Qualidade de vida no trabalho: entenda o que é “A Grande Resignação”

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A qualidade de vida no trabalho é um tema que vem ganhando cada vez mais importância. Nesse contexto, um movimento que surgiu com força nos Estados Unidos em 2021 foi “The Great Resignation”, traduzido como “A Grande Resignação” para o português. 

A ideia, proposta pelo professor Anthony Klotz, da Texas A&M University, antecipou que uma quantidade significativa de pessoas deixariam seus empregos de forma voluntária após o período de restrições sociais.

No Brasil, o movimento também pode ser acompanhado e conhecido, inclusive, por outros nomes, como “A Grande Renegociação”. O que leva muitos profissionais a optar por deixar suas posições é, em geral, a busca por melhores condições de trabalho – que podem envolver tanto aspectos financeiros quanto relativos ao bem-estar. 

Com essa nova realidade que vem se impondo rapidamente, as empresas precisam se adaptar e trazer respostas eficientes a desafios recentemente surgidos, como a manutenção da motivação das equipes e  a retenção de seus melhores talentos. Mas como?

Nesse artigo, você vai compreender melhor esse assunto, além dos seguintes temas:

  • O que é “A Grande Resignação”
  • Por que as pessoas se demitem
  • Trabalho híbrido: como a tecnologia apoia a flexibilidade 
  • O que é ter qualidade de vida no trabalho
  • Como reter talentos
  • Vantagens de investir na retenção 

O que é “A Grande Resignação”

Movimento de resignação em relação aos cargos tradicionais se intensificou no pós-pandemia

O termo “The Great Resignation” ou, em português, “A Grande Resignação” foi cunhado em maio de 2021 por Anthony Klotz, psicólogo organizacional e professor da Texas A&M University, durante uma entrevista para a Bloomberg. Na ocasião, o profissional descreveu a onda de pessoas que deixariam seus empregos devido à pandemia de COVID-19, ainda em andamento, que estava levando muitos a repensar onde, como e por que trabalhavam.

De acordo com Klotz, temas como momentos em família, trabalho remoto, tempo de deslocamento até o escritório e hobbies pessoais, entre outros, poderiam levar as pessoas a questionar o modelo tradicional e a necessidade de bater ponto em horário comercial.

Quase um ano depois, o movimento continua, com o alto turnover se tornando um grande desafio para as empresas. Em 2021, 47,8 milhões de pessoas deixaram seus empregos de forma voluntária nos Estados Unidos, de acordo com relatório do Ministério do Trabalho do País.

Segundo análise publicada no Harvard Business Review em setembro de 2021, duas tendências relacionadas ao movimento “A Grande Resignação” puderam ser notadas: as taxas de demissão são mais altas entre os funcionários em meio de carreira e, também, nas indústrias de Tecnologia da Informação (TI) e Saúde

As tendências reveladas pelo estudo, que analisou registros de mais de 9 milhões de profissionais de 4 mil companhias com atuação global, ressaltam a importância de entender as razões pelas quais as pessoas estão deixando seus empregos. E, além disso, o que pode ser feito para prevenir a onda de demissão em massa. 

A análise reforça, ainda, a necessidade de uma abordagem data-driven, que permita descobrir não só quantos colaboradores se demitiram como, também, em que áreas estão os maiores riscos de turnover, por exemplo.

Demissão voluntária no Brasil

No Brasil, a situação não é muito diferente. Mesmo em um cenário econômico desafiador, com aumento de juros, preços mais altos e crescimento do desemprego, o movimento de profissionais que pedem para sair de seus trabalhos de forma voluntária é uma realidade.

Pesquisa da LCA Consultores a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgada no Jornal Nacional, em março de 2022, revela uma onda de demissões voluntárias também no País. 

Segundo o estudo, em janeiro de 2022, 544.541 profissionais deixaram suas ocupações remuneradas. Ou seja, mesmo com uma realidade econômica diferente, é notável que as pessoas busquem um trabalho capaz de atender aos seus anseios, e não simplesmente um que apenas pague um salário correspondente às suas necessidades.

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Por que as pessoas se demitem?

Os motivos para pedir demissão mesmo em um contexto econômico não favorável são variados. No entanto, há algumas buscas em comum nessas solicitações: conquistar um salário ou benefícios melhores, trabalhar em um ambiente mais saudável e ter mais qualidade de vida no dia a dia. 

A flexibilidade no modelo de trabalho se tornou aspecto inegociável para muitos profissionais. Segundo pesquisa da consultoria LiveCareer, 29% dos funcionários preferem se demitir a retornar à formatação tradicional em seus empregos. Além disso, 62% dos colaboradores com atuação remota concordam que, no futuro, darão preferência para companhias que oferecem a possibilidade de realizar as tarefas a distância.

É possível notar, inclusive, uma nova movimentação de mercado, em que profissionais mudam de carreira para conjugar os arranjos oferecidos pelas empresas com suas preferências. Nesse sentido, há quem troque de área para aumentar as chances e continuar desempenhando remotamente suas funções. 

Segundo o LinkedIn News UK, de agosto a outubro de 2021, o fluxo de especialistas migrando para a área de software e serviços de TI mais do que dobrou. No entanto, setores como Educação e Varejo sofreram com a perda de mão de obra qualificada.

Trabalho híbrido: como a tecnologia apoia a flexibilidade 

O modelo de trabalho híbrido é uma nova realidade do mercado. Não à toa, é apreciada pelos profissionais, pois oferece flexibilidade, um dos pontos mais valorizados pelos colaboradores, e é totalmente alinhado ao uso crescente da tecnologia.

Segundo pesquisa da Gartner, de abril de 2021, apenas 1% dos líderes da área de recursos humanos têm a expectativa de que todos os seus colaboradores desempenhem suas tarefas  full time nos escritórios.  

Além disso, entre 241 chefes de RH, 49% permitirão trabalho remoto em determinados dias, enquanto 32% autorizarão uma atuação a distância em tempo integral. Ou seja,  a mudança para um time híbrido tem forte influência na estratégia de retorno aos escritórios.

Mesmo antes da pandemia, algumas equipes nos Estados Unidos já usavam ferramentas de colaboração, como aplicativos de videoconferências. No entanto, a COVID-19 acelerou a adoção desse tipo de programa de uma forma sem precedentes.

No Brasil, o Governo Federal publicou no dia 28/03 de 2022 uma Medida Provisória que permite o trabalho híbrido. Além disso, a MP também prevê a criação de contrato por produção, sem controle de jornada. 

O que é ter qualidade de vida no trabalho

Ter um modelo flexível é um ponto importante, que impacta diretamente na qualidade de vida dos profissionais. Mas, além disso, há outras questões relevantes e que possuem relação direta com os talentos quererem permanecer ou não em uma empresa.

Segundo o relatório Grandes Expectativas: permitindo que o trabalho híbrido funcione, da Microsoft, divulgado em março de 2022, 53% dos entrevistados afirmam serem hoje mais propensos a priorizar saúde e bem-estar em relação ao emprego do que eram antes da pandemia. No Brasil, o número é maior: 71%.

A pesquisa revela ainda que 44% da Geração Z e Millennials no país têm propensão a mudar de empresa em 2022. A média global é de 52% e a da América Latina, 47%. O estudo aponta que, além do salário, 5 aspectos são considerados importantes na busca por uma ocupação remunerada:

  • Cultura positiva (46%)
  • Benefícios relacionados à saúde mental e bem-estar (42%)
  • Senso de propósito (40%)
  • Horas de trabalho flexíveis (38%)
  • Mais do que duas semanas de férias pagas ao ano (36%)

Profissionais Gen Z compartilham as três primeiras prioridades. No entanto, listam feedback e reconhecimento em quarto lugar, e ter um gestor que ajudará a alavancar a carreira como quinta prioridade.

Benefícios usados para reter talentos

Nesse sentido, não é surpresa empresas investirem em benefícios que fogem do tradicional para reter seus talentos. Segundo pesquisa da consultoria Robert Half, realizada em 2021, antes da pandemia, os 10 benefícios mais oferecidos eram básicos: assistência médica, odontológica, notebook, vale-refeição, estacionamento, vale-alimentação, vale-transporte, celular com chip, previdência e auxílio-combustível.

Após a COVID-19, as vantagens usadas como chamariz para manter seus melhores quadros mudaram um pouco. Agora, figuram na lista apoio psicológico, auxílio financeiro e auxílio internet. O relatório reforça, ainda, que funcionários valorizam os benefícios flexíveis, ou seja, adaptáveis ao perfil de cada pessoa.  

Como reter os melhores talentos

Oferecer um bom salário e benefícios flexíveis é um passo importante no processo de retenção de talentos. No entanto, em um cenário competitivo, em que muitos profissionais não hesitam em deixar suas posições atuais em busca de algo mais adequado ao que desejam, as empresas precisam ir além. 

A preocupação com a saúde mental da equipe e com ocorrências cada vez mais comuns, como a síndrome de burnout, por exemplo, é essencial. Nesse sentido, é importante ter atenção ao treinamento das lideranças e garantir que elas levem suporte emocional e social aos funcionários. 

Ainda no campo da saúde, oferecer parcerias e benefícios para estimular a prática de atividades físicas é outra ação importante para atrair e reter talentos. Jovens profissionais, principalmente, valorizam empresas que colocam a preocupação com a saúde em primeiro lugar, como revela a pesquisa da Microsoft. 

A retenção de quadros de destaque passa também por um investimento constante na qualificação da equipe. Por isso, ter um programa consolidado de treinamento, além de um plano de carreira claro e objetivo, são aspectos que fazem a diferença.  

Dados para a retenção de profissionais

Um estudo da Harvard Business Review reforça que há três etapas que podem ajudar as empresas a aproveitarem dados com mais eficiência para melhorar a retenção de funcionários:

  • Quantificar o problema
  • Identificar as causas do turnover
  • Desenvolver estratégias de retenção personalizadas

Identificar os fatores que levam a pedidos de demissão é essencial. Para isso, é importante avaliar métricas como salário, período entre promoções, valor dos reajustes, tempo de serviço, desempenho e oportunidades de treinamento. Essa análise pode ajudar a identificar tendências e pontos aos quais a empresa pode dar mais atenção. 

É possível, ainda, segmentar funcionários por categorias como localização e função e, assim, compreender como as experiências de trabalho e as taxas de retenção apresentam diferenças de acordo com os grupos de profissionais.

Por fim, é importante as empresas criarem programas customizados de retenção de talentos. Se é identificado, por exemplo, que os funcionários saem porque demoram a ser promovidos, pode ser a hora de rever o plano de carreira usado na organização. 

Vantagens de investir na retenção de talentos

Cada vez mais profissionais demandam um ritmo de trabalho flexível e adaptável às suas necessidades

Investir na retenção de talentos e evitar demissões voluntárias traz diversas vantagens para as empresas, como:

  • Valorização do investimento em treinamento
  • Fortalecimento da cultura corporativa
  • Ambiente de trabalho mais saudável
  • Manutenção do capital intelectual da empresa

Vivo: uma aliada na busca de mais qualidade de vida no trabalho

Como vimos, em busca de mais qualidade de vida no trabalho, é cada vez mais comum profissionais abrirem mão voluntariamente do emprego atual e sairem em busca de oportunidades mais adequadas aos seus desejos.

Nesse sentido, é essencial as empresas atuarem proativamente na retenção de talentos, oferecendo mais flexibilidade e, é claro, as ferramentas necessárias para a equipe executar da melhor maneira suas funções, seja de forma presencial ou a distância. 

Para isso, a  Vivo Empresas dispõe de amplo portfólio de produtos e serviços, com ferramentas de colaboração adequadas a todas as necessidades, além de soluções completas de Conectividade e Cloud. Uma delas é ideal para o seu negócio.

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