Terapia pela internet: como a tecnologia pode aproximar profissional e paciente

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Os últimos meses certamente serão reconhecidos como um período de grandes mudanças. Afinal, o mundo se transformou devido à pandemia. Houve adaptações na forma de trabalhar e nas atividades corriqueiras, como fazer compras ou receber entregas. 

Aliás, a causa de muitas dessas modificações no cotidiano foi – e ainda é – o distanciamento social, uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). E, se por um lado a medida é essencial para evitar a disseminação do vírus, por outro tem cobrado um alto preço na saúde mental das pessoas.

É nesse cenário que a terapia pela internet aparece como uma solução que aproxima terapeuta e paciente, sem a necessidade de sair de casa.

Com um dispositivo como tablet, smartphone ou computador e acesso a uma conexão estável, é possível iniciar ou dar continuidade ao atendimento terapêutico de forma segura. 

Por isso, para entender melhor como as ferramentas tecnológicas auxiliam no atendimento remoto de pacientes, neste artigo, você vai ver:

  • Saúde mental: efeitos da pandemia
  • O aumento da busca pela terapia online
  • Segurança e confidencialidade da sessão pela internet
  • Campanha Setembro Amarelo 

Saúde mental: os efeitos das incertezas da pandemia e do confinamento 

Imagem de uma psicóloga realizando uma terapia pela internet
No Brasil o número de pessoas ansiosas cresceu de 8,7% para 14,9%

Como foi possível ver em outros países, o isolamento é uma peça-chave para a contenção da disseminação da Covid-19. Porém, o efeito dessa medida, somado ao cenário de indefinições, resultou em um aumento de pessoas ansiosas, tristes ou deprimidas não apenas no Brasil, mas pelo mundo. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, um estudo publicado em setembro de 2020 pela JAMA Network Open mostrou que a taxa de pessoas com sintomas de depressão triplicou durante a pandemia.

Já aqui no Brasil, entre março e abril, o percentual aumentou de 4,2% para 8%, segundo um levantamento conduzido pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A pesquisa ainda mostra que, para os quadros de ansiedade, o crescimento foi de 8,7% para 14,9%.

Inclusive, para alguns segmentos da população, o distanciamento trouxe ainda mais dificuldade, como é o caso de alunos de escolas públicas que precisam acompanhar as aulas pela internet.

Na pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias, do Instituto Datafolha, foram entrevistados, também em julho de 2020, estudantes entre seis e 18 anos e 74% relataram estar tristes, ansiosos ou irritados.

Portanto, em um momento em que é necessário manter o confinamento e ainda assim buscar ajuda, a terapia pela internet desponta como uma excelente solução e oportunidade.

Por meio de ferramentas tecnológicas, consegue-se fazer uma sessão a distância, respeitando o distanciamento social. Ao mesmo tempo, paciente e terapeuta podem desfrutar do ambiente acolhedor de suas casas, tornando o procedimento mais cômodo.

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O aumento de demanda para terapia pela internet

Com o aumento já mencionado de pessoas com depressão e quadros de ansiedade, não é surpreendente que os serviços psicológicos também tenham registrado um crescimento na demanda.

A fim de atender a esses pedidos, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) tomou algumas medidas para facilitar o atendimento sem prejudicar a qualidade do serviço.

No Brasil, a prática da terapia pela internet é liberada desde 2018. E, desde então, com o objetivo de garantir que o paciente está sendo atendido por um profissional devidamente registrado, o CFP criou a plataforma de cadastro e-Psi, para serviços psicológicos mediados por tecnologia.

Essa plataforma registrou, no segundo trimestre de 2020, mais de 50 mil novos pedidos de cadastro, indicando que muitos profissionais que antes não atendiam pela internet optaram por se adaptar devido à pandemia.

Para uma sessão de terapia via internet, são necessários alguns elementos tanto para o profissional quanto para o paciente, tais como:

  • Equipamento para realizar a chamada, como celular, tablet ou computador;
  • Conexão estável para evitar falha na comunicação;
  • Aplicativo confiável para realizar a chamada, seja ele de uso geral ou específico para terapia pela internet.

Com isso, é possível realizar o atendimento e o acompanhamento desse paciente pelo tempo que for necessário.

Por meio da tecnologia, a rotina das consultas pela internet pode ser a mesma que seria seguida caso estivessem no consultório.

Aliás, vale ressaltar que o uso de tecnologia para atendimento remoto na saúde evoluiu muito durante a pandemia.

No Brasil, foi só em abril de 2020 que o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a reconhecer e regulamentar a prática de telemedicina.

Segurança e confidencialidade na sessão de terapia pela internet

Faz parte da ética de trabalho dos profissionais de serviços psicológicos a confidencialidade da conversa com o paciente. E isso, mesmo em uma sessão a distância, é algo que precisa ser mantido como prioridade.

Mas, além disso, no Brasil existe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que irá analisar o tratamento de dados pessoais mantidos por empresas, com objetivo de evitar o uso inadequado ou mesmo o vazamento dessas informações. 

Por isso, cuidados com a conexão, bem como com a escolha do software para a chamada, são fundamentais para que a sessão de terapia pela internet ocorra de forma segura.

O ideal é que as sessões sejam criptografadas para garantir a proteção de dados do paciente e, por isso, o uso de um aplicativo exclusivo para as conversas pode ser mais recomendado do que utilizar apps mais populares.

Setembro Amarelo: é hora de falar sobre saúde mental

O mês de setembro é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio. A saúde mental muitas vezes não é uma questão tratada com a seriedade de uma enfermidade física, mas pode ser tão fatal quanto.

Segundo estudo realizado pela OMS em 2016, o suicídio é a terceira maior causa de mortes entre jovens brasileiros de 15 a 29 anos. Da mesma forma, em 2018, a Unicamp concluiu que 17% dos brasileiros já consideraram dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% elaboraram um plano para isso.

Um dos primeiros passos para prevenir suicídios é quebrar o tabu relacionado à saúde mental e falar com responsabilidade sobre isso. Inclusive, hoje isso é facilitado pela tecnologia: não apenas é possível realizar uma terapia online, como descrevemos aqui. Mas também há outros canais que podem auxiliar como o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Conclusão

Foram muitas adaptações nos últimos meses e isso trouxe uma série de consequências para a saúde mental das pessoas ao redor do mundo. Porém, com o avanço da tecnologia na saúde, não é preciso passar por isso sozinho, mesmo quando ainda é difícil sair de casa.

A terapia pela internet se tornou uma solução buscada por muitos, por isso o profissional dessa área precisa estar preparado para atender essa crescente demanda.

Como, por exemplo, ter uma conexão confiável e uma plataforma segura para as chamadas de vídeo, de modo a manter a privacidade dos pacientes.

Essa é uma das formas de aproveitar a tecnologia para ficar mais próximo de quem precisa de ajuda, mesmo que não presencialmente.

Inclusive, além do que já mostramos aqui, há ainda mais exemplos de como ferramentas tecnológicas podem auxiliar profissionais da saúde e pacientes. Confira os artigos que selecionamos para você:

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