A loja conceito busca a fidelização de clientes através da aproximação com a marca

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As novas tecnologias e a necessidade crescente dos consumidores em viver experiências inovadoras fortaleceram uma novidade no varejo: as lojas conceito.  

Também chamadas de flagship store, esses espaços são unidades especiais onde tentam, sobretudo, atrair clientes e propagar uma determinada imagem sobre a empresa. Mais até do que simplesmente fazer vendas. É como se fossem grandes vitrines modernas adaptadas ao mundo hiperconectado onde vivemos atualmente.    

Algumas dessas lojas viram até atrações turísticas e, normalmente, o foco está em proporcionar experiências sensoriais inesquecíveis aos consumidores, fazendo com que tenham vontade de voltar sempre. 

Por isso, vemos  um maior número de ateliês de roupa que instalam cafés na parte de dentro ou investem em decorações mais refinadas. Ou lojas de esportes com vitrines interativas para atrair o público mais jovem acostumado com a vida online.     

A loja conceito também serve, no caso das grandes varejistas, como um termômetro para testar novidades, públicos, reposicionar a marca e avaliar conceitos de design que podem ser replicados em larga escala nas outras unidades. No entanto, vale lembrar que até os pequenos podem se valer dessa estratégia como vantagem competitiva. 

Afinal de contas, para ser uma loja conceito, basta ter um pouco de criatividade. Por exemplo, investir em música ambiente, uma iluminação diferente e atendimento personalizado. O que importa é o cliente perceber que está em lugar autêntico e imaginativo. 

Continue a leitura, pois, a seguir, vamos mostrar melhor como transformar o negócio em uma loja conceito e aprofundar em muitos outros pontos, como: 

  • O que é uma loja conceito?
  • Alguns exemplos atuais
  • Como a tecnologia ajuda a projetá-la?
  • Principais características 
  • Quais serviços oferece? 
  • Pequenos empreendedores podem ter uma loja conceito?

O que é uma loja conceito?

A loja conceito é como se fosse uma vitrine de todas as outras lojas da rede, no caso de grandes varejistas. 

O termo foi criado a partir da expressão em inglês flagship store. Ele é inspirado na tradição da indústria naval em que um navio principal é o líder da frota e o grande exemplo para todos. Como é o maior, mais famoso e melhor, também carrega as melhores munições. 

Da mesma forma, uma loja conceito, portanto, é a grande menina dos olhos do varejista. A função de uma unidade desse tipo é fazer propaganda da marca, muito mais do que converter as visitas em vendas. 

A essência dela é criar experiências agradáveis. Ou seja, esses espaços são bonitos de se ver, possuem uma música agradável, contam com tecnologias inovadoras e despertam a curiosidade do público.  

De maneira geral, as flagship stores possuem essas características:

  • São grandes, normalmente são a maior loja da rede varejista.
  • São instaladas em um lugar de prestígio para que todo mundo veja.
  • Têm um design inovador e atendimento personalizado.
  • Provocam experiências sensoriais (cheiro, música e até sabores).
  • Comunicam os valores da marca. 
  • São integradas às novas tecnologias. 

Em resumo, essas lojas devem servir como grandes exemplos, por isso, devem ter um atendimento ao cliente impecável. Somado a isso, elas devem ser muito bem arrumadas, limpas e, dependendo da marca, descontraídas.  

É bom lembrar que, embora as compras online tenham explodido durante a pandemia, as lojas que ofereceram uma experiência omnichannel tiveram forte crescimento. Segundo relatório Retail Solutions Market Growth & Trends da Grand View Research, de outubro de 2022, o tamanho do mercado global de soluções de varejo multicanal deve atingir US$ 17,92 bilhões até 2030.

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De Paris ao Rio de Janeiro, alguns exemplos de loja conceito

No mundo, a história das lojas-conceito começou no século 19, com os varejistas ocupando o Steinway Hall, em Nova York. Em seguida, nos anos 1980 e 1990, muitas marcas criaram unidades especiais que serviram como grandes vitrines em espaços como Selfridges, em Londres, a Galeries Lafayette, em Paris, ou na 5th Avenue de Nova York.

Já por aqui, algumas das lojas-conceito mais emblemáticas no Brasil ficam nas avenidas mais famosas de São Paulo, nos arredores da Oscar Freire e, também, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, existem lojas-conceito em shoppings como Fashion Mall, Leblon e pelas ruas de Ipanema. Vamos ver adiante alguns exemplos no mundo todo.

Dior Paris

Com a amenização das medidas restritivas da pandemia, a Dior resolveu dar uma repaginada na sua loja conceito, Boutique Dior, localizada no número 30 da Avenue Montaigne, um dos endereços mais badalados de Paris. A flagship store de uma das marcas de alta costura mais famosa do mundo levou dois anos para ser reestruturada. 

Com isso, passou a ter 10 mil metros quadrados, um espaço de galeria de artes, o restaurante Monsieur Dior e a Pâtisserie Dior, três jardins, uma suíte de hóspedes de 200 metros e muito mais. 

Em resumo, os clientes contam com atendimento mais do que exclusivo e podem simplesmente comprar roupa, comer, malhar, ir ao salão de beleza e dormir sem sair da loja. A reinauguração aconteceu em março de 2022 e recebeu destaque na Vogue

Nike Innovation em Nova York 

A Nike representa um dos melhores exemplos de flagship com a sua loja girante e megadigital da 5ª Avenida, em Manhattan, Nova York. A Nike House of Innovation 000 representou o pontapé inicial no estilo, pois foi a primeira loja conceito da marca nos Estados Unidos. 

Em suma, o objetivo era apresentar o processo de design exclusivo misturado com muita tecnologia. 

O projeto usa sons (não música) para transmitir sensações aos clientes em espaço customizado e um loop de telas. As customizações de produtos podem ser pedidas por meio do App da Nike e levam em torno de 10 minutos para serem concluídas.  

Levi’s de Tokyo 

Em 2019, uma das marcas mais famosas de jeans abriu sua loja conceito em Tóquio, no distrito de Harajuku. Uma das novidades da flagship Levi’s era um atendimento personalizado em que os clientes podiam criar o próprio jeans sob medida do zero, em um processo que poderia levar até um mês para ser concluído. Claro que contavam com a ajuda de um estilista local para a produção. 

Para quem não tem tempo, dá para fazer uma personalização mais simples como bordados ou efeito desgastado, por exemplo. Isso também pode ser feito nas camisetas para obter peças realmente únicas.  

Méqui 1000 de São Paulo

Nem só de alta costura vivem as lojas-conceito. A Arcos Dourados, franquia que opera a rede McDonald’s no Brasil, inaugurou, em 2019, sua milésima unidade em um casarão histórico em plena Avenida Paulista. 

Chamado de Méqui 1000, ele reúne tudo que há de mais moderno, como as esteiras que transportam os sanduíches e uma decoração especial para atrair o público. Não à toa, virou um point no coração de São Paulo. 

Entre os objetivos da marca, estavam justamente se fortalecer, permanecer relevante para o público e mostrar que, apesar de ser uma empresa de décadas, continua moderna e antenada com as mudanças da sociedade. 

Lacoste no Rio de Janeiro

A marca francesa inaugurou, em maio de 2022, sua maior loja conceito em solo brasileiro. Baseada na arquitetura “Le Club Evolution”, fica no Shopping Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Uma das apostas da marca está na tecnologia com soluções inovadoras para atrair um público jovem e conectado. Entre os exemplos, pagamento via QRCode de qualquer lugar da loja e soluções omnichannel. 

Tecnologia é a grande aliada da loja conceito 

Quando se pensa em uma loja conceito, hoje em dia, não dá para não falar, também, em tecnologia. Cada vez mais, as empresas estão buscando nas ferramentas de inovação uma forma de melhorar a jornada do consumidor nas lojas físicas para conseguir competir com os meios de compra digitais.

Vamos ver, então, alguns recursos tecnológicos que podem ajudar a moldar uma flagship store. 

Tecnologias imersivas 

As soluções baseadas em Realidade Virtual (RV) ou Realidade Aumentada (RA) conseguem oferecer aos compradores a capacidade de experimentar roupas “virtualmente”, ou até realizar uma consulta de beleza por vídeo. 

Por exemplo, a varejista de móveis IKEA desenvolveu um aplicativo que permite aos compradores usar a RA com a câmera do próprio smartphone para testar se a mobília fica bem nas suas casas.  

QRCode 

Essa tecnologia é um bom exemplo de inovação que saiu de moda e voltou, principalmente impulsionada pela pandemia. No momento de restrições de contato, o QRCode virou uma boa opção para cardápios digitais e como forma de pagamento. 

Algumas lojas conceito colocam esses códigos ao lado dos produtos para que possam ser comprados de maneira muito mais rápida e cômoda. 

Outro uso é para vitrines inteligentes. Os  clientes podem escanear o código e serem levados diretamente ao site para fazer a compra ou até mesmo conseguir informações adicionais sobre o produto. Talvez por isso mesmo o mercado esteja com ótimas perspectivas futuras. 

Segundo o estudo Global QR Code Labels Market, lançado em julho de 2022, o mercado global de QR Code deve atingir quase US$ 1,4 bilhão em 2028.  

NFTs

As NFTs são uma espécie de token criptográfico que representam algo único. Por isso, algumas marcas estão investindo tudo nessa área. A Dolce Gabbana, por exemplo, criou uma coleção NFT – a Collezione Genesi e faturou quase US$ 6 milhões com a venda, conforme reportagem do New York Times. Algumas peças de roupa sequer existiam fisicamente, pois foram desenhadas apenas na forma virtual. 

De acordo com um levantamento da SkyQuest Technology, divulgado na Globe Newswire em maio de 2022, o mercado global de NFTs chegará a US$ 122,43 bilhões em 2028, com um CAGR de 34,10%. O estudo indica que os setores do varejo, artes e mundo da moda são os impulsionadores deste crescimento. 

Neurociência

A varejista japonesa Uniqlo inovou ao lançar uma campanha de moda baseada em neurociência, em que sugeria aos clientes um tipo de roupa com base em seu estado de espírito. 

Funciona dentro da loja física com um estande chamado UMood, em que os clientes viam algumas imagens e vídeos e, conforme a reação, os sensores identificavam como estavam se sentindo. A partir daí, a tecnologia indicava a roupa mais adequada, inclusive customizada. 

Nada mais coerente, pois há estudos que indicam que nossas emoções e condições psicológicas determinam a forma como reagimos aos anúncios e sugestões de compras. 

Pequenos empreendedores podem se inspirar no conceito 

Os maiores exemplos de loja conceito envolvem grandes marcas e varejistas famosos, mas isso não quer dizer que os pequenos e médios não possam usá-los como fonte de inspiração. Algumas soluções mais simples podem transformar a loja em uma flagship, mesmo que em proporções menores. 

Por exemplo, a sustentabilidade e a construção ecológica são diferenciais que podem atrair um número crescente de clientes que valorizam os valores das marcas verdes. Isso depende mais da mudança na forma de comercializar e se posicionar do que em grandes investimentos. 

Outra opção é investir na criatividade e no design da loja de uma maneira que não custe muito dinheiro. Pode não transformar um pequeno negócio em um posto turístico ou destino imperdível, mas irá fazer com que os clientes se sintam acolhidos e tenham vontade de voltar. 

Alguns consumidores podem sentir vontade de comer algo ou tomar um café para fazer uma pausa. Uma ideia de loja conceito para uma pequena marca é integrar um bistrô ao negócio e oferecer Internet banda larga com Fibra de alta velocidade e qualidade. Isso ajuda a manter os compradores na loja, em vez de irem para as opções de comida ou bebida nos arredores. 

Independentemente da aplicação do conceito de loja conceito ou não, a tecnologia é grande aliada dos pequenos e médios varejistas. As soluções de automação e de digitalização das empresas são passos importantes para conseguir ir além. A Vivo Empresas possui uma gama de produtos e soluções para o setor do Varejo que podem ajudar nesta jornada. 

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Até a próxima!

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