Tendências do agronegócio: um panorama das expectativas para 2022

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Os últimos anos expuseram a fragilidade da cadeia de abastecimento global e transformaram tanto a produção atual quanto as futuras tendências do agronegócio

Agora, conforme a situação melhora, o saldo é de que as empresas do ramo que apostaram na digitalização de seus processos se recuperarão mais rápido. Além disso, também já se preparam para novos desafios, como a instabilidade climática, que afeta safras e pastos.

Consequentemente, outros elementos, até então pouco presentes, também dão sinais de que impactarão a rentabilidade do agro, como os novos hábitos de consumo. A cabo desse fator, há, ainda, a preocupação com a sustentabilidade, tanto nas prateleiras do mercado quanto por parte dos investidores, dentro e fora do Brasil.

Paralelamente a tudo isso, a busca por produtividade se mantém como uma constante, tal como a dependência dessa indústria em relação aos recursos naturais. Contudo, até essas questões estão se transformando diante de desafios como o aumento populacional, para citar um exemplo. 

Como é possível verificar, mesmo num cenário de retomada da normalidade, o panorama mundial promete grandes mudanças não só para 2022, mas também adiante. 

E para entender melhor as futuras tendências do agronegócio, um dos principais componentes da economia brasileira, é essencial analisar a atuação do setor nos passado recente, bem como compreender os obstáculos e oportunidades que se apresentam. 

Neste artigo, fique por dentro desses e demais assuntos. Veja também:

  • Panorama do agronegócio
  • Expectativas e tendências do agronegócio em 2022
  • A tríade da confiança: transparência, qualidade e segurança
  • A busca pela sustentabilidade
  • Mudança no consumo também deve ser considerada
  • 4G ou 5G: ampliação de conectividade é uma das tendências do agronegócio

Panorama do agronegócio no biênio 2020-21

Irrigador automático molhando plantação
Questões climáticas, como a possibilidade de uma estiagem prolongada, continuarão afetando o agro em 2022

Não há dúvidas da importância do agronegócio para a economia brasileira, já que o setor consegue surpreender mesmo em épocas conturbadas. 

Como exemplo, segundo publicação da revista Exame, em junho de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) do agro cresceu mais de 24% em 2020. Isso significa que as atividades no campo foram responsáveis por gerar cerca de R$2 trilhões.

Ao que tudo indica, 2021 também não deve desapontar. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre houve um acréscimo de 5,2% na agropecuária comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento de produtividade das culturas, como a da soja, que subiu 8,6%. 

Da mesma forma, o índice de confiança do agronegócio cresceu no segundo e terceiro trimestres de 2021. Conforme a divulgação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o indicador chegou a 121,1 pontos entre julho e setembro, o que indica otimismo do mercado. 

Outro bom resultado trazido pelo setor foi no segmento de exportações. Como reportado pela CNN Brasil em novembro de 2021, foi atingido o valor recorde de US$8,84 bilhões em exportações no mês de outubro. Na somatória dos 10 primeiros meses do ano, já totalizam US$102,3 bilhões.

Crise hídrica é obstáculo à produtividade no setor

Um dos desafios imediatos com o qual o agronegócio tem que lidar é a crise hídrica. Aliás, esta deve permanecer um problema se a falta de chuvas e o baixo nível dos reservatórios se mantiverem.

Hoje, importantes regiões produtoras de alimentos já estão sentindo os impactos. Entre eles, incluem-se a perda de produtividade e a escalada de custos, bem como a queda na qualidade das pastagens e dos frutos. Mas não se limitam a isso. 

Na realidade, a seca atrapalha toda a cadeia de produção. Uma vez que há a redução na colheita de milho, o preço da ração sobe e afeta a criação de frango e porcos, por exemplo. 

Algumas culturas, como a de café e de laranja, já sentem os efeitos dessa crise desde 2020 e, por sua vez, terão o volume de safra reduzido. Os grãos sofreram, principalmente, devido às interferências nas etapas de pega da florada e enchimento, enquanto as frutas experimentaram prejuízos em tamanho e produtividade.

Nesse sentido, é preciso recorrer a outras soluções que empreguem um melhor uso dos recursos naturais. Sobretudo, as aplicações inteligentes, que fazem parte das principais tendências do agronegócio para 2022, como será abordado a seguir.

Veja como produzir mais, de maneira eficiente e sustentável, com soluções em IoT

Quais as expectativas e tendências do agronegócio em 2022?

O agronegócio tem crescido exponencialmente, mesmo frente a crises e grandes desafios. No Brasil, esse setor é um dos líderes na retomada da economia, tendo em vista sua contribuição para o PIB do País. 

Segundo um estudo do Ministério da Agricultura, divulgado em novembro de 2021, o valor bruto da produção (VBP) em 2022 será 4,4% superior ao de 2021. Sendo assim, o VBP será de R$1,169 trilhão, em um cenário onde as regiões produtoras devem ter normalidade, clima favorável e preços atrativos.

O volume da produção também deve ser destaque no próximo ano, como mostra a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no 1º Levantamento da Safra Grãos 2021/2022. O documento, divulgado em outubro de 2021, aponta a previsão de uma safra de grãos recorde para o período:  288,61 milhões de toneladas. Se a expectativa se confirmar, representará um aumento de 14,2%, um marco histórico para a agricultura nacional.

Apesar disso, ainda é preciso avançar para atender a demandas cada vez maiores de alimentos, não só internas, mas externas. Afinal, a previsão é que até 2030, o mundo terá cerca de 9,7 milhões de pessoas, o que representa um crescimento de 25% em relação ao volume atual. 

Nesse sentido, as expectativas são ainda maiores para o Brasil, que é um dos maiores produtores alimentícios do mundo. Para alcançar esse objetivo, o uso de tecnologias e a adoção de uma cultura data driven no campo são indispensáveis.

Desse modo, vale conferir algumas das tendências do agronegócio para 2022 e entender como devem estruturar o futuro do setor. Acompanhe:

A tríade da confiança: transparência, qualidade e segurança

Cada vez mais, os consumidores e os investidores querem conhecer a origem do produto, se a produção seguiu as melhores práticas socioambientais e qual seu impacto. Ou seja, para manter a confiança no mercado, a rastreabilidade vem se tornando crucial para o agronegócio.

Essa possibilidade de identificar a origem do alimento já é um elemento importante, considerando que, quando há um problema de segurança alimentar, é necessário identificar a raiz o mais rápido possível. Agora, essa tendência do agronegócio ganha destaque em outros âmbitos, como o de sustentabilidade. 

Soluções baseadas na Internet das Coisas (IoT), que permite o monitoramento em tempo real através de sensores, são parte do sistema de rastreabilidade. Nesse sentido, o blockchain é muito utilizado por descentralizar a informação, garantindo segurança aos dados armazenados nessa cadeia de produção.

Por sua vez, tais tecnologias dependem de uma estrutura robusta, com soluções de conectividade e eletricidade à disposição.

A busca pela sustentabilidade

A sustentabilidade já é uma questão de destaque no cenário mundial. No mundo dos investimentos, ela é representada pela sigla ESG, que compreende as melhores práticas nas esferas ambiental, social e de governança. De modo semelhante, esse será um dos grandes desafios do agronegócio brasileiro daqui para frente. 

Sobretudo, para ser sustentável é fundamental otimizar a cadeia de produção. Ou seja, buscar modelos de cultivo que consumam menos recursos como água e energia elétrica. Ao mesmo tempo, o conceito também compreende a realização de uma gestão mais eficiente de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Isso reduz gastos e o impacto ambiental, tornando a produção mais consistente.

Para isso, uma produção conectada pode ajudar no uso inteligente de recursos. Sensores e equipamentos IoT, por exemplo, trazem informações sobre a umidade e quantidade de nutrientes do solo ou ainda quanto à previsão do tempo. Esses dados permitem um planejamento das atividades a fim de realizá-las nas melhores condições e apenas onde necessário.

A longo prazo, esse histórico de informações vira insumo para soluções de Big Data. A tecnologia atua na análise da produtividade ao longo do tempo e informa ao produtor o melhor caminho para a próxima safra.

De olho na exportação

Se por um lado essa tendência do agronegócio traz mais resiliência ao negócio, por outro é crucial para manter ou elevar os níveis de exportação. As ‘certificações verdes’, como são chamados os selos de garantia de produção sustentável, vêm sendo requisitadas. 

Principalmente, o mercado internacional se mostra bastante preocupado com compromissos globais da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP-26).

Embora hoje isso ainda não seja um impeditivo para relações comerciais, esta é certamente uma das tendências do agronegócio que permanecerá nos próximos anos.


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Mudança no consumo também deve ser considerada

Gado pecuário
Pecuária deverá se adaptar aos novos hábitos do consumidor, no Brasil e no mundo

A pandemia não trouxe mudança apenas para os negócios, mas também mudou muito os hábitos do consumidor. Um estudo publicado pela Veja Insights em setembro de 2020, mostra que certos costumes permanecerão e haverá um novo estilo de vida para os brasileiros. 

Referente às descobertas do levantamento, pode-se destacar que entre os entrevistados:

  • 89% aumentarão ou manterão seus gastos atuais em alimentos frescos;
  • 75% priorizarão decisões de compra mais saudáveis;
  • 70% vão se atentar mais aos impactos ambientais e sociais de seus gastos;
  • 36% aceitarão pagar mais por produtos de fornecedores certificados/naturais/orgânicos;
  • 33% vão optar por novas marcas para apoiar negócios locais.

Claramente, é possível identificar a preocupação em relação às melhores práticas socioambientais. De modo geral, a pesquisa mostra que ao menos um terço da população amostral prioriza qualidade e responsabilidade, em detrimento do preço.

Aliás, a expectativa para os próximos cinco anos é que os fatores mais valorizados pelos consumidores sejam, por ordem de importância: qualidade, saúde, sustentabilidade, responsabilidade social e segurança financeira.

Além disso, entre os elementos que influenciam compras foram citados como extremamente importantes:

  • 73% — autenticidade e honestidade;
  • 65% — certificação de produto;
  • 65% — garantia de origem.

Essas prioridades vão ao encontro das demais tendências do agronegócio apontadas neste artigo e confirmam a importância da adaptação do setor.

Em paralelo, dietas alternativas a carne e laticínios também ganham tração. No artigo FoodEntrepreneurs de dezembro de 2020, é citado que a gigante de alimentos Unilever estima que essa indústria chegará a US$1 bilhão até 2027. 

4G ou 5G: ampliação de conectividade é uma das tendências do agronegócio

A conectividade é peça central para grande parte das inovações e tendências do agronegócio. No cenário atual, o 4G corresponde a 77,7% das conexões móveis no Brasil, segundo o recorte  de setembro de 2021 realizado pela Anatel. Em seguida, vem o 3G, com 11,5%, e o 2G com 10,7%. 

Entretanto, hoje já se fala da quinta geração da conexão móvel. O 5G promete mais velocidade, menor tempo de resposta e mais resiliência no acesso à internet. Na agroindústria, por exemplo, a tecnologia irá viabilizar operações autônomas, sistemas de missão críticas (que são aqueles que não podem ser interrompidos) e a expansão das redes IoT.

Aliás, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estima que essa evolução pode aumentar em 25% a conectividade em propriedades rurais. Por sua vez, teria como resultado um crescimento de 6% no valor bruto da produção (VPB) agropecuária brasileira.

Todavia, há ainda um longo caminho para essa novidade percorrer, em termos de estrutura e cobertura. Mas isso não significa que o agronegócio irá ficar desamparado. 

4G atende a demanda

A realidade é que o 4G evoluiu muito no País e já possibilita muitas das ações mencionadas acima. Ela permite a comunicação da equipe de campo, o uso de sensores conectados no maquinário e em drones, cujas imagens são transmitidas automaticamente para o produtor.

Para exemplificar, uma entrevista com Gregory Riordan, presidente da Associação ConectarAgro, realizada pelo Canal Rural, traz um caso real do poder da fazenda conectada. Riordan explica que uma propriedade de 1.500 hectares no Mato Grosso conseguiu um retorno de R$ 266 mil por ano através da conectividade. 

Primeiro, reduz em 4% o uso de agroquímicos, por saber onde aplicar e usar o GPS. Ele reduz os gastos com combustível da colheitadeira também. Ganha-se produtividade. Você consegue plantar com o espaçamento certo e a planta cresce melhor. Quando a máquina para, você já sabe o porquê e já pode consertar, o que equivale a menos tempo de máquina parada.

Gregory Riordan, presidente da Associação ConectarAgro

Conexão no campo

Atualmente, a conectividade nas áreas rurais depende das redes Narrowband-IoT, ou NB-IoT, e da LTE-M, uma versão do 4G desenvolvida para consumo energético reduzido. 

A princípio, a NB-IoT é focada em aparelhos de baixa complexidade, como sensores. Ela consegue otimizar o consumo de energia, que é um problema pertinente aos dispositivos conectados, e ainda melhora a cobertura na área.

Já a LTE-M compartilha alguns benefícios com a NB-IoT, como a bateria de longa duração e o baixo custo. Só que ela tem um alcance de 100 km e uma transmissão de dados de 1 Mbps, ou seja, oferece uma conexão mais poderosa. Isso a torna ideal para atuar no rastreamento de veículos e maquinário pesado, como tratores.

Vale dizer que a McKinsey & Company, em outubro de 2020, estimou que as conexões móveis fornecerão cobertura para 80% de todas as áreas rurais mundiais até 2030, e que ao final da década, uma agricultura conectada poderá resultar em um acréscimo de US$500 bilhões no PIB mundial.


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Conclusão

Sustentabilidade, transparência e produtividade são os principais desafios e, ao mesmo tempo, tendências do agronegócio. Na verdade, a tecnologia disponível hoje nas fazendas consegue auxiliar muitos produtores a seguir essas diretrizes que guiam o futuro do setor.

Uma propriedade interconectada, com sensores e equipamentos IoT que captam dados sobre as atividades, fornece ao produtor uma completa visualização do seu processo produtivo. Essas informações armazenadas em Cloud e analisadas via Big Data, mostram insights que nem sempre seriam óbvios para o olho humano. 

Certamente, é a partir do monitoramento inteligente e da mensuração das atividades agropecuárias que o setor conseguirá chegar no patamar de produtividade necessário. É com apoio nessa estrutura que melhorias podem ser aplicadas de forma precisa, gerando produtividade de modo sustentável.

Nesse sentido, a Vivo Empresas pode ajudar, com um portfólio completo de soluções que atuam na digitalização do agronegócio de ponta a ponta

Conheça mais sobre como os recursos tecnológicos podem auxiliar o setor:

Até a próxima!

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