Mães empreendedoras: quando a rede de apoio faz a diferença

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De modo geral, mães empreendedoras — também conhecidas fora do Brasil como “Mompreneurs” — são mulheres que passaram a conduzir um negócio próprio e que o conciliam com a maternidade.. 

Essa categoria é composta por perfis variados. Algumas decidiram criar empresas para obter uma alternativa de renda, outras profissionais buscam uma fonte de renda extra. E existem aquelas que já mantinham negócios antes de se tornarem mães. 

Grande parte desse grupo de mulheres deixou suas posições formais em uma companhia para criar um estabelecimento próprio.

É certo que nesse caminho os desafios são muitos. Dentre eles, dificuldade para se ter acesso a crédito, menos oportunidades de fazer networking e o fato de terem um capital social menor. Veja também:

  • O cenário para mães empreendedoras
  • Desafios do empreendedorismo materno
  • A importância de redes de apoio
  • Como empresas podem apoiar 
  • A tecnologia como aliada da mãe empreendedora

Mães empreendedoras: desafios da dupla jornada

Mãe trabalhando com filho no colo

A segunda edição do estudo Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgado em abril de 2021, mostra um cenário desafiador. O nível de ocupação das mulheres entre 25 e 49 anos, com filhos de até 3 anos, é de 54,6%, porcentagem inferior aos 67,2% daquelas que não têm.

No caso dos homens, a situação não é a mesma. Aqueles que vivem com crianças de até 3 anos têm nível de ocupação de 89,2%. A porcentagem supera os 83,4% dos que não possuem filhos nessa faixa etária. 

O estudo, que se refere à condição de vida das brasileiras em 2019, apontou o impacto do cuidado com a casa na vida das mulheres. Enquanto os homens dedicaram, em média, 11 horas semanais aos afazeres domésticos, elas gastaram quase o dobro do tempo: 21,4 horas.

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Pandemia e o impacto no trabalho feminino

Conciliar o trabalho com os cuidados com os filhos sempre foi um desafio para mulheres, sejam elas empreendedoras ou não. No entanto, a pandemia tornou esse contexto ainda mais desafiador. A crise sanitária deflagrada pela covid-19 tirou sete milhões delas do mercado de trabalho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

De acordo com um levantamento da ONU Mulheres, a participação de mães com crianças de até 10 anos no mercado caiu de 58,3%, no segundo trimestre de 2019, para 50,6%, no mesmo período de 2020.

O relatório Os Desafios das Mães Empreendedoras na Pandemia, produzido pela ONU Mulheres, em 2021, revela que o empreendedorismo conquistou um espaço central como fonte de renda para 75% delas. O estudo mostra, ainda, que 27% tornaram-se empresárias na pandemia.

Sobrecarga é uma das principais queixas

Segundo o texto, a sobrecarga causada pelo acúmulo de atividades foi a principal queixa das empreendedoras. A porcentagem supera, por exemplo, as dificuldades econômicas pessoais, bem como as do país. Os dados mostram que 63% das entrevistadas relataram que o aumento da carga de trabalho foi a principal barreira para poderem se dedicar aos negócios.

Dentre as atividades que aumentaram após a crise sanitária, estão a atenção com os filhos (92%) e a rotina de cuidado com a casa (85%). Também aparecem tarefas escolares (74%) e do negócio (59%). Já o tempo reservado para autocuidados diminuiu, segundo 64% das entrevistadas. Segundo informação divulgada no site G1, no Brasil, 48,7% das famílias já são chefiadas por mulheres.



O que quer uma mãe empreendedora?

O relatório da ONU Mulheres mostra que apenas 29% das participantes da pesquisa acreditam ter a preparação necessária para continuar empreendendo. O estudo mostra, ainda, que só 12% julgam ter equilíbrio nas vidas pessoal e profissional.

Para as entrevistadas, alguns recursos para fortalecer o negócio ajudariam. Os principais, apontados por 98% das entrevistadas, são mais tempo para trabalhar, poder estudar ou fazer cursos. Já 95% gostariam de mais recursos para investir, enquanto 94% desejariam receber ajuda ou orientação na gestão.

Em resumo, dentre as principais reivindicações das consultadas no relatório, a ONU Mulheres destaca: 

  • valorização do trabalho;
  • acesso ao conhecimento e a melhorias na relação com o dinheiro;
  • saber o caminho para o crédito e ter acesso a ele;
  • formalização do negócio;
  • formação e capacitação;
  • apoio para a digitalização.

A importância da rede de suporte

O percurso não é fácil para uma mãe empreendedora. Ainda, segundo a ONU Mulheres, 95% delas se sentem sobrecarregadas pelo acúmulo de trabalho e responsabilidades, enquanto 94% consideram que as múltiplas jornadas são um desafio pesado.

Nesse sentido, algumas iniciativas fazem a diferença. Dentre elas, as que atuam no financiamento de empresas capitaneadas por mulheres. E, também, programas que ajudam na formação, digitalização e aceleração de negócios comandados por mães.

Para que uma delas tenha acesso à formação necessária para o crescimento do seu negócio, ter uma rede de apoio que ajude a reduzir a sobrecarga é essencial. 

Nesse sentido, uma plataforma de apoio no desafio de empreender é a B2Mamy. Criada em 2017 pela empresária Dani Junco, a organização se define como a primeira empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia. Um dos braços importantes da empresa é a mentoria. A área permite acesso a especialistas de diferentes segmentos, que podem apoiar na expansão das possibilidades de negócio.

Desde 2016, foram mais de 10 mil mulheres na comunidade B2Mamy fazendo novas conexões. Além disso, houve mais de 30 mil capacitadas nos programas de educação da empresa e R$ 6 milhões movimentados dentro da rede.

Networking e contato direto com as empresas

Outra empresa que trabalha com esse público é a Maternativa. Sua atuação é focada em cinco pilares: networking, formação, visibilidade, consultoria para empresas e causas. A companhia define-se como uma startup de impacto social, que pensa e transforma a relação das mães com o trabalho. 

Até então, foram 24 mil mulheres impactadas, 50 encontros realizados, 12 mil posts na rede e 50 horas de conteúdo em vídeo. No site da Maternativa, é possível comprar, vender os produtos ou serviços, aprender mais e, até mesmo, oferecer apoio, no caso de organizações

Como empresas podem apoiar mães empreendedoras

Mãe em home office com o filho

Em um cenário tão desafiador, é de grande importância que a sociedade e as empresas valorizem os negócios desse grupo. Além disso, apoiá-las é uma iniciativa que contribui também para o crescimento econômico, acredita a ONU Mulheres.

A busca por conhecimento e capacitação está no topo da lista de prioridades de uma mãe que empreende ou deseja fazê-lo. Por isso, há, aí, uma oportunidade de empresas suportarem esse público. Outra maneira é adquirir produtos e serviços desse grupo.

Segundo a ONU Mulheres, organizações podem apoiá-las em três frentes principais.

  • Incentivando a formação, a capacitação e o treinamento. Isso pode ser feito de maneira direta ou por meio do apoio a iniciativas com esses fins.
  • Efetuando compras afirmativas e participando de rodadas de negócio, empoderando-as e fortalecendo a economia.
  • Estimulando marcas a atuarem no apoio a esse público, promovendo seus produtos e serviços, aproveitando o alcance do seu negócio. 

Uma das entrevistadas no estudo Os Desafios das Mães Empreendedoras na Pandemia é uma mulher de 30 anos. Com filhos de 4 a 6 anos, ela criou seu negócio após perder o emprego. “Mães não são valorizadas no ambiente de trabalho e, por isso, temos sido levadas a empreender, mesmo não querendo e não estando preparadas. O resultado é uma sobrecarga física e mental, uma vez que precisamos nos reinventar, estudar e cuidar da casa e filhos, abandonando, muitas vezes, uma carreira. É triste”.

Para evitar essa evasão de boas profissionais do mercado tradicional e permitir oportunidades que não sejam somente o empreendedorismo, as empresas precisam ser mais flexíveis. Ou seja, outra forma de apoiar as mães seria adotar um modelo híbrido. Isso ajuda a atrair e reter talentos. 

Segundo o jornal Valor Econômico,  uma pesquisa feita em janeiro de 2022 pela Filhos no Currículo, com o Movimento Mulher 360 (MM360) e a Talenses,  indicou que jornada flexível é a política mais valorizada atualmente (85%). Essa está à frente até mesmo da licença maternidade estendida e do auxílio-creche (ambos com 76%).

A tecnologia como aliada da mãe empreendedora

Além de ser importante que as empresas e a sociedade como um todo façam parte da rede de apoio às mães empreendedoras, a tecnologia também ocupa papel importante nessa jornada

A quinta edição do relatório da Salesforce — empresa de softwares que foca na solução de gerenciamento de relacionamento — mostrou que uma das tendências para o segmento é abraçar o mundo digital-first. O estudo, voltado para pequenos e médios negócios, revela que mais da metade das PMEs em crescimento acelerou os investimentos em tecnologia de vendas e atendimento ao cliente no ano passado.

O relatório da ONU Mulheres aponta que mães empreendedoras precisam ser preparadas para vender e comercializar seus produtos nos ambientes virtuais. A digitalização é um ponto importante, pois e-commerces, marketplaces e gestão de mídias sociais exigem tempo e conhecimento que muitas não têm. Isso é válido, especialmente, no caso do grupo que abre uma empresa após o nascimento das crianças. 

Em contrapartida, contar com tecnologias que aprimorem a conectividade faz toda a diferença. Por meio do uso de redes sociais, muitos pequenos negócios conseguiram driblar a crise econômica, possibilitando que continuassem a competir no mercado.

De acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico, as mulheres respondem por cerca de 90% das decisões de compra que envolvem sua casa e família, mas quase 58,5% das brasileiras ouvidas em uma pesquisa feita no ano passado pelo SPC Brasil dizem que as campanhas publicitárias não refletem suas atitudes e quem elas são de verdade. 

Digitalização é essencial

É importante que a mãe empreendedora busque formação para trazer seus negócios para o âmbito digital. Para isso, precisa contar com uma boa conexão de internet. E, ainda, é importante investir em soluções tecnológicas que facilitem o dia a dia. 

Ferramentas de colaboração, por exemplo, são indispensáveis. Permitem conjugar a rotina dos filhos com a do trabalho. A acessibilidade ajuda na administração dos e-mails e a ter acesso a arquivos importantes na nuvem, de onde estiverem.

Soluções que aprimorem a relação com os clientes também não podem ser deixadas de lado. Recursos como o social wi-fi, que disponibiliza internet gratuita para os clientes no ponto de venda, são importantes. A solução possibilita acesso a informações estatísticas sobre o perfil dos fregueses, o que pode fazer a diferença para o sucesso de um negócio.

Principalmente após a pandemia, o cenário para mães empreendedoras é desafiador. Mas o crescimento de programas de apoio para esse grupo torna o contexto mais positivo para o futuro.

O acesso à tecnologia faz também a diferença. A Vivo Empresas tem em seu portfólio produtos e serviços com soluções digitais indispensáveis para esse público. Cloud Computinge ferramentas de colaboração facilitam a administração do negócio de diferentes espaços. Além disso, oferecem toda a flexibilidade que elas precisam.

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