Open Gateway e Identidade Digital: como enfrentar as fraudes digitais no Brasil

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Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 escancaram uma realidade crítica: o crime migrou do físico para o digital em uma velocidade sem precedentes.

Na quarta edição do quadro “Líder com Líder”, Marcelo Tanner, Diretor Comercial B2B de Grandes Contas da Vivo, recebe Leonardo Silva, Head de Big Data da Vivo, para uma conversa sobre o Open Gateway como um novo pilar no combate à fraude digital.

Líder com Líder #4

Nesta edição vamos falar sobre como nos últimos anos, segundo o Jornal A Tarde, os crimes de estelionato cresceram, atingindo mais de 2,1 milhões de ocorrências em 2024,— o equivalente a 4 golpes por minuto no Brasil. A taxa nacional alcançou 1.000 casos por 100 mil habitantes, com destaque negativo para estados como São Paulo, Distrito Federal e Paraná.

Ao mesmo tempo, o roubo e furto de celulares, principal vetor de fraude digital, permanece em níveis alarmantes: mais de 850 mil ocorrências em 2024, impulsionando uma crise estrutural de identidade digital no país, conforme informado na matéria da Exame.

É nesse cenário que o Open Gateway se consolida como um novo pilar no combate à fraude. Para aprofundar esse tema, Marcelo Tanner conversa com Leonardo Silva, Head de Open Gateway e APIs de Identidade.

A fraude digital virou um problema sistêmico

Marcelo Tanner: Leonardo, quando olhamos para números como 4 golpes por minuto e um crescimento de 3 dígitos desde 2018, fica claro que não se trata mais de um problema pontual. Como você interpreta essa escalada da fraude digital no Brasil?

Leonardo Silva: Esses números mostram que entramos em uma crise estrutural de confiança digital. O dado de 2,16 milhões de estelionatos em 2024 não é apenas um indicador criminal, ele reflete a fragilidade dos mecanismos tradicionais de autenticação e identidade digital.

O fraudador deixou de atacar sistemas e passou a atacar pessoas e identidades. Engenharia social, device takeover e account takeover se tornaram práticas industriais. Sem acesso a sinais de rede em tempo real, as empresas operam no escuro.

É exatamente nesse ponto que o Open Gateway muda o jogo, permitindo que setores como plataformas de mobilidade, empresas de cobrança, bancos, fintechs, provedores e todo tipo de indústria em fase de digitalização utilizem dados determinísticos da rede móvel, e não apenas sinais probabilísticos.

Roubo de celulares e a crise da identidade digital

MT: Leo, o Anuário mostra que o Brasil registrou mais de 850 mil roubos e furtos de celulares em 2024. Como esse fenômeno se conecta diretamente à fraude digital?

LS: O celular se tornou o principal ativo de identidade do cidadão. Ele concentra autenticação bancária, pagamentos, redes sociais, e-mails e dados sensíveis.

Por isso ataques como SIM swap e account takeover explodiram. O criminoso não precisa mais quebrar criptografia — basta assumir o controle do número ou do dispositivo.

Um exemplo concreto: um grande banco brasileiro passou a utilizar a SIM Swap API do Open Gateway para identificar trocas recentes de SIM antes de autorizar transações sensíveis. Até abril de 2025, foram 36,5 milhões de consultas processadas, com média mensal de mais de 5 milhões de consultas, adicionando uma camada crítica de proteção antifraude.

Device Swap API: como ela atua no combate à fraude

MT: O Open Gateway possui mecanismos para ajudar as empresas na identificação de uma troca de dispositivo? Como ajudamos nesse contexto?

LS: Excelente ponto, Tanner, porque aqui a gente toca no calcanhar de Aquiles da maioria dos modelos antifraude atuais. Historicamente, empresas tentaram resolver esse problema com device fingerprint, OTP por SMS e análises comportamentais — mecanismos úteis, mas hoje insuficientes. O device fingerprint pode ser mascarado ou clonado.

O OTP por SMS perde eficiência em casos de roubo físico, já que o fraudador recebe o mesmo código que o usuário legítimo. É aí que o Open Gateway se torna decisivo.


Com a Device Swap API, as empresas recebem um sinal direto da rede, respondendo a uma pergunta crítica: esse número está associado a um dispositivo diferente do que vinha sendo usado recentemente? Quando cruzado com ações sensíveis — como login, reset de senha ou transações financeiras — o risco sobe instantaneamente.

Casos reais: resultados do Open Gateway na prática

MT: Vejo que ainda existe certo ceticismo sobre APIs de rede. Que resultados concretos você destacaria?

LS: Os resultados são bastante objetivos. Em publicidade digital, um grande grupo Chinês substituiu OTP por SMS pela Number Verification API, aumentando em mais de 100% a taxa de conversão.


No crédito digital, um lender europeu combinou KYC com SIM Swap e reduziu em 70% os casos de fraude por falsos intermediários. No setor de cobrança, empresas brasileiras reduziram de mais de 2 milhões para cerca de 250 mil chamadas diárias, com ganhos de assertividade e redução de custos entre 12% e 15%, usando validação de identidade via rede móvel.

Fraude em escala: o que dizem os dados do mercado

MT: Quando cruzamos os dados do Anuário com estudos privados, como o Mapa da Fraude 2025, o cenário parece ainda mais sofisticado. O que esses dados revelam?

LS: O Mapa da Fraude 2025 deixa claro que a fraude hoje é massiva, segmentada e orientada a retorno financeiro. Em 2024, o mercado movimentou mais de R$ 116 bilhões em pedidos, com mais de R$ 3 bilhões em prejuízo evitado. Entre os principais recortes:

  • Cartão de crédito concentra o maior volume de tentativas.
  • PIX e financiamento apresentam tickets médios mais altos.
  • Celulares e eletrônicos lideram em tentativas de fraude.
  • Sudeste tem mais volume; Norte e Nordeste têm maior taxa proporcional.


Esse cenário reforça que identidade, contexto e sinais de rede são centrais para conter fraude em escala.

Datas críticas, RCS e confiança como vantagem competitiva

MT: Datas como Black Friday, Dia das Mães e Natal são momentos críticos de fraude. Como o RCS pode atuar nesse cenário?

LS: Datas comemorativas concentram picos simultâneos de tráfego, conversão e fraude. O RCS se torna estratégico porque é um canal autenticado pela rede — reduzindo drasticamente phishing, spoofing e engenharia social. Benchmarks mostram:

  • Taxas de leitura entre 24% e 48%.
  • Respostas entre 29% e 77%.
  • ROI de 3x a 14x.

Quando combinado às APIs do Open Gateway, o RCS permite:

  • Autenticar o número sem OTPs.
  • Detectar trocas de SIM ou dispositivo.
  • Confirmar contexto da transação.

Isso reduz fraude justamente nos períodos mais críticos e fortalece a confiança como ativo estratégico.

Os dados são claros: o Brasil vive uma epidemia de fraudes digitais, alimentada pela migração do crime para o ambiente virtual e pela fragilidade dos modelos tradicionais de identidade.


O Open Gateway, aliado a APIs de identidade e canais confiáveis como o RCS, surge como uma resposta concreta, já validada por casos reais em bancos, fintechs, plataformas de pagamento, mobilidade, varejo e cobrança.

Aos líderes que nos acompanham, fica a reflexão: fraude hoje não é apenas um custo operacional, é um risco estratégico. E combatê-la exige novas fontes de verdade, novas arquiteturas e novas parcerias.

Quer saber como aplicar essas práticas na sua empresa? Fale com um especialista da Vivo Empresas.

Sobre Marcelo Tanner

Diretor Executivo de Vendas responsável pela gestão de Grandes Contas e Governo na Vivo Empresas. Com 25 anos de carreira e mais de 15 anos de atuação na Vivo, tenho dedicado minha trajetória à transformação digital de empresas em todo o Brasil. Minha missão é formar times de alta performance, desenvolver talentos e entregar resultados com excelência, sempre com foco na satisfação dos nossos clientes.

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