Nuvem distribuída: descentralização da TI é sinônimo de agilidade e eficiência

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Um desafio se desenha nos próximos anos devido à perspectiva de aumento gigantesco no fluxo de dados, consequência da disseminação da Inteligência Artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e do 5G. Como as corporações vão conseguir lidar com essa avalanche de tráfego digital sem prejuízo de eficácia? 

A boa notícia é que a solução já existe: a revolução silenciosa atende pelo nome de nuvem distribuída ou, do Inglês, distributed cloud. A tecnologia promete vantagens em relação ao que temos hoje no mercado, como melhor escalabilidade, baixíssima latência, redução de custos, além de facilitar a gestão de compliance. 

Grandes players do mercado já estão anunciando novidades. Em outubro de 2021, o Google lançou o Google Distributed Cloud. A IBM Cloud Satellite, a Amazon Web Services e a Microsoft Azure também se movimentam no mesmo sentido: a descentralização. 

Para entender como essa tecnologia pode beneficiar sua empresa, preparamos este artigo, que vai explicar:

  • O que é e como funciona a distributed cloud 
  • Quais as principais vantagens para o seu negócio
  • Como ela se diferencia das soluções de nuvem hoje disponíveis
  • A diferença entre nuvem distribuída e edge computing 
  • A aplicabilidade prática por meio de exemplos

O que é distributed cloud e como funciona ? 

Nuvem distribuída se baseia na pulverização de data centers na nuvem, o que agrega agilidade e versatilidade

Trata-se da união entre o remoto e o físico. Se antes não importava onde estava o armazenamento, agora, algumas nuvens menores serão alocadas próximas, geograficamente, de onde as ações serão executadas. 

O Gartner define a tecnologia como “a distribuição de serviços de nuvem pública para diferentes locais físicos, enquanto a operação, governança, atualizações e evolução dos serviços são de responsabilidade do provedor de nuvem pública de origem”.

De início, pode parecer contraditório para o próprio conceito de nuvem, pois uma das principais características era estar acessível via Web, sem precisar se restringir a um local físico. No entanto, o aumento de tráfego de Internet que está por vir forçou essa mudança de paradigma. 

De acordo com a IDC, mais de 5 bilhões de consumidores em todo o mundo interagem com dados todos os dias. Em 2025, chegará a 6 bilhões, ou 75% da população mundial. Esse fluxo deve crescer vertiginosamente e atingir 175 zettabytes daqui a três anos. 

A computação em nuvem foi evoluindo à medida que as necessidades surgiam. Cada vez mais, as empresas precisavam de soluções rápidas e de baixa latência na busca por competitividade, independentemente do setor de atuação ou do porte. 

Hoje em dia, as soluções em cloud são a pública, a privada e a híbrida. A nuvem pública é oferecida por um provedor aos seus clientes, que podem usufruir de serviços remotos como SaaS, PaaS, e IaaS. Já a nuvem privada serve apenas a uma empresa específica e roda aplicações e informações que interessam somente àquela organização. Ela não é compartilhada com mais ninguém, e, muitas vezes, está na corporação, em um data center local. 

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A descentralização é uma evolução do modelo híbrido 

A arquitetura híbrida combina as vantagens da pública com a privada. Uma empresa, por exemplo, pode adotar as duas soluções. Guardar dados confidenciais na restrita, enquanto aplicações ou informações menos sensíveis podem ir para fora. 

Um estudo da IDC, encomendado pela IBM, em 2020, indicou que 33% das empresas brasileiras já adotam um modelo híbrido de cloud. Isso porque estão em constante busca por aperfeiçoamento dos processos, com mais escalabilidade e segurança. 

A nuvem distribuída é considerada um passo à frente, porque corrige as limitações do modelo. Nesta última, uma parte é administrada pelo cliente e o restante fica nas mãos do provedor. Já a distributed cloud permite às corporações flexibilidade e escolha para executar os recursos de onde e como quiserem, seja de um data center local, de terceiros ou na borda.  

Será uma única plataforma composta por vários componentes de nuvem pública, privada, de um data center local ou terceirizado. Essa variedade toda de elementos terá gerenciamento integrado pelo provedor principal e consumido como uma coisa só pelo cliente, via um painel central.

A promessa é de controle total para implementar aplicações em vários ambientes de TI, com o objetivo de atender melhor às necessidades da empresa, de acordo com o ramo de negócio. 

Edge Computing e nuvem distribuída complementam-se

O conceito de nuvem distribuída lembra muito o de edge computing, ou computação de borda, mas é importante notar que são essencialmente diferentes.  

Embora os dados existam principalmente na nuvem, junto das ferramentas de análises e operações, não é lá que são criados. Eles surgem da nossa interação com os equipamentos, por exemplo, ao clicar em uma tecla no celular, no notebook, ligar uma máquina da fábrica, um carro inteligente ou até mesmo uma turbina de avião. Isso é possível graças à capacidade de computação dentro deles, que a cada dia é mais avançada. 

A computação de borda define-se como o ato de colocar a carga de trabalho o mais próximo possível de onde os dados são gerados e as ações tomadas. Parte da informação criada pela nossa interação vai ficar no próprio dispositivo ou, no máximo, ser enviada a um servidor interno, sem precisar ir até um outro local. Obviamente, uma das principais vantagens é a velocidade com que o problema é resolvido.

Por questões de expansibilidade, complexidade e eficiência, outros dados seguirão para um data center na nuvem, onde serão processados e voltarão dando respostas necessárias à tomada de decisão. Considerando que as empresas serão cada vez mais automatizadas, com milhões de dispositivos a serem gerenciados pela operação central, são necessárias técnicas melhores nesse vai e vem sem sobrecarga. 

É aqui que entra a nuvem distribuída, conseguindo alocar a carga de trabalho onde realmente é necessária e no momento certo. Por vezes, um administrador precisa somente de uma informação específica para rodar determinada aplicação ou fazer funcionar um dispositivo. Se esses dados estiverem perto e já particionados em pequenas nuvens especializadas e mais próximas, haverá ganho na eficiência.


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As vantagens: redução de custos e baixa latência 

A arquitetura distribuída consegue reter os benefícios operacionais, financeiros e técnicos da nuvem clássica. Ao mesmo tempo, potencializa a eficiência em diversos aspectos que vão desde redução de custos, mais segurança, adaptabilidade e baixa latência. Vamos a cada uma dessas vantagens: 

Escalabilidade e economia

A escalabilidade é o elemento central na competitividade, porque permite à empresa expandir ou recuar segundo sua necessidade. Devido aos custos e à demora, seria inviável construir um data center local, ou mesmo vários, em regiões diversas. Uma corporação de médio porte ou pequeno não teria como arcar com esse investimento.

A nuvem distribuída, no entanto, promete dimensionar recursos com mais facilidade, à medida que as cargas de trabalho são tratadas por servidores locais. A necessidade vai ser suprida sem construir novas infraestruturas ou ampliar a equipe. 

Compliance 

Assim como, no Brasil, entrou em vigor, em 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), vários países estão aprovando legislações específicas para garantir a privacidade de seus cidadãos. 

Imagine uma empresa que deseja migrar alguns dos seus aplicativos para uma nuvem pública, só que a legislação do seu país exige que certos dados dos clientes sejam confidenciais e não saiam das fronteiras nacionais. Isso exigiria custos elevados para desenvolver nuvens privadas de armazenamento. 

Ao implementar uma arquitetura distribuída, tal empresa poderia escolher o local para rodar uma parte da nuvem pública, garantindo que as informações, mesmo estando armazenadas remotamente, não sairiam do país. Os setores de telecomunicações e de saúde poderão se beneficiar dessa característica. 

Processamento mais rápido 

As arquiteturas distribuídas podem ser mais rápidas aproveitando a computação de vários sistemas para uma determinada tarefa. Além disso, permite comunicações mais responsivas para regiões específicas.

Será possível controlar e gerenciar tudo, fazer atualizações de segurança, monitorar o desempenho a partir de um único plano de controle. Sem a nuvem distribuída, essas tarefas e ferramentas podem diferir, dependendo de onde o servidor de borda está localizado. 

Segurança

A segurança é melhor com a nuvem distribuída em comparação com a abordagem de processamento de dados centralizado, em que um único ataque cibernético pode representar um grande risco. Problemas poderiam ser resolvidos mais rapidamente. 

O modelo distribuído permite redundância e proximidade dos dados em caso de emergências. Além disso, como é descentralizada, uma falha em um servidor não afeta necessariamente o funcionamento dos demais. 

Sustentabilidade

É notório que um mundo mais conectado trará impacto no consumo de energia e, consequentemente, no meio ambiente. Um problema chamado poluição digital. Um estudo da Comissão da União Europeia indicou que os data centers consomem 2,7% do total da eletricidade gerada no bloco, e, até 2030, deve atingir 3,2% da demanda. Nos Estados Unidos, esse percentual é de 1,8%, segundo artigo publicado no IOP Publishing Ltd Environmental Research.

É necessário encontrar maneiras mais ecológicas de conceber as coisas. Uma forma de ajudar é não fazer com que milhões de dispositivos tenham que enviar e receber dados por milhares de quilômetros. Em um artigo publicado  no Infoworld, o especialista David Linthicum destacou que as inovações no setor de armazenamento na nuvem vão desempenhar papel fundamental nas políticas de sustentabilidade das empresas. 

Onde a nuvem distribuída pode ser aplicada?

Conceito pode ser aplicado em todos os setores que dependem da nuvem e exigem mais agilidade dessa

A tecnologia vai servir a empresas cujo ramo de atuação exige processamento de grandes quantidades de dados, em tempo real. O objetivo principal vai ser gerenciar essa comunicação com eficiência e oferecer aos clientes uma melhor experiência. Vamos a alguns casos práticos:

Transporte inteligente 

A melhor gestão de dados é fundamental na logística das empresas, incrementando a conexão entre a frota ou identificando pontos onde precisa melhorar. 

Um CIO de uma empresa de transporte, por exemplo, que depende de dados ligados à localização, como condições do trânsito e comunicação entre os veículos, vai receber informações de uma nuvem regional. O carro autônomo da Tesla é um caso de uso da arquitetura distribuída. 

Jogos online 

O relatório da Accenture, em 2021, mostrou que o mercado de games totaliza 2,7 bilhões de pessoas, com perspectiva de crescimento de 400 milhões de novos jogadores até o final de 2023. 

Um dos desafios para empresas desenvolvedoras de jogos virtuais é, justamente, reduzir a latência para melhorar a experiência do usuário. Com a distribuição de servidores geograficamente, isso pode ser resolvido, além de aumentar a redundância. 

Automação de fábricas 

As máquinas usadas na indústria, não importa o setor, estão cada vez mais avançadas, em termos de capacidade de processamento interno. São habilitadas para coletar, analisar e transmitir dados. 

Imagine uma empresa com filiais no mundo todo e cujo equipamento precise se munir de uma informação específica, relacionada ao local. Essa solicitação pode ir para uma nuvem mais próxima fisicamente, e não para uma estrutura centralizada, que poderia estar fisicamente alocada, inclusive, em outro país. 

Setor de saúde 

Hospitais, clínicas e médicos poderão se munir da tecnologia combinada ao 5G para rastrear e monitorar sintomas de pacientes a distância. Uma das maiores vantagens da nuvem distribuída é possibilitar a troca e a análise rápida de informações para tomar decisões mais precisas. Há uma infinidade de oportunidades no setor de saúde, em que a velocidade na resposta é crucial. 

Empresas de mídia 

Uma combinação de edge computing, nuvem distribuída e IA é o trunfo dos serviços de streaming, como Youtube e Netflix. Conseguem entregar vídeos de forma mais rápida, com boa experiência e, ainda, fazer recomendações de acordo com as preferências dos usuários. Empresas de conteúdo perceberão benefícios enormes com a distributed cloud. 

Conclusão

A nuvem distribuída, portanto, incorpora o elemento geográfico aos benefícios clássicos do cloud. Isso porque, mais do que nunca, são necessárias soluções que ofereçam rapidez de comunicação, flexibilidade, alta conectividade, segurança e redução de custos. 

As empresas que não querem perder o curso da história precisam se preparar para uma realidade em que o fluxo de dados crescerá ano a ano.

Soluções de cloud computing, prestadas por parceiros como a Vivo Empresas, continuam sendo importantes aliadas para manter a competitividade no seu ramo de negócios. 

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