O mundo já não é mais o mesmo de vinte anos atrás. Os consumidores estão mais conscientes e fatores socioambientais influenciam na tomada de decisões. Nesse cenário, uma nova temática ganha evidência no mercado: a agricultura de baixo carbono.
O agronegócio no Brasil é um dos principais setores para a economia e seus insumos são usados em todas as outras cadeias produtivas, de maneira direta ou indireta. Além disso, esse segmento é um dos mais importantes quando pensamos no cenário da exportação.
Sendo assim, falar sobre a agricultura de baixo carbono é essencial. Afinal, a gestão sustentável de negócios é um dos critérios de maior evidência no mercado internacional. Então, a sustentabilidade no agronegócio brasileiro tem o potencial de deixar nossa produção mais competitiva e atrair mais investidores estrangeiros.
Neste artigo, vamos explicar os principais aspectos da agricultura de baixo carbono e mais:
- Por que é o momento da agricultura de baixo carbono?
- O que fazer para reduzir a produção e a emissão de carbono?
- Como a economia brasileira está atuando nessa frente?
- A tecnologia pode ajudar a agricultura de baixo carbono?
Por que é o momento da agricultura de baixo carbono?
Os últimos 6 anos foram os mais quentes desde 1880, segundo divulgação recente da OMM (Organização Meteorológica Mundial). Esse dado é alarmante e está intensificando a preocupação de cientistas quanto ao futuro da humanidade na Terra. Afinal, o aumento da temperatura global ocasiona efeitos desastrosos.
Primeiramente, é preciso esclarecer: o aquecimento do globo terrestre é um fenômeno natural. Porém, a atividade humana está acelerando consideravelmente o efeito estufa. Entre os fatores mais críticos está a emissão de gases poluentes, como o gás carbônico e o metano, por exemplo.
Então, para retardar ao máximo os danos, é fundamental investir em boas práticas de gestão. Isso pode ser feito em qualquer modelo de negócio. No agro também há várias frentes, mas a agricultura de baixo carbono merece posição de destaque. Essa vertente representa 68% de todo o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio, conforme o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
ESG e o futuro do (agro)negócio
O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance, ou Meio-ambiente, Social e Governança) será um dos pilares da economia do futuro. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria PwC, em 2021, 79% dos investidores entrevistados “consideram os riscos e as oportunidades ESG um fator importante na decisão de investimento”.
Consequentemente, o empreendedorismo brasileiro deve investir em ações de sustentabilidade se quiserem continuar sendo competitivo.
Ou seja, será necessário pensar na atração de investidores, o que é primordial para o crescimento dos negócios. Afinal, vem deles o aporte de capital que será usado para o investimento em tecnologias, pesquisas e expansão, por exemplo.
No início de janeiro de 2022, a B3, a nossa Bolsa de Valores, divulgou a nova lista de empresas que compõem o ISE (Índice de Sustentabilidade Econômica). Esse é um indicador interessante para quem quer investir e também para quem está em busca de empreender, ou melhorar suas rotinas ESG. Assim, vale a pena conferir o que as empresas listadas fazem e pode ser replicado na gestão de uma fazenda.
O que fazer para reduzir a produção e a emissão de carbono?
Hoje, o Brasil está no 4º lugar em emissão de carbono, segundo estudo realizado pela Carbon Brief em 2021. O mais impressionante é que esse ranking considera dados desde 1850. Dentre as consequências da alta taxa de gases causadores do Efeito Estufa, por exemplo, estão: a elevação do nível dos mares (causada pelo descongelamento dos polos), e efeitos no próprio agronegócio (como estiagem prolongada ou chuvas “fora de época”).
Então, com essas informações, vemos o quanto é urgente a agricultura de baixo carbono. Esta diz respeito a uma conduta de gestão que visa a sobrevivência do nosso modelo de vida no longo prazo. Além disso, no dia a dia do negócio, as ações de sustentabilidade também promovem uma série de vantagens, como:
- Redução de custos operacionais;
- Atração de investidores e clientes;
- Rotinas menos manuais e mais precisas.
É importante reforçar que o potencial de alcance desses benefícios da gestão sustentável no agro depende diretamente da qualidade das tomadas de decisões. Assim, para acertar no direcionamento estratégico do agro, é primordial conhecer a operação da fazenda, o que há de novo no mercado e boas práticas de sucesso:
Otimização da produtividade
Investir em ações que visem gerar mais agilidade e qualidade na produção da lavoura, e também na criação de gado, é uma conduta inteligente para a sustentabilidade do agro. Assim, para a agricultura de baixo carbono, por exemplo, pode implementar estudos de processos operacionais pode reduzir hiatos na rotina produtiva da fazenda.
Dentre eles, podemos citar o PDCA, do inglês (Plan, Do, Check and Act). Ele consiste em um ciclo de gestão em 4 etapas:
- Planejar
- Fazer
- Checar
- Agir
Portanto, essa metodologia contribui para a implementação de uma rotina padronizada de controle na fazenda. Assim, é possível mitigar riscos e atuar de uma maneira preditiva. Nesse sentido, o PDCA é um estímulo também a uma cultura data driven (guiada a dados).
Melhora da saúde do solo
Segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa, a agropecuária corresponde a cerca de 70% das emissões de gases poluentes. Somente a agricultura tem um peso de 26% desse total de emissões. Nesse cenário, o solo é um dos principais recursos para a agricultura de baixo carbono. Isso acontece porque a saúde do solo é fator crucial para o desenvolvimento da vegetação e para a manutenção do ciclo da água.
Para conseguir implementar as melhores ações para otimizar a saúde do solo na lavoura é preciso entender o Ciclo do Carbono. Assim, dentre as boas práticas, destaca-se o manejo do solo, com a aplicação do plantio direto. Há estudos que indicam que regiões tropicais tendem a ter maior emissão de gás carbônico proveniente do manuseio inadequado do solo.
Uso adequado de fertilizantes
A utilização correta de fertilizantes também influencia para o alcance da agricultura de baixo carbono. Hoje, a maior parte desses produtos usados na lavoura têm uma composição de nitrogênio, um nutriente essencial para o desenvolvimento das plantas. Porém, esses fertilizantes, quando aplicados em excesso, contribuem para o aumento da emissão de óxido nitroso – um dos gases poluentes do efeito estufa.
De acordo com pesquisa uma realizada em 2018 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em parceria com a Universidade Federal de Goiás, os fertilizantes com liberação lenta de nitrogênio podem reduzir em 70% a emissão de óxido nitroso. Então, usar essa alternativa é uma boa decisão para o desempenho sustentável da fazenda.
Além disso, conforme a consultoria KPMG, em 2022, a indústria química para o agronegócio deve assumir mais relevância no estímulo do uso de fertilizantes que atendam às diretrizes ESG.
Atualmente, 95% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira é comprado no exterior. Assim, também vemos espaço para estimular o investimento em pesquisa e produção nacional desse insumo.
Estímulo à indústria vegana
Segundo relatório desenvolvido pela Credit Suisse, em 2021, em 2050 a indústria de produtos à base de plantas deve crescer cem vezes se comparamos com a atualidade. Nesse sentido, é interessante pensar na indústria vegana tanto como uma oportunidade de ampliar as chances de ganho do negócio, mas também como uma ação interessante para diminuir a emissão de gases poluentes.
Afinal, conforme já mostramos nos tópicos anteriores, a agricultura tem um peso menor na emissão de poluentes, quando consideramos outras frentes do agronegócio. A maior parte da emissão de gases causadores do efeito estufa no agro vem da criação de gado. Isso acontece por uma soma de fatores, dentre eles o aumento de desmatamento para a pastagem e a liberação de alta quantidade de metano pelos bovinos.
Aplicação de energias renováveis
O uso de energias renováveis está crescendo em todo o mundo e a tecnologia é uma das principais aliadas desse movimento. Um exemplo disso é a chegada dos carros e ônibus elétricos. Eles já são realidade no Brasil, sendo que cidades como Belo Horizonte, Minas Gerais, e Salvador, na Bahia, já têm transporte coletivo com ônibus elétrico.
Assim, com o avanço dessa frente a tendência é que haja uma diminuição de emissão de gases do efeito estufa no contexto da mobilidade urbana. Nesse sentido, o agronegócio tem um dois papéis importantes no estímulo do uso de energias renováveis:
- Ampliação do plantio da cana-de-açúcar para a produção de etanol, já que este tem taxa zero de emissão de gases causadores do Efeito Estufa.
- Adoção de energias renováveis na sua cadeia produtiva, como o uso de energia solar e da geração distribuída.
- Implementação de tecnologias para otimizar a eficiência energética, como a solução desenvolvida pela Vivo Empresas.
LEIA MAIS: Eficiência Energética: como economizar energia nas empresas
Rotina de manutenção do maquinário
Máquinas com falta de manutenção tendem a gerar um aumento de custo e a exposição ao risco de acidentes. Além disso, quando pensamos no maquinário que usa combustíveis fósseis, geralmente gasolina ou diesel, como é o caso dos tratores, aviões agrícolas e colheitadeiras, eles tendem a aumentar o consumo. Assim, há mais emissão de gases poluentes, além de um peso no “bolso” do produtor rural.
Então, para melhorar a qualidade da gestão da fazenda e atender a um dos pilares da ESG, reserve tempo para garantir a manutenção do maquinário esteja em dia. Além disso, investir na renovação da frota dos veículos agrícolas é uma decisão inteligente. Afinal, equipamentos mais novos contam com as últimas tecnologias, otimizam o uso de combustível e potencializam a produtividade das máquinas.
Como a economia brasileira está atuando nessa frente?
De acordo com um levantamento apresentado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em 2021, o desmatamento na Amazônia apresentou um avanço de mais de 21,97% comparando com o ano de 2020. Nesse cenário, vale destacar que nos últimos 4 anos o avanço do desmate continuou a acontecer essa mesma faixa de crescimento ano após ano.
Para se ter uma ideia, o Brasil está na mira das principais instituições e organizações mundiais devido ao avanço deste problema. Afinal, a maior floresta do mundo está no nosso país. Então, essa questão acaba atraindo os holofotes de maneira negativa e causa prejuízo nas relações com países que são potenciais parceiros comerciais. No longo prazo, se não fizermos nada para estimular a agricultura de baixo carbono, a tendência é que o agro brasileiro perca espaço no mercado externo.
Isso é muito sensível para a nossa economia, pois, o agronegócio é um dos principais setores que segura o nosso PIB. De acordo com o Cepea, hoje, esse segmento corresponde a, pelo menos, 25% do nosso Produto Interno Bruto. Assim, o agro é estratégico para a recuperação econômica do país e investir em ESG é fundamental para conquistarmos mais espaço no mercado e atrair investidores estrangeiros.
Plano ABC+
Nesse sentido, o Governo Federal está desenvolvendo novas propostas de projetos para tentar conter o avanço do desmatamento e estimular a adoção de boas práticas de sustentabilidade no campo. Em 2021, o Ministério da Agricultura anunciou o Plano ABC+, uma nova versão do Plano ABC desenvolvido entre os anos de 2010 e 2020.
Segundo o documento, o seu principal objetivo é estimular a implementação de práticas sustentáveis no agronegócio. O plano foi desenvolvido em parceria com a Embrapa, e aponta a tecnologia no campo como uma das principais frentes para que alcancemos um desempenho ESG no agro.
A tecnologia pode ajudar a agricultura de baixo carbono?
Podemos afirmar que a tecnologia no campo é o futuro da agricultura de baixo carbono. Afinal, a inovação pode ser aplicada em diversas frentes da cadeia produtiva. Assim, é importante que os produtores rurais e empreendedores da agroindústria estejam atentos às tendências do mercado.
O empreendedorismo no setor de tecnologia está a todo o vapor com as startups. Hoje, o Brasil conta com mais de 20 unicórnios. Entretanto, até o momento, nenhum é uma AgTech. Então, vemos que ainda há potencial grande de crescimento para esse segmento e que ele oferece também oportunidades para quem quer empreender e não sabe qual caminho seguir.
Biotecnologia
Hoje, a biotecnologia é a responsável pelo surgimento de inovações, como:
- Cosméticos de alta performance
- Alimentos transgênicos
- Tratamento de efluentes industriais
- Fertilizantes e inseticidas de menor impacto ambiental
Logo, essa área é fundamental em diversas frentes do mercado. No agronegócio ela assume um papel essencial para o posicionamento ESG. Assim, por meio da inovação em pesquisas é possível potencializar a produtividade no campo sem necessariamente aumentar os possíveis impactos negativos.
Business Intelligence
Na tradução, Inteligência do Negócio, ou somente BI, consiste em um conjunto de recursos de tecnologia e de boas práticas de gestão da informação para otimizar a tomada de decisão no campo. Dessa forma, a tecnologia é usada para coletar dados e gerar análises de acompanhamento e resultado, mas principalmente preditivas.
Portanto, ter uma solução de BI no agro é uma decisão que ajudará a potencializar a gestão de custos e até mesmo no volume da safra, bem como na sua qualidade. Portanto, a coleta de dados da fazenda, de cada etapa da produção, é crucial para criar oportunidades de encontrar padrões que não podem ser observados a “olho nu”.
IoT
Até 2030 teremos mais de 25 milhões de equipamentos conectados à IoT (Internet of Things, ou Internet das Coisas), conforme a Statista. No Brasil, esse movimento deve começar a acontecer a partir deste ano com a chegada da tecnologia 5G. Mas, é importante ressaltar que esse processo ainda ocorrerá de maneira lenta e deve chegar a todo território nacional apenas no final da década de 2020.
Hoje, já é possível aproveitar alguns recursos de IoT por meio da rede 4G, como o uso de aplicativos para a gestão do maquinário a distância. Nesse contexto, vamos ver um avanço do monitoramento do campo através de drones e do diagnóstico preditivo de problemas ambientais. Então, quem está em busca de se destacar no mercado, vale a pena já buscar testar a IoT no agro com o 4G em uma parceria com a Vivo Empresas.
Telemetria
A telemetria é uma das tecnologias que permitem a coleta de Big Data e com o BI e a Cloud Computing (Computação em Nuvem), promovem a gestão a distância e em tempo real de dados. Essa inovação pode ser usada em três aspectos essenciais da produção e monitoramento no campo:
Além dos problemas comuns de custo e eficiência energética que já citamos sobre frota e maquinário, a telemetria é fundamental para a qualidade da safra.
Atualmente, um dos principais desafios dos produtores rurais são as mudanças climáticas, por isso também é necessário investir em ações para a agricultura de baixo carbono. Em resumo, o agro não consciente é um problema, enquanto o sustentável é a solução, inclusive para a sobrevivência da atividade no campo.
Contar com uma parceria, de quem é referência em conectividade e inovação no Brasil, é estratégico e inteligente para destacar o agronegócio para o desempenho sustentável. A Vivo Empresas tem um conjunto de soluções feitas sob medida para que os empreendedores consigam fazer o negócio crescer de maneira inteligente.
Em suma, ao longo deste post vimos como a tecnologia no campo pode ser usada para a agricultura de baixo carbono e as vantagens disso para o agronegócio. Se gostou deste conteúdo, aproveite e confira também:
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Até a próxima!