4G, 5G e redes privativas: por que são a base da Indústria 4.0?

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Nunca uma nova geração de rede móvel empolgou tantos setores diferentes quanto o 5G. 

Das microempresas às grandes corporações, passando por entidades públicas até o consumidor final, essa tecnologia é motivo de tamanho entusiasmo que chega ao ponto de acharem que, finalmente, estamos adentrando à era de “Os Jetsons”, aquele famoso desenho animado.

Particularmente, confesso que nutro um certo apreço por essa visão, mas por um motivo que creio ser diferente do compartilhado pela maioria das pessoas. Ninguém discute que o 5G trará altíssimas velocidades em banda-larga móvel. Entretanto, o benefício à evolução dos smartphones é uma pequena parte da história.

Na prática, estamos falando da plataforma de conectividade que vai consolidar a quarta revolução industrial, transformando completamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos divertimos. Até o nosso relacionamento com o planeta deve mudar, já que seremos capazes de fazer tudo isso com importantes avanços em sustentabilidade.

A quarta revolução industrial e a conectividade móvel

Protagonizada por tecnologias como a robótica, a computação e, posteriormente, a internet, a terceira revolução industrial impactou profundamente os serviços empresariais, como bancos e mídia (Indústrias digitais). 

Por outro lado, as empresas com equipamento pesado, linhas de produção e processamento de materiais (Indústrias físicas) não acompanharam esse movimento tão de perto.

Não por acaso, os números mostram bem essa discrepância.

Conforme um estudo consolidado em 2017 pelo Tech CEO Concil, nos EUA, onde as indústrias físicas são responsáveis por, aproximadamente, 70% do PIB, os investimentos desse setor em TI representam cerca de 30% do total. Já nas equivalentes digitais, a relação se inverte, com essas sendo responsáveis por 70% dos investimentos em tecnologia e por 30% da produção de riquezas do país.

Ao considerar a evolução de ambas as partes em um período de 15 anos, a conclusão da pesquisa foi de que, enquanto o segmento digitalizado vivenciou um aumento anual de 2.7% em sua produtividade, um número considerado alto, a contrapartida das indústrias físicas foi de 0.7%.

Apesar do relativo atraso, o mesmo relatório projeta um grande potencial para o futuro próximo. Isso porque estima-se que a inflexão causada pelo surgimento de novas tecnologias com grande aplicabilidade no setor fabril possa equalizar esse cenário.

E sim, o 5G, definitivamente, é uma dessas tecnologias.

Tudo se resume às redes privativas

Para que possamos compreender, na prática, o papel da rede móvel no avanço da indústria 4.0, precisarei detalhar alguns aspecto

Inicialmente, a quarta revolução industrial já vem sendo acelerada a partir de modernas redes privativas baseadas em 4G, do tipo industrial grade. E, à medida em que as necessidades do negócio demandem, serão migradas para o 5G.

Assim como a rede celular conectada ao seu smartphone neste momento, as infraestruturas privadas oferecem internet móvel e de alta velocidade, mas são de uso exclusivo de uma determinada organização.

E como se trata de uma tecnologia que pode ser arquitetada para atender, precisamente, às atividades e aos serviços de segmentos variados, seu uso é cada vez mais frequente para digitalizar operações com eficiência.

Além disso, ao contrário das redes cabeadas e Wi-Fi, as soluções privativas 4G e 5G contam, desde o seu desenvolvimento, com atributos importantes para a realidade da indústria, a exemplo dos altos níveis de desempenho, confiabilidade, previsibilidade e segurança.

Eu ainda poderia passar horas falando sobre a maior capacidade de usuários e de cobertura, penetração de sinal aprimorada, integração com redes públicas e mais. Mas quero focar nos destaques.

As vantagens do 5G

Uma rede móvel privativa já oferece diferenciais importantes para otimizar a atividade industrial. Com o 5G, não só esses benefícios são superdimensionados, como as características singulares dessa nova conexão abrem possibilidades inéditas. Confira algumas:

Velocidade

Com picos de transmissão de até 10Gbps e até 10.000 vezes mais capacidade que as redes tradicionais, o 5G habilitará downloads em equipamentos e linhas de produção em questão de segundos. Para as aplicações de video analytics, será possível transmitir resoluções proporcionais à exatidão e precisão dos algoritmos de inteligência artificial, em larga escala.

E considerando-se que as interfaces interativas (AR, VR, XR e MR) também serão uma tendência, o 5G contribuirá com o uso dessas ferramentas para treinamento e suporte remoto, além de manutenção ou operação assistidas.

Ultra-reliable low latency

A nova rede pode ter seu tempo de resposta reduzido a 1 milissegundo. Isso significa que sistemas críticos e que exijam uma transmissão instantânea de dados podem deixar de se restringir à conexão cabeada e ganhar mobilidade.

O impacto da latência menor será sentido, especialmente, em aplicações como os drones, veículos e robôs autônomos – lembrando que todos esses são fortes candidatos para as fábricas do futuro. Mais do que isso, porém, a conexão ultrarrápida irá permitir que múltiplos sistemas de contenção de falhas atuem simultaneamente, antevendo e amenizando danos.

Outros benefícios como computação na borda (ou edge computing, como também é conhecida), alta densidade de dispositivos IoT, posicionamento de alta precisão, network slicing são características igualmente importantes para a indústria 4.0, que podemos tratar em um próximo artigo.

Conclusão

O mundo de hoje está muito mais conectado do que em 2012, quando a primeira cidade brasileira, Recife, recebeu o 4G. Ao mesmo tempo, de lá pra cá, também parece que vivemos muito mais do que uma década – e essa impressão não ocorre por acaso.

Tal como se espera do 5G no futuro, a conexão rápida e sem fios do 4G transformou quase tudo que podemos lembrar daquela época. Inclusive, nossas formas de interagir com pessoas e empresas, de empregar outras inovações tecnológicas e produzir.

Um exemplo claro disso é a parceria firmada entre a Vivo Empresas e a Nokia, que, em 2020, conseguiu levar as inovações da quarta revolução industrial às operações da Vale S.A., em Carajás/PA.

Desde setembro de 2021, nossa rede privada LTE vem garantindo o funcionamento de dez caminhões mineradores autônomos. E, assim, mostrando que, mesmo antes da consolidação do 5G, já é possível acelerar a transformação digital no setor produtivo.

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