Administração rural: tecnologia como aliada do crescimento

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Em um contexto em que inúmeros setores sofreram com o impacto da pandemia da covid-19, o agronegócio conseguiu reverter os desafios e crescer no primeiro quadrimestre de 2022. 

Mostrou-se parte essencial da economia, com participação importante no PIB brasileiro. Nesse sentido, a administração rural, conjunto de atividades envolvidas no controle e gerenciamento de uma organização agrícola, é um conceito que merece destaque.

O gestor deve planejar e controlar todas as operações do negócio a partir de uma visão geral da propriedade, com o objetivo de aliar os resultados financeiros à produtividade da lavoura. 

No âmbito da agricultura 4.0, a tecnologia é uma grande aliada para estabelecer processos, prever consequências e lidar com questões adversas. Por isso, investir em soluções digitais é indispensável. Leia também:

  • O que é administração rural;
  • Panorama agrícola atual;
  • Tendências do setor;
  • Tecnologia como aliada.

O que é administração rural

A administração rural estuda os processos decisórios e ações em negócios agrícolas. A ciência pode ser definida como um conjunto de atividades que facilita a tomada de decisões de um gestor em relação a sua empresa.

Seu principal objetivo é permitir que os produtores alcancem os melhores resultados financeiros mantendo a produtividade em alta em suas terras.

Por isso, conhecer e entender as principais práticas é um passo importante para desenvolver a propriedade de forma sustentável, independentemente do seu porte. Ou seja, tanto produtores que praticam agricultura familiar quanto grandes empresas rurais podem aplicar a solução.

Planejamento, controle, decisão e monitoramento de resultados são alguns fatores centrais desse tipo de gestão. Sua meta é alcançar lucros e manter a produção em alta, sempre conjugada com a satisfação de colaboradores, clientes e demais stakeholders.

Entre as variáveis internas e externas que devem ser observadas, estão o clima da região, o mercado consumidor e as características dos produtos, como grau de perecibilidade. É importante considerar, ainda, a área disponível na propriedade, assim como disponibilidade e capacitação da mão de obra, além da tecnologia empregada nos processos.

Relação entre agronegócio e administração rural

O agronegócio é um setor que tem importância estratégica para o Brasil. Em 2021, alcançou participação de 27,4% no PIB brasileiro, a maior desde 2004, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Seu desempenho nas exportações também merece destaque. Pesquisas do Cepea, realizadas com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que, no primeiro quadrimestre de 2022, o volume exportado cresceu 5% em relação ao mesmo período de 2021, assim como os preços em dólar subiram 28%. 

De acordo com o órgão, o faturamento alcançou US$ 48 bilhões de janeiro a abril de 2022, o que representa um avanço de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Se o agronegócio pode ser considerado uma das principais indústrias do País, o gestor ocupa papel estratégico nesse cenário. Afinal, é o profissional responsável por toda a administração de processos dessa cadeia produtiva, sejam eles gerenciais, sociais ou econômicos. 

Empresas rurais, produtores de insumos agrícolas e organizações relacionadas à agricultura e maquinários são partes integrantes desse setor. Há, ainda, negócios voltados para comercialização dos produtos e os próprios consumidores dos itens.

Nesse contexto, a administração rural pede por profissionais que saibam buscar mão de obra capacitada, contem com conhecimentos associados a economia e finanças e, ainda, tenham aptidão para identificar novas tecnologias e aplicá-las ao processo produtivo.

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Panorama agrícola atual

O agronegócio não ocupa papel de destaque apenas no Brasil. Sua relevância também é enorme para a economia mundial. Sofrendo adaptações após a pandemia, o setor se vê em um cenário que pede, cada vez mais, investimentos em transformação digital e inovação no campo.

A indústria agrícola passou por transformações significativas nos últimos 50 anos. Os avanços tecnológicos em relação ao maquinário levaram à expansão da escala, além de aumentar a velocidade e a produtividade dos equipamentos, fazendo com que a terra seja cultivada com mais eficiência.

Melhorias no sistemas de irrigação e em fertilizantes também aprimoraram os negócios e o lucro no campo. No momento atual, a agricultura 4.0 conquista espaço em um contexto no qual conectividade e dados são palavras que não podem ficar de fora do dicionário da administração rural. 

A importância da conectividade

Inteligência artificial (IA), analytics, sensores conectados e outras tecnologias emergentes podem elevar os rendimentos, além de melhorar a eficiência do uso da água e de outros insumos. Apostar em soluções avançadas é, ainda, uma forma de construir sustentabilidade empresarial e resiliência no cultivo e pecuária.

Para atingir esses objetivos, no entanto, é essencial investir em uma infraestrutura sólida de conectividade. Se essa implementação for feita com sucesso na agricultura, será possível agregar US$ 500 bilhões em valor adicional ao PIB global até 2030, segundo a pesquisa da McKinsey & Company. Isso representa um incremento de 7% a 9% em relação ao total esperado e reduziria grande parte da pressão atual sobre os fazendeiros.

De acordo com estudo da McKinsey, o agronegócio é um dos sete setores que, impulsionados pelas tecnologias avançadas, terão a capacidade de contribuir com US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões em valor adicional para o PIB global na próxima década.

Agronegócio no Brasil

Por muitos anos, o agronegócio no Brasil foi visto como setor familiar e tradicional. Porém, nos últimos tempos, a área passou por um movimento de transformação, com foco em governança corporativa. Empresas até então familiares passam por processo de profissionalização, o que abriu espaço para o desenvolvimento dos empreendimentos em estruturas e práticas corporativas. 

Nesse contexto, a administração rural conquista espaço. Investir em profissionais qualificados e na implementação de conselhos de gestão, por exemplo, é um passo essencial. Com essa escolha, as companhias conseguem acesso às tecnologias necessárias para o crescimento e obtenção de linhas de crédito específicas.

Assim como aconteceu com diversos outros setores da economia, o agronegócio sofreu com os impactos da pandemia. No entanto, no primeiro quadrimestre de 2022, alcançou bons resultados em vendas externas. 

Exportações são destaque

De acordo com os pesquisadores do Cepea, os preços em alta no mercado internacional são fruto de episódios como a guerra na Ucrânia e novos surtos de covid-19 na China. Em relação às exportações no primeiro quadrimestre do ano, os do complexo soja seguem se destacando, segundo o órgão. Em seguida, estão carne bovina e de frango. 

O principal destino dos produtos nacionais continua sendo a China. O país recebeu 35% do que foi vendido pelo Brasil, entre janeiro a abril de 2022. Em seguida, estão a Europa e os Estados Unidos. No primeiro quadrimestre do ano, a participação do agronegócio no saldo comercial nacional foi destaque. O setor representou quase 48% das exportações totais.

Tendências do agronegócio

O agronegócio ocupa papel central na economia brasileira e, também, nas exportações do País. Nesse contexto, para manter a competitividade, é essencial que a administração rural foque nas principais tendências do setor.

De acordo com a Michael Page, soluções tecnológicas não podem ficar de fora do radar do setor, que passa por intensa transformação digital. Entre elas, estão Big Data e internet das coisas (IoT). Segundo a consultoria, o Brasil já tem mais de 1.100 startups atuando na área. As chamadas agrotechs propõem ideias inovadoras nas mais diversas etapas.

Especialistas acreditam que o setor adotará tecnologias que, posteriormente, serão implementadas em outras áreas, como veículos autônomos e robótica. Nesse sentido, a utilização de machine learning deve conquistar espaço.

Entre as tendências do agronegócio para 2022 que têm relação com a administração rural, está a mudança na forma de consumo. Segundo pesquisa da Veja Insights, de setembro de 2020, 89% dos entrevistados aumentarão ou manterão suas despesas atuais em alimentos frescos.

Além disso, 70% dos consumidores afirmaram que darão mais atenção aos impactos ambientais e sociais de seus gastos. Nesse sentido, o gestor deve ter especial cautela com aspectos como transparência e sustentabilidade. 

Alcançar maior produtividade também é palavra de ordem no setor. Para isso, ter como aliadas tecnologias de IoT e Big Data é essencial. Essas soluções apoiam, por exemplo, o monitoramento em tempo real por meio de sensores e análise de dados que, posteriormente, pode facilitar a tomada de decisões. 

Tecnologia como aliada da administração rural

O contexto atual pode ser desafiador para o agronegócio, apesar dos bons resultados no início de 2022. Além da pressão ambiental crescente, com desafios como mudanças climáticas, também há a cobrança da sociedade por práticas agrícolas éticas e sustentáveis. Nestas, são observados pontos como bem-estar animal e redução do uso de produtos químicos, além da economia de água. 

Nesse cenário, o investimento em inovações tecnológicas é de importância estratégica para a administração rural. Deve-se apostar na transformação digital, o que só é possível com conectividade.

Os drones podem ser usados, por exemplo, na pulverização, com aplicação precisa de insumos na lavoura. A tecnologia tem espaço até para fazer o monitoramento da propriedade. É possível observar, em tempo real, áreas confinadas e espaços críticos com rapidez e segurança.

Atualmente, soluções de IoT podem ser executadas sem dificuldades em redes 4G. São suficientes para utilizações mais simples, como supervisão de plantações e de gado.

No entanto, a chegada da tecnologia 5G, com mais velocidade e menor tempo de resposta, promete levar o agronegócio a outro patamar. A expansão de redes de IoT e a viabilização de operações autônomas estão entre as práticas que se tornarão realidade com o aprimoramento da conectividade.

Facilidade na tomada de decisões 

A tecnologia também é aliada na tomada de decisões e na administração rural segura. Blockchain, por exemplo, pode ser utilizado na descentralização da informação, o que garante a segurança dos dados armazenados. O uso da cloud oferece mais flexibilidade para o gestor, que escolhe trabalhar de onde estiver e quando quiser.

Outro fator essencial são as ferramentas de colaboração. Elas possibilitam comunicação fácil e rápida com os funcionários, independentemente de estarem na propriedade ou não. 

Por fim, é importante lembrar que a Vivo Empresas é uma das principais aliadas para enfrentar os desafios do agronegócio, trazendo soluções que proporcionam mais eficiência e economia. 

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