Big Techs: o que são e o que podem nos ensinar sobre negócios

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Impossível pensar em nossa vida pessoal ou empresarial, hoje em dia, sem topar de alguma forma com as gigantes de tecnologia, também chamadas de Big Techs. Na era em que a Internet, smartphones e redes sociais são onipresentes, nomes como Google, Facebook, Amazon e Apple crescem cada vez mais em influência. 

A mola propulsora dessas empresas sempre foi a inovação e a economia escalável, ou seja, desenvolvem tecnologias com soluções únicas que ganham adesão de maneira rápida. Dessa forma, as Big Techs conseguem moldar nossa maneira de viajar, de comprar, de nos comunicarmos e até de nos relacionarmos. 

Isso tudo foi feito, claro, com investimentos de milhões de dólares, para atrair as mentes mais brilhantes da área de tecnologia, vindas, sobretudo, de universidades de ponta dos Estados Unidos. Além disso, não mediram esforços financeiros para crescer por meio de aquisições de startups menores. 

Claro que nem todas as empresas têm condições de usar a mesma estratégia de crescimento, mas o sucesso das Big Techs pode servir de inspiração. Muitas tecnologias abraçadas pelas gigantes, como Inteligência Artificial (IA), Big Data e Machine Learning, por exemplo, são, hoje, acessíveis a companhias menores. 

Fique conosco, porque, neste artigo, vamos abordar os seguintes pontos:

  • O que são e como surgiram as Big Techs
  • Uma breve história sobre o Vale do Silício
  • Qual o segredo dessas empresas vencedoras
  • O que podemos aprender com as Big Techs para negócios
  • Os desafios enfrentados na atualidade

O que é uma Big Tech

Antes de mais nada, é preciso falar sobre o que é, efetivamente, uma Big Tech. A expressão é comumente usada para designar as cinco maiores empresas americanas de tecnologia. Por vezes, também chamadas de “Big Five”: Apple, Amazon, Google (Alphabet), Facebook (Meta) e Microsoft. 

Segundo um levantamento do Market Watch, essas cinco empresas, juntas, aumentaram o lucro em mais de 55%, em 2021, somando US$ 1,4 trilhões em receita. Dessa forma, isso as colocaria em 13º em Produto Interno Bruto (PIB), se fossem um país, logo atrás do Brasil. Já em valor de mercado, todas já ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão cada uma. Sendo que a Apple e a Microsoft alcançaram os US$ 3 trilhões, em 2021. 

As cinco organizações destacam-se por serem líderes nos setores onde atuam e exercem uma enorme influência no mercado como um todo. Todas são de capital aberto, e, se suas ações caem, há reflexos em diversas outras áreas da economia. 

Dessa maneira, mais recentemente, surgiu a necessidade de incluir outros grandes players. Para isso, foram criadas novas siglas: “NATU”, para designar Netflix, Airbnb, Tesla e Uber. Na China, o equivalente é chamado de “BATX”: Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi. 

Ainda assim, vale ressaltar que a expressão “big tech” é usada para empresas nascidas nos Estados Unidos. Segundo o Global 2000, ranking anual da Forbes para as maiores companhias do mundo, divulgado em maio de 2022, a lista das cinco primeiras gigantes de tecnologia inclui, também, a Samsung, sul-coreana, e a chinesa do setor de games, Tencent Holdings. 

Vale do Silício, o início de tudo 

E como as Big Techs americanas surgiram? Você com certeza já ouviu falar do Vale do Silício, na Califórnia. Pois foi lá que nasceram muitas das mais famosas gigantes da atualidade.

O Silicon Valley é considerado o centro mundial da microeletrônica, e tem mantido a posição nos últimos 50 anos. No entanto, qual o motivo para existir essa atmosfera empreendedora? Como se tornou berçário das empresas de inovação tecnológica?

No início do século XX, o Vale de Santa Clara, onde hoje se encontra o Vale do Silício, era uma região dominada pela agricultura frutífera às margens da Baía de São Francisco. 

Em 1925, o proeminente engenheiro Frederick E. Terman decidiu se dedicar ao desenvolvimento do departamento de engenharia elétrica do centro universitário local — a Universidade de Stanford. Para isso, contou com a ajuda de alunos que viriam a se tornar os pioneiros da tecnologia, como William Hewlett e David Packard (fundadores da HP) e Eugene Litton (da Litton Industries). 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Terman conseguiu diversos contratos com o departamento militar dos Estados Unidos, para desenvolver tecnologias de microondas, usadas no conflito.

Sendo assim, em 1949, Stanford já era um dos principais destinos das verbas de pesquisa do governo americano. Por fim, em 1951, surgiu o Stanford Industrial (agora Research) Park, voltado exclusivamente para empresas de alta tecnologia. 

A maior parte do sucesso inicial do Silicon Valley veio das empresas de semicondutores que usavam o silício como principal ingrediente, daí a explicação para o apelido. O Vale do Silício, desde então, virou sinônimo de economia digital, Internet e computadores pessoais. Tornou-se, assim, um forte atrativo para investidores de risco. 

Nos anos 1970, foram criadas, ali, a Apple, Atari e Oracle. Na década de 1990, Google, eBay e Yahoo!. Hoje, abriga as sedes do Facebook, Tesla, Uber, Twitter e Airbnb.

O que as Big Techs podem ensinar nos negócios?

O professor de Marketing da Universidade de Nova York, Scott Galloway, estudou as Big Techs durante uma década. Ele escreveu um best seller sobre o assunto, intitulado “The Four: The Hidden DNA of Amazon, Apple, Facebook, and Google“. Na publicação, destacou interessantes características que levaram essas empresas ao sucesso. 

Segundo Galloway, existem oito variáveis que tornam isso possível. 

  1. Diferenciação de produtos: a concorrência é cada vez maior e, para merecer a atenção do consumidor, é preciso ter algo diferente. Isso inclui toda a experiência, desde quando o objeto de desejo é achado, até a compra e a entrega. O produto é a cadeia de valor de ponta a ponta. Um exemplo é a Amazon, que, de livraria online, injetou milhões na área de entregas para não frustrar os clientes nessa etapa. 
  2. Capital visionário: segundo o professor, é preciso atrair a atenção dos investidores, com um ideal. O Google prometia “organizar as informações do mundo”. Sendo assim, são visões simples, aliadas a uma tecnologia inovadora e gestores carismáticos, que podem fazer a diferença.
  3. Alcance global rápido: o serviço ou produto deve ter abrangência internacional e ganhar usuários ou compradores rapidamente. Isso tranquiliza os investidores. Dessa forma, as quatro empresas estudadas foram muito bem-sucedidas em crescer fora do país de origem. 
  4. Reputação ou likability: antes de tudo, a empresa precisa ter uma boa imagem, investir em ações sustentáveis e ser comprometida com causas sociais. Nesse item, o autor destaca que algumas acabaram se perdendo no caminho. Então, um exemplo que ele dá é o Facebook e a suposta gestão falha da disseminação de fake news na plataforma. 
  5. Integração vertical: um dos fatores de sucesso é que essas empresas têm total controle sobre a experiência do cliente, por meio de diferentes pontos de venda, plataforma web e/ou loja. A estética das Apple Stores é um exemplo. As quatro gigantes estudadas controlam todas as etapas na relação do usuário/consumidor com o serviço ou produto. 
  6. IA: antes de mais nada, não basta coletar dados, é preciso saber como usá-los, e a IA foi um trunfo das Big Techs. A tecnologia é a chave da personalização e para entender as necessidades imediatas ou futuras dos usuários. 
  7. Acelerador de carreiras: trabalhar em uma Big Tech faz muitos profissionais sonharem. Uma das características das empresas foi conseguir atrair os melhores talentos do mercado. Afinal, uma equipe gabaritada inova mais e atrai mais investimentos. 
  8. Posicionamento geográfico: essa é uma constatação. As gigantes da tecnologia nasceram nos arredores das escolas de engenharia mais renomadas dos Estados Unidos, como Stanford e Berkeley, que ficam justamente no Vale do Silício. Ficar próximo de centros de excelência, portanto, conta muito.

Avanço em IA, Cloud Computing e marketing digital por meio de aquisições

Outra característica essencial de uma Big Tech é o crescimento por meio de aquisições, seja de startups ou gigantes do mercado já consolidadas. Todas seguiram padrão similar. 

No início, a Amazon era apenas uma livraria online. Para virar o maior varejista virtual da atualidade, comprou diversas empresas. Uma delas foi a Zappos, de roupas e sapatos, adquirida em 2009. 

Para entrar no ramo alimentício, adquiriu a Whole Foods Markets. A partir de 2012, começou a fusão com inúmeras companhias de Cloud Computing, fortalecendo de vez o Amazon Web Services (AWS).

A Apple, por sua vez, adquiriu, em 2010, a Siri Inc, da SRI International. E, a partir de 2013, começou a incorporar diversas empresas de automação de software, IA e Machine Learning. O Facebook avançou ao comprar o Instagram e o WhatsApp.

O Google, em 2007, apostou suas fichas no setor de streaming comprando o Youtube por cerca de US$ 1,7 bilhão. O Google Docs, o sistema operacional Android e o Google Earth também foram frutos de aquisições. 

Nesse mesmo sentido, o Google venceu a Microsoft na disputa pela DoubleClick, importante player de publicidade digital nos anos 2000, adquirida por US$ 3,1 bilhões, em 2007. Ainda, segundo artigo da Bloomberg, de abril de 2022, a gigante de buscas deve comprar a Mandiant, empresa de cibersegurança, para integrá-la ao Google Cloud. 

Claro que nem toda empresa tem capital suficiente para investir em tantas fusões, mas é possível entrar em outros mercados por meio de parcerias. Essa é uma lição que as gigantes do mercado podem dar.

Grandes negócios trazem grandes responsabilidades 

Tal estratégia de crescimento por aquisição, no entanto, acabou gerando monopólios. Juntas, Google, Facebook e Amazon devem absorver 50% de todo o dinheiro gasto em publicidade digital, em 2022, segundo previsão feita em fevereiro pelo grupo Ebiquity, empresa de análise de investimentos em mídia. 

Sendo assim, o domínio do mercado nos seus respectivos setores gera muito lucro, mas também críticas. Afinal, quais seriam os limites da influência das Big Techs?

Algumas dessas empresas já estão na mira de órgãos reguladores que consideram a concentração prejudicial ao mercado. Na Europa, são cada vez mais comuns as discussões de como reduzir o poderio das Big Techs. A consequência pode ser a criação de novas leis antitruste, impostos sobre serviços digitais ou publicidade online, por exemplo. 

O poder dessas organizações também causa receio no âmbito político. Recentemente, as gigantes de tecnologia decidiram tomar partido na guerra da Ucrânia. Sendo assim, impuseram sanções voluntárias à Rússia. 

O Google reduziu a monetização de meios de comunicação russos no Youtube, gerando críticas em relação à censura. Já a Apple suspendeu a venda de produtos no país. 

O Facebook também teve problemas com seu algoritmo que, ao que tudo indica, impulsiona discursos conservadores ou polêmicos, pois geram mais engajamento. Nesse sentido, em 2018, enfrentou o escândalo da Cambridge Analytica, que usou, sem consentimento, dados de usuários da plataforma para manipular campanhas eleitorais.

A gigante das redes sociais continua, no entanto, recebendo duras críticas por fazer vista grossa à disseminação de informações falsas e teorias conspiratórias em suas plataformas. 

O futuro das big techs

Muito se profetiza, portanto, sobre o futuro das Big Techs. A história tem exemplos de empresas de ponta que foram engolidas porque simplesmente não descobriram a tempo a próxima grande novidade. 

Por isso, o Facebook está apostando na realidade virtual com o Metaverso. A Apple também planeja um dispositivo para competir com a linha Oculus, da Meta, e o HoloLens, da Microsoft. Outras pistas sobre o futuro estão nos carros autônomos, IA, Big Data e computação quântica. É preciso, definitivamente, ficar atento a essas tecnologias.

Parceiros para o crescimento de startups

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