Lojas autônomas usam o melhor da tecnologia para trazer uma experiência eficiente ao cliente

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Se antes pareciam futuristas, hoje, as lojas autônomas, ou ao menos as parcialmente automatizadas, já são uma realidade no Brasil. 

O modelo é bastante disseminado em países da Europa e da América do Norte, mas, por aqui, se fortaleceu como uma alternativa no cenário da crise sanitária de 2020. À época, negócios exclusivamente físicos estavam lutando para se manter, e as medidas restritivas de circulação também incentivaram o movimento. 

Apesar da maior adesão pelo varejo com foco em alimentos, a automação está sendo implementada por lojas esportivas, de roupas e até mesmo nas voltadas para os cuidados com os pets. 

Além disso, deve ser uma tendência para os próximos anos, seguindo o conceito de low touch economy, ou “economia de baixo contato”, na tradução para o Português.

Neste artigo, você entenderá como as lojas autônomas funcionam, seus desafios e suas oportunidades, além de exemplos de marcas que atuam no setor. Continue com a leitura, e veja também:

  • Panorama da automação nas vendas
  • Conheça o conceito das lojas autônomas 
  • Níveis de automação e modelos adotados variam 
  • O brasileiro está preparado para essa digitalização?
  • Automatização depende da tecnologia
  • Lojas autônomas estão presentes no exterior e no Brasil

Panorama da automação nas vendas

É inegável que o comportamento do consumidor mudou muito nos últimos anos, e uma das tendências impulsionadas por essa transformação foi a low touch economy. Esse conceito tem como base negócios que podem ser realizados com o menor contato possível entre consumidores e vendedores.

Por sua vez, o que torna isso possível é a aplicação inteligente de tecnologias, de modo a diminuir a dependência de ações manuais e a aumentar a autonomia dos clientes. Meios de pagamento por aproximação são um bom exemplo de aplicação do termo, e tiveram grande ascensão desde 2020.

Um próximo nível da digitalização e automação nas compras são os terminais de self checkout. Nestes, o consumidor registra a compra por leitores de código de barras e realiza o pagamento sem precisar da ajuda de atendentes.

Ainda assim, é possível ir além e englobar toda a jornada de compra presencial. Esse próximo passo é no que consistem as lojas autônomas, nas quais qualquer interação mediada por funcionários humanos é dispensada. 

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Conheça o conceito das lojas autônomas

As lojas autônomas são pontos comerciais que têm equipe bastante reduzida, pois seus processos são realizados inteiramente pelo cliente, com a ajuda de máquinas. 

Para isso, os estabelecimentos possuem uma estrutura altamente tecnológica, a fim de permitir que os clientes entrem, escolham seus produtos e paguem sem a intervenção de outras pessoas.

Sendo assim, os pagamentos são feitos por sistemas de self checkout ou online, por meio de aplicativos da marca. Há, ainda, exemplos mais desenvolvidos, que sequer precisam dessa etapa. No caso, são os recursos tecnológicos que conseguem registrar os itens adicionados ao carrinho e fazer a cobrança automaticamente.

Até pouco tempo, o modelo em questão era pouco utilizado, estando presente apenas em locais privilegiados nas principais capitais. Porém, a inovação vem ganhando espaço nas ruas, em empresas e até em condomínios residenciais, por meio dos minimercados autônomos. 

Diferenciais do modelo

Dentre as principais vantagens das lojas autônomas, é possível destacar a redução de custos em relação ao padrão tradicional. Isso acontece porque esses estabelecimentos só contam com colaboradores em tarefas pontuais, como segurança e reposição de estoques.

A princípio, os espaços também são menores e, portanto, demandam menos gastos de manutenção. A economia gerada pode impactar até nas ofertas que o negócio é capaz de oferecer, uma vez que o custo total da operação é otimizado.

Além disso, uma vantagem competitiva oferecida pelas lojas autônomas é a flexibilidade de horários de funcionamento. Já que as atividades no PDV dependem diretamente de tecnologia, é possível permanecer aberto 24 horas e em todos os dias da semana.

Para os negócios que mantêm aplicativos para as transações dentro do estabelecimento automatizado, há, ainda, mais um diferencial. Com a obrigatoriedade de cadastro e da interação no app, é possível coletar informações sobre o público que está utilizando a loja. 

Sendo assim, é mais fácil ter acesso a produtos de maior e menor saída, perfil do cliente e tempo de duração da compra. Por sua vez, quando esses dados são analisados, geram insights, que ajudam em uma tomada de decisões mais certeira.

Em termos de comparação, as lojas autônomas estão entre a experiência de compra online e a presencial, pois, juntam a simplicidade de adquirir algo pela internet com a possibilidade de tocar nos produtos. Por isso mesmo, existem estratégias de negócios que integram esses ambientes, como o varejo phygital.

Níveis de automação e modelos adotados variam 

Existem diferentes níveis de automação aplicados ao negócio, dependendo dos objetivos e do público da empresa. 

Como exemplo, as máquinas de vendas automáticas, ou vending machines, são comumente usadas para guloseimas e lanches. Mas já existem companhias de acessórios para celular que também aproveitam essa oportunidade.

Isso porque esses aparelhos são um modelo simples de loja autônoma, e permitem que a marca esteja posicionada em lugares estratégicos, ao mesmo tempo em que não há grandes custos.

No entanto, quando se pensa no termo lojas autônomas, a referência mais clara são os minimercados. Presentes em zonas comerciais, condomínios residenciais e empresariais, esses estabelecimentos não têm a pretensão de substituir uma “compra de mês” em supermercados.

A ideia é oferecer uma opção prática para transações de menor volume, perto do trabalho ou da casa dos consumidores. 

Inclusive, segundo o relatório Opinion Box: Insights Supermercados, de janeiro de 2022, a distância é um fator decisivo para 71% dos entrevistados. Tanto é que 44% das pessoas que participaram da pesquisa afirmaram preferir comprar em mercados de bairro.

Nesse sentido, o mini-market pode ser tecnologicamente avançado, com todo o processo de compra automatizado, ou, ainda, oferecer conveniências, como o self checkout.

O brasileiro está preparado para essa digitalização?

É normal questionar se esse nível de digitalização tem espaço no público brasileiro e a resposta está nos dados. 

O smartphone é uma das ferramentas essenciais nos modelos mais disseminados de lojas autônomas no Brasil, pois a compra é realizada com a ajuda de apps. Nesse sentido, o Panorama Mobile Time/Opinion Box, de novembro de 2021, mostra que, dentre os entrevistados:

  • 98% já  baixaram e instalaram algum aplicativo de compras;
  • 60% já fizeram compras de produtos ou serviços dentro de um app.

Além disso, a pesquisa analisa o interesse em outras tecnologias, como os wearables, cujo uso por brasileiros cresceu 26%. Vale dizer que esses dispositivos vestíveis e conectados usam a Internet das Coisas (IoT), sendo esse um dos recursos empregados nas lojas autônomas.

Ademais, há uma inclinação favorável ao crescimento específico de mercados automatizados, como mostra o levantamento Tendências do e-commerce para 2022, da Opinion Box. Segundo a pesquisa, 38% dos consumidores já fazem compras online na categoria de alimentos e bebidas, e 71% utilizam o smartphone para isso. 

Em outras palavras, a análise de comportamento e consumo indicam que a familiaridade com recursos que viabilizam as lojas autônomas não é um problema no Brasil. 

Sobretudo, investir nessa inovação enquanto ainda é incipiente representa grandes oportunidades para as marcas, como a possibilidade de oferecer uma experiência única ao consumidor.

Afinal, no cerne da jornada do consumidor em uma loja autônoma está a liberdade, seja para fazer parte ou todo o processo sozinho. De maneira geral, essa forma de comércio adapta-se melhor ao cotidiano, possibilitando que os clientes comprem o que quiserem, no momento que for mais conveniente.

LEIA MAIS: Experiência do consumidor é guia para negócios que buscam sucesso em mercados altamente competitivos

Automatização depende da tecnologia

Para manter uma loja autônoma em qualquer setor, é necessária uma estrutura tecnológica robusta e bem dimensionada para atender a demanda. Apesar de cada caso ter sua particularidade, há uma série de recursos tecnológicos que são comuns ao conceito.

A princípio, independentemente do modelo, a conectividade é fundamental tanto para os clientes acessarem o espaço e fazerem compras quanto para o gerenciamento do negócio. Então, sem um bom acesso à internet, todo esse sistema inovador fica comprometido.

Fora isso, os softwares de gestão, que podem ser contratados e geridos pela nuvem, são responsáveis por grande parte da “magia das lojas autônomas”. Como exemplo, é por meio desses sistemas que são criados os fluxos com fornecedores e funcionários, garantindo o reabastecimento de produtos no momento certo. 

Além disso, a internet das coisas também desempenha diversos papéis nesse ecossistema. Para começar, qualquer estabelecimento autônomo possui câmeras e sensores espalhados pelo espaço. Esses dispositivos são comumente conectados via IoT, viabilizando o monitoramento em tempo real para segurança do negócio e dos clientes.

Somado a isso, em níveis mais altos de automação, os sensores inteligentes podem listar, automaticamente, os produtos retirados das prateleiras. 

Em contrapartida, todos esses equipamentos inteligentes conseguem captar, transmitir e armazenar dados. Ou seja, com o apoio do cloud computing, a IoT fornece informações importantes sobre o funcionamento do negócio. 

Big Data e Inteligência Artificial

Há uma grande carga de dados gerada diariamente nesses espaços, como quem acessou a loja, quais os itens que foram manuseados, comprados ou retornados, dentre outros. Essas informações precisam ser lapidadas para se tornarem um conhecimento precioso para o empreendedor, o que é feito por meio do big data.

A solução consegue analisar grandes volumes de dados, sejam eles estruturados ou não, além de possibilitar o cruzamento desses insights com tendências do mercado.

Em paralelo, a Inteligência Artificial (AI) também é adotada nas lojas autônomas, a começar pela visão computacional, que permite reconhecer o cliente e os produtos escolhidos. Além disso, a AI usa habilidades preditivas que são inestimáveis para a gestão, indicando oportunidades e desafios dos próximos meses. 

Lojas autônomas estão presentes no exterior e no Brasil

As lojas autônomas surgiram no exterior há algum tempo e, por isso, já estão mais disseminadas no exterior do que no Brasil. Inclusive, são alguns desses estabelecimentos que servem como inspiração para os modelos desenvolvidos aqui.

Um dos exemplos mais conhecidos mundialmente é o da Amazon Go. A loja autônoma fica nos Estados Unidos, e permite que a compra seja feita com o auxílio de um aplicativo, sem qualquer interação com funcionários. 

O que torna o modelo tão surpreendente é que o consumidor só precisa se identificar na entrada, pegar os produtos e sair. Isso porque, além do app que faz a autenticação de identidade do cliente, há sensores nas gôndolas e na saída do estabelecimento, que conseguem debitar o valor da compra automaticamente.

Dentre as tecnologias usadas nesse nível de automação, é possível citar câmeras, sensores e balanças, que diferenciam produtos nas gôndolas. Conforme citado anteriormente, a AI também exerce um papel central, a partir da visão computacional e do Machine Learning.

Na China, a loja autônoma de conveniência Bingo Box é destaque, com funcionamento em tempo integral. O estabelecimento não tem funcionários e é, basicamente, um contêiner, podendo, inclusive, mudar de localização. Ou seja, dependendo da demanda, o negócio pode se instalar em outro local.

Já quanto aos recursos tecnológicos empregados, estão o pagamento via app, reconhecimento facial, e a identificação do produto é pela tecnologia RFID, de radiofrequência.

E no Brasil?

Uma das pioneiras em território brasileiro é a Zaitt. Aqui, a startup criou um modelo de loja autônoma com foco em uma experiência simples e rápida para o cliente. 

Para isso, a marca utiliza um aplicativo, pelo qual o consumidor consegue se identificar no estabelecimento via QR Code. Após a entrada, os itens escolhidos são adicionados a um carrinho virtual, e o pagamento é feito pelo mesmo app.

Por ser uma opção atrativa para a rotina dinâmica, a empresa já ampliou a atuação para diversas cidades brasileiras, como Maceió, Belo Horizonte e São José do Rio Preto. Para exemplificar, entre janeiro e novembro de 2021 o app da Zaitt ultrapassou a marca de 24 mil downloads, segundo a GS1 Brasil — Associação Brasileira de Automação.

A Onii é outra startup brasileira com esse foco, e já tem 248 unidades entre ambientes corporativos, boxes em espaços internos de prédios e mercados. Em 2021, lançaram o eegloo: uma loja autônoma situada na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, que permite a venda de produtos de empreendedores da região. 

Grande marca do setor alimentício, o Carrefour também lançou, em março de 2021, duas lojas autônomas na região metropolitana de São Paulo. Estas funcionam pela função Scan&Go do app da empresa, que libera a entrada no estabelecimento, faz a identificação dos produtos escolhidos e o pagamento.

Conclusão

As lojas autônomas já existem, e estarão cada vez mais presentes. Implementando recursos tecnológicos, como conectividade, IoT e Big Data, esse modelo de negócio transforma a jornada de compra e a experiência do cliente.

Ao mesmo tempo, é uma forma de reduzir custos na venda de produtos a longo prazo e ter uma operação mais eficiente. Até mesmo o investimento em um modelo ainda não muito explorado ajuda a marca a despontar como inovadora. 

Além disso, as oportunidades do negócio são amplas, com possibilidade de integração ao e-commerce, por exemplo. A loja autônoma pode ser também um ponto de retirada de produtos comprados online. 

Nesse cenário, o cliente tem vantagens, como buscar a mercadoria no horário que quiser, sem precisar aguardar em filas. Já a empresa também se beneficia com uma logística mais simples, além de um consumidor satisfeito.

Naturalmente, esse é somente um exemplo, mas que, assim como os casos reais citados acima, já mostram o potencial das lojas autônomas. 

Ainda assim, é importante lembrar que, para tudo funcionar corretamente, é necessário construir uma boa infraestrutura tecnológica para esses espaços. Afinal, pior do que os eventuais contratempos de um estabelecimento comum é um ponto de vendas automatizado que não funciona adequadamente. 

Em contrapartida, com recursos tecnológicos dimensionados para essas e outras necessidades do varejo, o setor está pronto para garantir uma boa experiência ao público e se destacar no mercado.

Mas a tecnologia não é só para lojas autônomas. Confira esses artigos e conheça outras formas em que a inovação dá suporte às vendas:

Até a próxima!

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