Tecnologia apoia empreendedorismo LGBTQIA+: entenda a relação entre diversidade e inovação

Foto do autor

Muito mais que uma ferramenta, a tecnologia é, ainda, um importante vetor de transformações sociais. E assim como outros movimentos que também se beneficiaram da digitalização, o empreendedorismo LGBTQIA+ tem nesse fenômeno um forte aliado.

Para exemplificar, é possível lembrar que a democratização da rede está diretamente ligada ao aumento da participação de pessoas sexualmente diversas na sociedade. Na maioria dos casos, é a web quem mais permite que esses grupos se expressem, organizem-se e colaborem efetivamente. 

Da mesma forma, toda essa mudança também reflete mais oportunidades de negócios.

Isto porque não só favorece a quem quer conquistar esse público crescente com produtos e serviços personalizados, mas também porque ajuda quem faz parte dele e quer empreender.

É nesse aspecto que a diversidade pode ser, inclusive, um diferencial competitivo. Tanto que, segundo alguns especialistas, times mais inclusivos e que apostam em colaboradores com históricos variados também têm mais capacidade de inovar.

Ou seja, não só a tecnologia contribui com o acesso de minorias a mais espaços, como a presença desses grupos no mercado, por sua vez, fomenta a inventividade nas empresas.

Assim, em razão da relevância desse tema, este artigo irá detalhar um pouco mais a relação entre diversidade e inovação, bem como o próprio empreendedorismo LGBTQIA+. Afinal, como a tecnologia apoia esse fenômeno crescente? Siga na leitura e descubra também:

  • Por que diversidade e inclusão são diferencial competitivo nos dias de hoje
  • Tecnologia a favor da diversidade e inclusão
  • Quatro negócios inovadores do empreendedorismo LGBTQIA+

Diversidade e inclusão são diferencial competitivo nos dias atuais

empreendedorismo LGBTQIA+
Para além de meras relações públicas, diversidade e inclusão são temas que impactam a sustentabilidade dos negócios

Até o momento, você já pôde perceber o quanto o conceito de diversidade e inclusão é importante para o desempenho das empresas. Mas como isso é, de fato, visto na gestão de negócios? Hoje, quando pensamos no desenvolvimento sustentável das organizações, consideramos dois aspectos:

  • As métricas contábeis;
  • Os indicadores não financeiros

Os indicadores não financeiros são o que fundamenta o conceito de ESG (Environmental, Social and Corporative Governance). 

Basicamente, essa sigla diz respeito a três pilares da gestão sustentável de empresas, sendo o Ambiente, o Social e a Governança Corporativa (ASG). Essas métricas são importantes em qualquer negócio, não somente no empreendedorismo LGBTQIA+

Inclusive, é justamente essa necessidade que estimula o surgimento e fortalecimento de mais negócios com propósito e gestão pensados para, com e por, pessoas desses grupos.

Noutras palavras, a diversidade e inclusão de pessoas LGBTQIA+ está diretamente relacionada ao ESG. E nesse cenário em especial, o pilar Social é o mais impactado, uma vez que envolve diretamente a forma com que sua marca se posiciona sobre a pauta.

Neste ponto, também se torna importante falar de outra frente do ESG, a Governança Corporativa. Basicamente, esse outro conceito irá se referir à clareza com que os propósitos da organização estão dispostos em suas ações.

Ou seja, pressupõe-se que, a partir de uma boa governança, os tomadores de decisão podem ter escolhas mais coerentes (além de positivas) em relação ao ESG e aos valores da companhia como um todo. 

A Governança trata diretamente de um aspecto muito importante: as pessoas

Mais do que isso, ESG também diz respeito a como sua empresa se relaciona com elas, independentemente de serem clientes, investidores, fornecedores ou toda a comunidade externa. 

Mais poder para a inovação

A tecnologia é um dos principais vetores quando falamos de inovação. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, esse conceito não se resume à transformação digital

Quando a sua empresa contrata mais talentos de diversos grupos socioculturais, por exemplo, também está potencializando sua capacidade de inovar.

Isso acontece em decorrência de um fenômeno chamado “bolha social”. 

Basicamente, cada um de nós traz as nossas experiências para todos os campos de relacionamento, inclusive no trabalho. 

Assim, de uma forma geral, o empreendedorismo LGBTQIA+ vem para romper essa “miopia social”. 

Se uma empresa só contrata pessoas cis gênero, por exemplo, isto é, aquelas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo biológico designado ao nascer, como suas ações, serviços e produtos conseguirão atender plenamente às expectativas de um cliente ou investidor LGBTQIA+? 

Assim, é preciso investir no recrutamento e no desenvolvimento de talentos que representem grupos sociais variados. 

Afinal, trata-se de muito mais do que um simples benefício à imagem da empresa. É uma estratégia que visa promover e reforçar a relação entre a marca e o consumidor que, por sua vez, está cada vez mais diverso.

Pensando no cenário da inovação, o fortalecimento da inclusão no seu negócio contribui para a aplicação inteligente da transformação digital.

Mais do que ter recursos de tecnologia é essencial saber como implementá-los na sua empresa de acordo com o seu público. Isso é necessário para consolidar uma experiência positiva para todos os seus clientes.

Melhora a eficiência financeira

Lembra que comentamos que o desempenho sustentável impulsiona positivamente as finanças do negócio? Quando uma empresa estimula a diversidade e inclusão, acaba atuando também em diversas outras frentes importantes, como a sustentabilidade. 

Nesse sentido, podemos citar o impacto nos custos e na receita da organização.

Exemplos práticos disso são a qualidade do clima organizacional e do atendimento aos clientes. Assim, o direcionamento inteligente dos recursos tecnológicos potencializam a produtividade dos processos. Logo, há uma otimização da eficiência e do desperdício. 

Atrai investidores para o negócio

Hoje, vemos que os nascidos nas eras correspondentes a Y e Z, isto é, entre início da década de 1980 e 2010, são mais leais aos seus valores e ideais.

Nesse sentido, você deve esperar esse mesmo comportamento do mercado, principalmente dos investidores. Afinal, essas gerações são os novos stakeholders da sua organização.

Assim, todos os pilares em torno da sustentabilidade ganham destaque. Para se ter uma ideia, durante a pandemia da Covid-19, as companhias consideradas ESG foram as que apresentaram melhor resposta da Governança Corporativa em uma gestão de crise.


LEIA MAIS: IoT em escritórios: tecnologia otimiza e dá segurança ao dia a dia de trabalho


Quando o assunto é valor de ações na Bolsa, o que testemunhamos foram essas empresas tendo menor desvalorização e uma recuperação mais ágil de suas finanças.

De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), em 2020, os Fundos de Investimentos com foco em ativos ESG contabilizaram mais de meio bilhão de reais.

Nesse sentido, podemos esperar que o setor empresarial amplie mais o espaço para ações de diversidade e inclusão para o desenvolvimento sustentável. Logo, o empreendedorismo LGBTQIA+ também vai ganhar mais destaque e relevância nos próximos anos.

Webinar | Computação em nuvem ajuda na área financeira_V1

Tecnologia a favor da diversidade e inclusão

Você sabia que as empresas que são percebidas pelos seus funcionários como diversas quando falamos de orientação social têm mais probabilidade de superarem financeiramente os seus concorrentes? 

De acordo com a consultoria McKinsey, em um estudo de julho de 2020, essas organizações têm um potencial 25% maior de superarem seus pares.

O empreendedorismo LGBTQIA+ pode ser um agente transformador para o seu negócio, ou pode ser o seu próprio, se assim quiser. Assim, para a diversidade e a inclusão, é essencial investir no uso da tecnologia. Hoje, a inteligência artificial pode ser usada para conectar o seu empreendimento a todos os públicos.

As startups que atuam nessa frente estão se fortalecendo mais no mercado e ganhando destaque. A norte-americana Sonder, por exemplo, é concorrente do Airbnb e oferece um aplicativo de viagens voltado para o público gay. Nesse caso, o produto foi desenvolvido especificamente para um dos grupos LGBTQIA+. 

No entanto, sabemos que essa não é a realidade da maioria das empresas. Muitas estão no movimento de democratização dos seus produtos e serviços. É aí onde a tecnologia também pode ser usada dentro das organizações para potencializar o debate ser mais inclusivo. 

Processo seletivos

No dia a dia da organização, gestores podem usar a tecnologia para otimizar a agilidade e precisão dos processos seletivos. 

Inclusive, há negócios geridos por pessoas LGBTQIA+ que atuam exatamente com a promoção da diversidade e da inclusão noutras empresas, tudo isso por meio da inovação tecnológica.

Da mesma forma, vale lembrar que a pandemia da Covid-19 acelerou a evolução tecnológica do mercado global. Consequentemente, as empresas que responderam bem à crise estão não só mantendo – mas também expandindo – suas atividades.

Por sua vez, graças à digitalização dos negócios, hoje é possível contratar profissionais de qualquer lugar.

No entanto, é importante destacar, ainda que, mais do que investir em uma tecnologia para a gestão de pessoas, simplesmente, a empresa que busca tornar seus processos de recrutamento mais inclusivos deve:

  • Revisitar o seu quadro de valores
  • Capacitar seus analistas de seleção
  • Adotar um canal de denúncia

Além disso, o pilar cultural pautado na diversidade deve ser enfatizado pela organização em todos os seus canais de comunicação e treinamentos. 

Somente assim é possível combater os vieses inconscientes e promover a contratação de pessoas LGBTQIA+ de forma justa, sem distorções.

Desenvolvimento de talentos

Os softwares de gestão de talentos também devem ser usados para fortalecer a diversidade e a inclusão no negócio. Assim, para que a sua aplicação aconteça de maneira inteligente é preciso que a sua empresa tenha indicadores sobre o seu Headcount. Isso significa que é necessário segmentar, trazendo dados como:

  • Quantidade de profissionais LGBTQIA+ na empresa
  • Distribuição desses talentos por proporção nos cargos
  • Intervalo de tempo médio para uma promoção
  • Distribuição em cargos estratégicos
  • Dados referentes a denúncias de ataques no ambiente da empresa
  • Taxa de satisfação desses talentos na organização

Esses dados são conhecidos como People Analytics (Análise de Pessoas) e devem ser o ponto de partida para realizar o diagnóstico da sua gestão de pessoas. Para tanto, a tecnologia de Business Intelligence (Inteligência do Negócio) permite mensurar essas métricas realizando análises de maneira rápida e precisa.

Então, é a partir desses dados, e do acompanhamento do mercado, deve se criar um plano de ação para o desenvolvimento dos talentos LGBTQIA+.


LEIA MAIS: Startups de sucesso: conheça exemplos de resiliência nos negócios durante a pandemia


Direitos das pessoas LGBTQIA+

empreendedorismo LGBTQIA+
Em 2019, o Supremo Tribunal Federal criminalizou a homofobia e a transfobia

Quando o assunto é os direitos das pessoas LGBTQIA+ ainda há muitos avanços pela frente. As conquistas dos últimos anos são o resultado da luta contínua de quem mora no país que mais os mata no mundo. Somente em 2020, mais de 200 pessoas morreram vítimas de homotransfobia no Brasil.

Muitas pessoas, inclusive gestores de negócios, não sabem, mas a nossa legislação tem leis específicas para amparar a diversidade e a inclusão na sociedade.

Por exemplo, no Código de Defesa do Consumidor está expresso que é vedada a recusa de atendimento por preconceito. Além disso, a Lei Brasileira também determina que situações de preconceito serão punidas.

Um ponto importante, que pode parecer simples, mas é muito sensível é o uso do nome social. É direito de transexuais e travestis serem chamades pelo seu nome de preferência, de acordo com o Decreto 8. 727 de 2016.

Nesse sentido, em todas as interfaces das organizações é necessário proporcionar a essas pessoas recursos para que sinalizem o desejo do nome social.

Empreendedorismo LGBTQIA+ em destaque

O empreendedorismo LGBTQIA+ tem muitos desafios a serem rompidos. No entanto, há porta-vozes que são referência nessa luta, além de responsáveis pela transformação que tem sido vista no mercado. 

Você conhece algum desses nomes a seguir? Pode ser que já tenha até se deparado com algum deles e sequer tenha se dado conta da representatividade que carregam. 

Transcendemos Consultoria

A Transcendemos Consultoria trabalha com gestão de pessoas com foco em inclusão. A empresa foi fundada em 2017, por Gabriela Augusto: mulher trans e lésbica. 

Eleita uma das Top Voices do LinkedIn em 2020, Gabriela também atua em prol de pessoas com deficiência, negras e mulheres. 

Em suma, sua consultoria atua de forma diagnóstica, preventiva e reativa, oferecendo suporte e direcionamento para outras organizações que também queiram fomentar a diversidade, sobretudo em seus quadros de funcionários.

Camaleao.co

A Camaleao.co é uma startup criada por Maira Reis, outra empreendedora jovem e engajada. A empresa oferece uma plataforma digital para conectar profissionais LGBTQIA+ a negócios que valorizam a diversidade e a inclusão. 

Jornalista, ela também foi eleita uma Top Voice do LinkedIn em 2019, e continua sendo uma das principais referências no mercado.

IT Consulting

Fundada por Isa Colucci, a IT Consulting é uma empresa que atua com consultoria de TI. O foco da consultoria é oferecer um atendimento personalizado e humanizado para seus clientes. Assim, eles conseguem implementar a transformação digital conciliando tecnologia e inclusão. A inovação gera resultados.

TransEmpregos

Mais antigo projeto de empregabilidade de pessoas trans, o TransEmpregos também oferece uma plataforma para conectar talentos a empresas. Dentre o quadro de fundadoras, a cartunista trans Laerte é destaque. A sua transição foi “tardia”, tornando- se inspiração para outras pessoas trans.


LEIA MAIS: Omnicanalidade: a estratégia para um relacionamento com o cliente mais versátil e dinâmico


Conclusão

Você deve ter notado que todos esses cases de sucesso do empreendedorismo LGBTQIA+ têm a tecnologia em comum. Isto porque, em suma, o que as ferramentas tecnológicas fazem é permitir que os negócios superem obstáculos.

Assim, ao diminuir custos, democratizar espaços e ampliar possibilidades para produtos e serviços, as soluções digitais também beneficiam as pessoas, inclusive aquelas que sempre acharam distante a ideia de ter o próprio negócio.

Por outro lado, é importante relembrar que, num mundo digitalizado, qualquer empreendimento também depende de alguns fatores para ser sustentável, incluindo um bom plano de ação e uma infraestrutura tecnológica robusta. 

E a Vivo Empresas sabe dessas necessidades, tanto que trabalha constantemente para ampliar e otimizar seu portfólio.

Além de opções completas em IoT, Aluguel de Equipamentos de TI e Segurança Digital, também é possível encontrar diversas inovações em Cloud Computing, que agrega escalabilidade às operações, e Conectividade, que, por sua vez, viabiliza a implementação de todas as demais tendências tecnológicas do momento. 

Gostou? Então descubra mais sobre como a tecnologia fomenta o empreendedorismo em diferentes setores com os artigos a seguir:

Até a próxima!

Foto do autor
Solicite um contato