço entre os consumidores. 

Em novembro de 2019, a Fortune publicou que no segmento de bens de consumo, metade do crescimento das vendas de 2013 a 2018 veio de produtos sustentáveis. Ou seja, de itens que foram comercializados seguindo alguma prática sustentável. 

O mais interessante desse dado é que, apesar do impacto positivo na comercialização, esses bens ainda representavam somente cerca de 17% do mercado. 

Contudo, a sustentabilidade, de modo geral, vem ganhando mais atenção nos últimos anos, especialmente depois da crise sanitária que se iniciou em 2020. Esse período conturbado na economia mundial ressaltou a necessidade de se adotar práticas ambientais e sociais mais conscientes, tanto em iniciativas públicas, como privadas. 

Um bom exemplo foi o apoio a produtores e comerciantes locais, que sentiram maiores impactos em seus negócios com as medidas de distanciamento social em vigor. Foram diversas as campanhas nas redes e até em aplicativos de entrega para tentar diminuir o prejuízo desses empreendedores. 

A tendência é que essa preocupação com o consumo sustentável seja cada vez mais abrangente. Tanto é que países e grandes organizações vêm assumindo compromissos ESG mundialmente, como o da neutralidade de emissões de CO2. Para ilustrar, 65% do PIB global está comprometido a se tornar neutro em carbono até 2025. 

Seguindo essas disposições, a sustentabilidade no varejo também está em ascensão. Um dos desafios atuais é tratar essas iniciativas não como algo adicional, mas como uma prioridade central do negócio. Pois é apenas dessa forma que se consegue atender às exigentes demandas do novo consumidor. 

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Comportamento do consumidor mudou

O relacionamento entre marcas e clientes está em constante evolução e, ao mesmo tempo em que isso é bom por trazer oportunidades de fidelizar consumidores, é também desafiador. 

O consumo sustentável é uma das tendências em todo o mundo, como mostra uma pesquisa realizada pela McKinsey, em fevereiro de 2021. O documento indica que a sustentabilidade no varejo é tema de elevada importância, incluindo questões de meio ambiente, segurança, abastecimento local e ético. 

Vale ressaltar que quem incita a “onda verde” é principalmente a parcela populacional que começa a exercer poder de compra agora. Um levantamento da DoSomething, de abril de 2020, mostra que 75% dos consumidores classificados na geração Z já questionam se as marcas garantem a segurança de funcionários e consumidores. 

Esse grupo de pessoas, nascidas entre a segunda metade da década de 90 e o início de 2010, vai representar quase um terço da receita mundial até 2030. E um ano após, deve superar os Millennials, como aponta a Forbes, em fevereiro de 2022.

Todavia, o fato é que a preocupação com ESG é uma realidade e, portanto, é preciso pensar na sustentabilidade no varejo. Não só pelo fato de contribuir para um futuro melhor, mas porque o lucro empresarial pode ser afetado pela falta de empenho nesse quesito. 

De acordo com estudo da IBM e da National Retail Federation, 62% dos consumidores modificariam hábitos de consumo para reduzir o impacto ambiental. Os dados são baseados nas respostas de 19 mil pessoas e foram apresentados no Retail’s Big Show, em janeiro de 2022.

Além disso, metade dos entrevistados afirmam que pagariam mais pela sustentabilidade: o produto verde poderia ter um preço até 70% acima do regular. 

De olho nos brasileiros

O Opinion Box divulgou, em julho de 2021, uma pesquisa para compreender a visão sobre sustentabilidade dos consumidores do país e os resultados são claros: o consumo sustentável está em ascensão entre os brasileiros. Entre as principais impressões trazidas no relatório estão que:

  • 46% pesquisam sobre práticas sustentáveis da empresa
  • 62% preferem pagar mais caro por produtos naturais e com menor impacto ambiental
  • 62% levam a sustentabilidade em consideração na decisão de compra
  • 37% já deixaram de consumir produtos ou serviços por não serem sustentáveis. 
  • 82% afirmaram que empresas com práticas sustentáveis têm mais chances de conquistá-los como clientes.
  • 81% concordam que se sentem mais satisfeitos ao comprar produtos sustentáveis.

Sendo assim, é possível ver que no Brasil há grandes oportunidades para quem se planejar e se adaptar ao ESG.

Sustentabilidade no varejo já é realidade

Já existem diversas iniciativas de consumo sustentável, que vão desde grandes compromissos até pequenas ações no cotidiano. Inclusive, uma rede brasileira se destacou em sustentabilidade no varejo em novembro de 2021, como reportado pela Exame.

A Lojas Renner S.A. alcançou 80 pontos no ranking do Dow Jones Sustainability Index (DJSI), tornando-se a empresa de varejo com maior pontuação no mundo. Entre os compromissos que a marca assumiu está:

  • o uso de matéria-prima certificada e menos impactante,
  • a adoção de energia de fonte renovável, 
  • a redução de emissão de CO2,
  • contar com fornecedores com certificação socioambiental.

Além disso, a companhia lançou uma iniciativa em outubro de 2021 e se tornou pioneira ao abrir a primeira loja circular do varejo brasileiro. Essa unidade foi planejada e desenvolvida a partir de premissas como melhor uso de recursos e a priorização de materiais duráveis e renováveis.


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Consumo sustentável na prática

Assim como o exemplo dado pela rede brasileira, há muitas formas de atuar de forma mais consciente para contribuir para um futuro melhor e se alinhar às demandas dos brasileiros. Confira algumas ações que podem auxiliar na sustentabilidade no varejo.

Embalagens

Segundo a pesquisa do Opinion Box, 60% dos consumidores procuram por embalagens e formas de transportar os produtos que sejam menos prejudiciais ao meio ambiente. A percepção é que, especialmente em compras online, há muito desperdício de material ou ainda o uso de embalagens não recicláveis.

A campanha dos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar – é um bom guia para a escolha de embalagens, independentemente do produto. 

Hoje, já existem tipos de embalagem que não apenas são ecologicamente corretas, mas ainda chamam a atenção do público. Um bom exemplo são as caixas e cartões de papel semente que,após o uso, podem ser picotadas e plantadas. 

Logística reversa

Uma prática importante é a logística reversa que consiste em recolher e dar encaminhamento a produtos, seja para reaproveitamento ou para descarte correto. Essa iniciativa traz inúmeros benefícios como o incentivo ao reuso e reciclagem, aumentando a eficiência no uso de recursos naturais.

O processo exige preparação da empresa que pode tanto ter equipes preparadas para a coleta desses materiais, quanto estabelecer pontos para recolhê-los. Como exemplo, existem diversas redes de supermercados que disponibilizam espaços para o cliente descartar as embalagens sobressalentes logo após a compra. 

Cadeia de parceiros e fornecedores

Infelizmente, não adianta apenas tomar todos os cuidados dentro do negócio. É necessário também se atentar aos fornecedores e parceiros da empresa para não correr o risco de ter a reputação de sustentabilidade manchada. 

Até mesmo na hora de escolher produtos para vender no estabelecimento, o ideal é selecionar marcas que, de fato, ofereçam produtos alinhados a valores ambientais e sociais. Dentre estas podem estar companhias que não fazem testes em animais ou que fornecem opções mais naturais.

Uso e reuso

Segundo dados do Sebrae, publicados pela Consumidor Moderno em fevereiro de 2022, a cultura de mercadorias usadas está crescendo no Brasil. A organização mostra que nos primeiros semestres de 2020 e 2021, a abertura de estabelecimentos voltados à comercialização desses produtos cresceu 48,5%. 

Essa prática é bastante comum com itens de vestuário, através de brechós e lojas online como o enjoei. Mas está cada vez mais abrangente com a ajuda de plataformas que facilitam essa venda, como o Mercado Livre e a OLX. 

Há também outras iniciativas como o Sou Barato, do grupo B2W, que comercializa produtos reembalados e usados.

Tecnologia é parceira no consumo sustentável

Consumo sustentável é tendência especialmente em alguns setores, como o da moda

Quando implementada de forma correta, a tecnologia também é uma grande parceira na promoção do consumo sustentável. E isso já começa desde os primeiros passos, como na digitalização do negócio. 

Transformação digital

Optar por um controle digital otimiza a gestão por tornar mais fácil a visualização de todas as etapas do negócio. Com uma boa conectividade e um espaço em nuvem, o gestor pode organizar desde o controle de vendas até a base de dados dos clientes. Além disso, utilizando ferramentas de colaboração as equipes conseguem manter o contato e trabalhar de modo mais produtivo independentemente do local. 

Nesse mesmo cenário, sensores conectados via Internet das Coisas (IoT) podem auxiliar na automação do controle de estoque. Dessa forma, é possível reduzir desperdícios e compras desnecessárias de reposição, por exemplo. 

Até mesmo no momento de finalizar a compra, pode-se substituir a tradicional nota fiscal de papel por um recibo digital para ser enviado da forma mais conveniente ao cliente. Com isso, ao mesmo tempo em que é reduzido o desperdício de papel, o negócio consegue oferecer uma melhor experiência ao consumidor.

Otimização de recursos

A eletricidade é outro ponto delicado, tanto para a sustentabilidade no varejo quanto para o custo do negócio. Aparelhos como ar-condicionado e computadores ligados durante longos períodos podem gerar grande impacto ambiental e orçamentário.

Existem as dicas tradicionais da troca de lâmpadas por opções mais econômicas, como as iluminação LED, ou mesmo a aquisição de novos aparelhos, que já vem com opções de funcionamento eco. 

Mas a tecnologia permite ir além. Existem soluções de IoT, como o Vivo Eficiência Energética, que ajudam no controle e redução dos gastos com energia. Isso acontece por meio da medição dos dados conectados em rede, que permite otimizar o uso desse recurso.

Opções de estrutura do negócio

Há ainda tecnologias que aparecem como alternativas de estrutura que apoiam a sustentabilidade no varejo, como é o caso da cloud

O recurso tecnológico não só permite criar um ambiente digital integrado e escalável para qualquer negócio, mas também torna desnecessário contar com uma estrutura física com Data Centers. Afinal, para manter estes é preciso ter um espaço climatizado, seguro e com conectividade sempre ativa, gerando um maior uso de eletricidade.

Inclusive, em setembro de 2020, uma pesquisa da Accenture estimou que a migração para a nuvem pública pode atingir uma redução de 5,9% na emissão de carbono de TI. Para tornar esse dado mais claro, isso representaria a diminuição de quase 60 milhões de toneladas de CO2 por ano ou o equivalente a 22 milhões de carros a menos nas estradas.

Técnicas avançadas

O uso de tecnologia em prol da sustentabilidade no varejo ainda pode ser mais variado. Nesse sentido, o Big Data ajuda gestores a entender tendências de consumo para auxiliar nas escolhas de embalagens e produtos de consumo sustentável. 

Aliás, esse recurso de análise de dados aplicado, como as soluções oferecidas pela Vivo Empresas, também pode ajudar a escolher pontos de coleta para a estratégia de logística reversa. Nela, informações de mobilidade são analisadas a fim de suportar a tomada de decisões. 

Em paralelo, para reduzir desperdícios e até custos de produção, já existem marcas utilizando produtos renderizados em 3D para testes com consumidores. Na prática, os varejistas evitam todo o processo de produzir, enviar e destruir milhares de amostras. 


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Conclusão

O consumo sustentável deve ser uma prioridade para os negócios daqui para a frente. Seja por pressões de consumidores, investidores ou do mercado, a sustentabilidade no varejo não é mais uma alternativa, mas uma necessidade. 

Enquanto esse novo modo de pensar no negócio exige esforços e adaptação, por outro lado, as práticas mais conscientes devem também auxiliar na economia de dinheiro a longo prazo. Uma vez que ser mais sustentável significa otimizar o uso de recursos, reduzir desperdício e até aumentar o ciclo de vida de um produto, por meio de reuso e reciclagem.

São diversas as formas possíveis para o varejo se alinhar aos valores ESG, como mostramos no artigo, e é possível utilizar a tecnologia a favor dessa mudança. 

Atenta a essa tendência, a Vivo Empresas oferece ao setor um portfólio completo de soluções de conectividade, cloud, IoT e Big Data. Com esses recursos, a sustentabilidade no varejo é possível para negócios de todos os portes se preparem para o futuro. 

Se interessou pelo uso de tecnologia em prol da sustentabilidade? Confira outros exemplos dessa parceria de sucesso:

Até a próxima!

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