Catar 22: tecnologias inovadoras prometem Copa do Mundo histórica

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A Copa do Mundo deste ano tem tudo para fazer história. Vai ser a primeira realizada no Oriente Médio e começará quase no fim do ano, em novembro. Além disso, a Catar 22 pode representar um marco, se considerarmos as  inovações tecnológicas aplicadas a grandes eventos. 

O Catar é um país pequeno em extensão, mas tem uma grande importância econômica, pois guarda, em seu território, uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do planeta. O governo local está apostando alto no Mundial da FIFA como vitrine de negócios 

Entre as novidades, estão o esquema semiautomático para marcar impedimento, as camisas inteligentes e os drones interceptadores. Outros destaques serão o sistema de resfriamento sustentável nos estádios, aplicativos de mobilidade urbana, além de soluções de Internet das Coisas e conectividade em 5G. 

Quer saber mais sobre o que vai ser apresentado em termos de tecnologia no Catar 22? Então continue lendo o artigo, pois vamos abordar os seguintes assuntos:

  • Como é o Catar?
  • Por que o país foi escolhido para sediar a Copa do Mundo?
  • Como a Inteligência Artificial vai ser usada na competição?
  • Conheça Lusail, a smart city do Catar 22
  • A vantagem de usar drones no esquema de segurança
  • O impacto do 5G nos eventos esportivos

Como é o Catar e por que é sede do mundial? 

O Catar é considerado um dos países mais ricos do mundo, segundo critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso se explica pelo PIB exuberante, fruto das exportações de petróleo e gás e por ter uma população relativamente pequena. 

Localizado no Golfo Pérsico, o país tem aproximadamente 11.500 km², praticamente a metade de Sergipe, o menor estado brasileiro. A maior parte dos cerca de 2,7 milhões de habitantes são estrangeiros, com predomínio de indianos e paquistaneses. Estima-se que apenas 300 mil cidadãos tenham, de fato, nascido no país.

Mesmo assim, em 2010, o Catar surpreendeu ao ganhar o direito de organizar o Mundial de Futebol. Venceu a eleição da FIFA e deixou para trás concorrentes como Estados Unidos, Japão, Austrália e Coreia do Sul. Foi escolhida, portanto, a primeira nação árabe a ser sede da Copa do Mundo. 

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Catar 22 foi opção controversa 

Apesar da vitória, a escolha não foi unanimidade na opinião pública. Em primeiro lugar porque o Catar não é uma democracia, mas um emirado. Isto é, não há eleição e o território é governado por um emir, membro da família dominante. 

Além disso, tem normas consideradas incompatíveis com os Estados Democráticos de Direito. Por exemplo, o homossexualidade é proibida por lei. Já as mulheres, são privadas de tomarem decisões importantes sobre a própria vida, pois dependem da tutela masculina.

Por ser um país sob regras islâmicas, o consumo de álcool é limitado a lugares privados. E, durante a Copa do Mundo de 2022, não deve haver concessões para permitir a venda de cerveja nos estádios de futebol, como aconteceu no Brasil. 

Outra polêmica diz respeito às leis trabalhistas. Em março, a Anistia Internacional denunciou que os operários que trabalham na construção das arenas não são pagos adequadamente e medidas de segurança no trabalho não estariam sendo respeitadas.

Investimentos de US$ 200 bilhões 

Mesmo em meio às críticas, a influência do Catar no futebol mundial, em especial no europeu, é inquestionável. Devido aos aportes financeiros feitos pelos magnatas do petróleo ou por empresas como Qatar Airways, o país tem poder de decisão em diversos grandes clubes do mundo.

O melhor exemplo é do Paris Saint-Germain, time controlado pelo Qatar Sports Investments (QSI). Graças ao fundo de investimentos, o clube francês tem verba suficiente para reunir algumas das maiores estrelas do futebol, como Neymar, Lionel Messi e Mbappé. 

O prestígio do país é, portanto, predominantemente financeiro, já que não tem uma seleção nacional forte. Mesmo assim, o futebol vem ganhando certa popularidade internamente e já existem equipes locais e torneios. Além disso, muitos jogadores e treinadores estrangeiros, inclusive brasileiros, vão atuar por lá, atraídos, sobretudo, por salários e contratos generosos. 

Diante disso, a vontade do emirado em fazer parte da cena esportiva mundial deu resultados. A perspectiva é que Catar 22 seja a Copa mais cara da história. A projeção de investimento é de US$ 220 bilhões, o que representa 14 vezes mais do que a Rússia gastou em 2018.

Inteligência artificial vai marcar impedimentos 

Uma boa fatia dos investimentos do Catar no Mundial será em inovação tecnológica. Pela primeira vez, em uma Copa do Mundo, a FIFA usará um sistema semiautomático envolvendo inteligência artificial (IA) para marcar impedimentos. Isso promete reduzir o tempo do VAR e elevar o recurso a outro patamar.

Como vai funcionar? No teto dos estádios, serão instaladas 12 câmeras, equipadas com recursos de machine learning, para filmar e rastrear até 29 pontos dos corpos dos jogadores durante toda a partida.

Além disso, a bola terá um chip de geolocalização sensível ao toque. Com isso, as informações do posicionamento e momento do chute são enviadas a um software e os dados são traduzidos e repassados aos operadores do VAR como forma de alerta. 

A previsão é que isso tudo seja feito em questão de segundos e que os juízes em campo sejam alertados rapidamente. As informações também servirão para montar imagens 3D, que serão passadas nos telões para os torcedores tirarem suas próprias conclusões. 

Internet das Coisas e as camisetas inteligentes 

A Internet das Coisas (IoT) tem como característica conectar qualquer objeto à rede. Há algum tempo, o setor de esportes já aderiu à tecnologia. Por exemplo, podemos ver o recurso nos relógios ou pulseiras que marcam batimentos cardíacos e transferem os dados para um aplicativo de análise. 

Portanto, na Copa do Mundo do Catar 22, as camisetas dos jogadores vão usar IoT para auxiliar no treinamento. Isso será possível com a instalação de microsensores no tecido. Assim, a vestimenta conseguirá identificar a temperatura do corpo, nível de estresse, respiração, hidratação e outros sinais vitais importantes. 

Por meio de bluetooth, essas roupas inteligentes também conseguirão trocar informações umas com as outras e, a partir daí, detalhar uma série de dados sobre a performance e a saúde dos atletas. Tudo isso pode ser feito em tempo real graças às soluções de conectividade. 

O objetivo é permitir uma análise minuciosa e gerar insights para a equipe técnica. E, assim, até mesmo mudar táticas de jogo de acordo com o resultado. 

Lusail, a smart city do Catar 22

Os recursos de IoT também estão sendo testados para funcionar em Lusail, a cidade que vai abrigar o estádio da final da Copa do Mundo. Uma das inovações será um sistema de gerenciamento de mobilidade urbana.

Serão instalados diversos sensores pelas ruas que poderão dar informações do trânsito, vagas de estacionamento ou horários de ônibus e metrô. Tudo em tempo real para os torcedores que baixarem o aplicativo. O esquema foi testado em 2019, durante a Copa Amir, que serviu de teste para o Catar 22. 

A história de Lusail também merece destaque, uma vez que foi construída praticamente do zero, com o objetivo de se tornar um modelo de cidade inteligente (ou smart city). Está situada a apenas 15 km de Doha, a capital do país, e seu plano de construção foi acelerado logo após a eleição que garantiu o torneio no país. 

A cidade foi desenvolvida baseada em princípios de sustentabilidade. Um exemplo é o sistema de resfriamento tubular que leva água gelada da marina de Lusail a quase mil prédios, por meio de 175 km de tubulações subterrâneas. O projeto promete economizar 200 mil toneladas de dióxido de carbono anualmente. 

As temperaturas são um ponto crítico na organização do evento, afinal, esse é um país desértico. Por isso, também haverá uma técnica de refrigeração tradicional dos estádios, que não vai permitir que os termômetros passem de 26°C, independentemente do clima externo. Para reduzir o impacto ambiental, há previsão de usar energia renovável, com painéis solares que serão instalados nos arredores das arenas.

Drones vão ajudar na segurança 

A preocupação com ataques terroristas e outros problemas de segurança são recorrentes em grandes eventos e não poderia ser diferente na Copa do Mundo. 

Atualmente, as aeronaves não tripuladas são amplamente usadas em ações militares. Dessa forma, o Catar, por meio do Ministério do Interior, anunciou uma parceria com a empresa americana Fortem Technologies para usar drones no esquema de vigilância dos estádios

Portanto, mais do que filmar e fazer patrulha, os equipamentos são capazes de interceptar “drones inimigos”. Os Drones Hunters, como são chamados pela companhia, atuam jogando uma rede contra o dispositivo suspeito e o levando para longe. A aeronave também conta com a ajuda de diversos radares, que serão instalados em locais estratégicos nos entornos de estádios, aeroportos e hotéis.

Além disso, segundo a empresa desenvolvedora, os aparelhos vão atuar a uma distância de 1,5 km do ponto de interesse. Sendo assim, o zumbido característico dos robôs voadores não deve atrapalhar o espetáculo ou abafar o grito de gol do público presente nas arenas. 

5G promete conectividade total 

Outra aposta tecnológica no Catar 22 será o uso da conexão 5G pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Isso vai garantir conectividade total para os cerca de 1 milhão de visitantes esperados no evento. 

As possibilidades com a nova rede são imensas em relação ao uso de recursos interativos. Nos eventos em que foi testada, como a final da Copa Amir e a FIFA Arab Cup, foi criado um “estádio virtual” no Mall of Qatar, o principal shopping local. 

Na ocasião, os torcedores puderam participar de uma experiência imersiva de realidade virtual (RV) durante os 90 minutos da partida. Foram colocadas 16 câmeras no estádio, conectadas via 5G, gerando imagens transmitidas ao shopping. As pessoas podiam, então, ver o jogo de diversos ângulos por meio de seus smartphones.

No Brasil, os telespectadores também podem ser beneficiados com o 5G. A Rede Globo, por exemplo, vem investindo na tecnologia e espera que a novidade faça diferença nas transmissões das partidas do Mundial.

Para melhorar as imagens, a emissora pretende usar câmeras sem fio compactas e equipadas com 5G. A expectativa é conseguir reduzir o delay e transmitir em resolução 4K. 

Grandes eventos jamais serão como antes

Provavelmente, o Catar 22 vai ser um divisor de águas quando se pensa na forma de realizar e transmitir grandes eventos. Além de poder trazer o tão sonhado hexa para o Brasil, o evnto será o primeiro em um país árabe e trará muitas novidades em termos de tecnologia.

Algumas inovações devem vir para ficar, como soluções de conectividade baseadas em 5G, dispositivos de IoT e inteligência artificial (IA). 

A Vivo Empresas tem uma equipe de especialistas para ajudar em caso de dúvidas sobre a aplicação de novas tecnologias nos negócios.

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