Entenda o papel da tecnologia na luta pela igualdade de gênero no mundo

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Apesar de existir um consenso de que as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens, em muitos locais as desigualdades de gênero persistem. Em 86 países, por exemplo, mulheres enfrentam alguma restrição de trabalho e 95 não garantem uma remuneração igual a do  sexo masculino para a execução da mesma função.

Globalmente, segundo o relatório do Banco Mundial,  as mulheres ainda têm apenas 3/4 dos direitos legais concedidos aos homens. Está é uma pontuação total de apenas  76,5 em 100. Nesse cenário incongruente, a tecnologia ocupa papel central na luta pela igualdade de gênero

Nos últimos anos, a atenção feminina se voltou para as tecnologias digitais e plataformas de mídia social. O objetivo é dialogar, criar redes de apoio e organizar-se contra o sexismo contemporâneo, a misoginia e a cultura do estupro. 

Nesse sentido, a conectividade é essencial nos diversos âmbitos do dia a dia de uma mulher. Inclusive, serve para a sua proteção pessoal. Um exemplo disso é o uso de recursos que permitem compartilhar a sua localização e acionar ajuda em situações potencialmente perigosas. 

Já ferramentas de Inteligência Artificial (IA) podem ser usadas para conduzir um recrutamento mais sensível para as vagas de trabalho, além de serem armas de combate ao assédio. Quando assistentes virtuais como a Bia (do Bradesco) e a Lu (do Magazine Luiza) são treinadas para responder a perguntas ofensivas, estão também ajudando a combater o machismo na sociedade. Veja também:

  • Dados sobre igualdade de gênero
  • A importância de lutar por direitos iguais
  • Ativismo digital como ferramenta de empoderamento
  • Papel da tecnologia na luta pela igualdade de gênero
  • Como aumentar o poder digital das mulheres

Panorama da igualdade de gênero no mundo

Mulheres ainda sofrem com barreiras no mercado de trabalho, na educação e até no exercício da cidadania

Cerca de 2,4 bilhões de mulheres em idade ativa não têm oportunidades econômicas iguais às dos homens. Além disso, 178 países mantêm barreiras legais que impedem a plena participação econômica feminina, segundo o relatório Women, Business and the Law 2022 do Banco Mundial. 

De acordo com o Global Gender Gap Report 2021, do Fórum Econômico Mundial, publicado em 30 de março de 2021, outra geração de mulheres terá que esperar pela paridade de gênero. O tempo que levará para a disparidade diminuir cresceu 36 anos no espaço de apenas 12 meses.

Segundo estimativa do relatório, levará uma média de 135,6 anos para que mulheres e homens atinjam a paridade em uma série de fatores em todo o mundo. No documento de 2020, esse tempo era de 99,5 anos. O período de 36 anos marca o maior aumento em um ano desde o início do Global Gender Gap Report, em 2006.

Menos mulheres na Revolução Digital

O cenário da atuação feminina no contexto da Revolução Digital também não é favorável. Segundo o relatório da UNESCO, To be smart, the digital revolution will need to be inclusive, de 2021, as mulheres são minoria nos campos da Indústria 4.0. Em 2018, entre 3 pesquisadores só uma era mulher (33%).

Além disso, apenas 22% dos profissionais que trabalham na área de IA são mulheres. O relatório também aponta que o sexo feminino continua sendo minoria em cargos técnicos e de liderança em empresas de tecnologia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a principal razão dada por elas para deixarem o emprego no mundo da TI é a sensação de desvalorização do seu trabalho.

Segundo a UNESCO, menos de um em cada quatro pesquisadores do mundo corporativo é mulher. Além disso, quando uma empreendedora abre o próprio negócio ainda tem que lutar muito para ter acesso a financiamentos. Em 2019, apenas 2% do capital de risco foi direcionado para startups fundadas por mulheres.


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A importância de lutar pela igualdade de gênero

Segundo definição das Nações Unidas, a igualdade de gênero refere-se a oferecer os mesmos direitos, responsabilidades e oportunidades para mulheres e homens, meninos e meninas. A igualdade de gênero, além disso, implica que os interesses, necessidades e prioridades de mulheres e homens sejam considerados, reconhecendo também a diversidade entre esses grupos. 

Portando, a igualdade de gênero não é só uma questão feminina. É tanto uma questão de direitos humanos como um indicador de um desenvolvimento sustentável centrado nas pessoas. Os benefícios universais da igualdade de gênero foram bem documentados. 

Um exemplo é The Beijing Declaration and Platform for Action, declaração adotada por 189 países em 1995. E, segundo a Fundação Nacional das Nações Unidas, ainda o mais forte consenso global na promoção e proteção da igualdade e da justiça de meninas e mulheres. 

O documento reconhece que as persistentes desigualdades de gênero apresentam consequências sérias para o bem-estar da sociedade. Entre os principais benefícios de lutar pelo fim da desigualdade de gênero estão:

  • Evitar a violência contra mulheres e meninas
  • Melhorar a segurança e o bem-estar das comunidades
  • Alcançar melhores resultados econômicos
  • Defender algo que é um direito humano

Ativismo digital como ferramenta de empoderamento feminino

O surgimento de campanhas feministas como #MeToo, #BeenRapedNeverReported e Everyday Sexism são parte de uma tendência crescente de resistências digitais e desafios ao sexismo e outras formas de opressão. 

O estudo Diversifying Strategies for Feminist Digital Activism in the Global South, de janeiro de 2022, mostra, por exemplo, que esse ativismo digital ajudou na expansão do espaço para conscientização, networking e mobilização. Tudo isso a partir do uso de uma nova geração de ferramentas, táticas e estratégias para dissolver a discriminação arraigada na sociedade. 

Blogs, vlogs, Tumblr, YouTube, sites de jornalismo cidadão e redes sociais, como Twitter, Facebook, Instagram e TikTok estão entre as principais ferramentas usadas pelos movimentos feministas, que também investem em campanhas digitais. O estudo aponta, ainda, que o ativismo pelo celular cresce à medida que uma gama de aplicativos, como o WhatsApp, se torna acessível a um número crescente de pessoas.

O chamado feminismo online é, por definição, o aproveitamento do poder da mídia digital para discutir, reforçar e ativar a igualdade de gênero e justiça social. Apesar da importância do canal digital para a disseminação do feminismo e desafio à censura, como reforça o artigo Digital activism: empowering women, creating change and demanding human rights, é importante entender, entretanto, os perigos da Internet para o movimento.

Afinal, segundo o artigo,  embora o ativismo digital tenha empoderado mulheres em todo o mundo e criado mudanças positivas, também forneceu um veículo para o voyeurismo global. Nesse sentido, não foi só o ativismo digital que cresceu como, também, o ódio cibernético, com haters e bullying, que atacam mulheres, muitas vezes, protegidos pelo anonimato.

Perigos do ativismo online

Há casos, por exemplo, de mulheres que denunciaram abusos e foram processadas. E existem tantas outras que foram e são assediadas virtualmente. 

Se, por um lado, grupos feministas enfrentam níveis sem precedentes de assédio online, ataques cibernéticos e vigilância digital, por outro, há poucos recursos destinados a movimentos com liderança local, centrados em mulheres, meninas e pessoas historicamente marginalizadas que criam e usam tecnologia.

Nesse sentido, há, pelo menos, alguma mobilização para fortalecer ações criadas para equilibrar essa balança, como o Generation Equality Forum. A coalizão tem como objetivo mobilizar parcerias e recursos para atingir alguns objetivos até 2026:

  • Reduzir pela metade a divisão digital de gênero entre gerações, acelerando o acesso significativo a tecnologias digitais e alfabetização digital universal
  • Aumentar os investimentos em tecnologia e inovação feministas em 50% para apoiar a liderança feminina e responder melhor às necessidades mais urgentes de mulheres e meninas
  • Dobrar a proporção de mulheres trabalhando em tecnologia e inovação, estabelecendo novas redes e referências para transformar os ecossistemas da área

Papel da tecnologia na luta pela igualdade de gênero

Além de mitigar desigualdades, tecnologia cria oportunidades inéditas para a liderança feminina

A tecnologia é parte essencial na luta pela igualdade de gênero, principalmente, no contexto atual. Sistemas de pagamento digital e identificação podem apoiar as mulheres ao aumentar a privacidade. Inovações como Big Data podem ajudar na coleta de dados, que, analisados, podem ajudar em discussões e políticas de igualdade de gênero.

Nesse sentido, organizações como Data2X têm como missão melhorar a disponibilidade, qualidade e uso de dados de gênero para fazer diferença na vida de mulheres e meninas em todo o mundo.

A conectividade proporcionada pelos celulares também ajuda a dar voz para mulheres. Muitas permanecem confinadas ao lar ou vivendo em países que não reconhecem a igualdade de direitos. 

Mesmo em sociedades em que existe mais liberdade feminina, a internet móvel conjugada a aplicativos, como de mensagens, ajuda a oferecer segurança. É possível, por exemplo, compartilhar a localização durante um deslocamento ou pedir ajuda a uma rede de apoio caso alguma agressão aconteça.

IA contra o assédio

A Inteligência Artificial é outra tecnologia que, se bem utilizada, pode fazer a diferença na luta pela igualdade de gênero. Decodificadores de gênero com IA podem ajudar recrutadores a usar uma linguagem sensível para escrever anúncios de emprego mais inclusivos e, dessa forma, aumentar a diversidade de sua força de trabalho, como mostra relatório da UNESCO, de 2020.

Outro exemplo de como a Inteligência Artificial pode ajudar ativamente no combate ao machismo e misoginia online é no treinamento dos robôs para responder ao assédio feito por homens

Uma das recomendações feitas no estudo da UNESCO I’d Blush If I Could, que detalha, entre outros aspectos, o assédio moral e sexual sofrido por vozes virtuais é programar assistentes digitais para desencorajar insultos baseados em gênero e outras linguagens abusivas

Além disso, o documento recomenda que vozes de máquina não devem convidar ou se envolver em linguagem sexista. Quando os usuários solicitarem favores sexuais, por exemplo, a IA deve responder  “Não” ou “Isso não é apropriado”.

Como aumentar o poder digital das mulheres

O relatório da UNESCO busca, ainda, apresentar ideias para preencher a lacuna de gênero em habilidades digitais que é, na maior parte do mundo, ampla e crescente. Segundo o documento, mulheres e meninas são 25% menos propensas do que os homens a saberem como usar tecnologia digital para fins básicos.

Outros dados relevantes: mulheres também são 4 vezes menos predispostas a saber programar computadores e 13 vezes menos afeitas a solicitar uma patente de tecnologia. 

Nesse contexto, é preciso ter atenção ao implementar soluções digitais para garantir que elas não levem a mais desigualdade. Daí a importância de iniciativas como Women on Data, que se intitula a comunidade número 1 para mulheres que atuam em Tecnologia e IA.

Com programas contínuos de orientação, residência e grupo de estudo, o grupo tem entre seus objetivos apoiar as mulheres no crescimento profissional ao longo de sua jornada de carreira.


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Conclusão

A tecnologia ocupa um papel central na luta pela igualdade de gênero. Apesar de soluções tecnológicas reduzirem barreiras e serem canais importantes para o sexo feminino se posicionar, ainda há um longo caminho. 

Afinal, mesmo com o progresso já alcançado, as mulheres ainda precisam de mais treinamento e acesso à tecnologia, para alcançar o empoderamento digital. Por sua vez, tal fato também exige, das lideranças e gerências, uma melhor compreensão do papel facilitador dos recursos tecnológicos.  

Em outras palavras, não basta apenas investir em inovação – é preciso fazê-lo com propósito e método bem definidos. Dessa forma, além de garantir que o resultado atenda às necessidades do negócio, é possível impactar positivamente os envolvidos, algo que deve ser prioridade de uma gestão humanizada e eficiente.

A Vivo Empresas apoia esta causa e, para colaborar neste desafio, vem apoiando diversas organizações lideradas por  mulheres a acelerarem suas jornadas de digitalização. 

Através dessa parceria tecnológica, é possível proporcionar uma maior colaboração e mais segurança, tornando a tecnologia mais acessível. 

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