Web 3.0: a história da navegação de internet e o que esperar para o futuro

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Com o advento de tendências como o metaverso e os tokens não fungíveis (NFTs), uma nova geração da navegação de internet começa a ganhar corpo. A web 3.0, como é chamada, promete revolucionar tudo o que se faz online, mas o debate sobre como isso irá ocorrer, de fato, ainda está aberto.

Em contrapartida, muitos apontam que a Web3, outro nome para essa nova forma de interagir online, será semântica. Outros, por sua vez, apostam na descentralização das informações, com usuários e instituições tendo total controle sobre como seus dados são mantidos na rede. 

Comum a todos esses entendimentos, contudo, está a ideia de que a web do futuro promete ser muito mais interativa e responsiva. Além da conexão em si, o avanço de tecnologias, como as realidades virtual e aumentada, prometem inaugurar novas formas de navegar, socializar e consumir na internet.

Já se perguntou o que tudo isso representa para os negócios? Diante de um ambiente cada vez mais interconectado, em que empresas e instituições chegam a existir somente no mundo virtual, cresce a importância desempenhada pela conectividade — um ativo essencial atualmente, quem dirá no futuro.

Neste artigo, confira as mudanças a serem proporcionadas pela web 3.0, a evolução até chegarmos a ela e quais possibilidades essa inovação representa. Ao longo da leitura, descubra também:

  • O surgimento da internet e da navegação web
  • O que é a web 3.0? Descubra em detalhes
  • Nova rede abrirá novas oportunidades de negócios
  • Tecnologias que suportam os avanços da web 3.0

O surgimento da Internet e da navegação web

Navegação de internet não se confunde com a internet em si; conheça as diferenças

A fim de entender melhor as mudanças da terceira geração da web, é importante compreender como se deram as fases anteriores. Atualmente, há quem diga que estamos próximos do fim da web 2.0, dominada pelas redes sociais e pelos anúncios direcionados. No trecho a seguir, confira um pouco mais sobre como chegamos até aqui.

A internet comercial como conhecemos foi lançada no Brasil em 1995. Sua história, no entanto, remonta ao ano de 1969, no auge da exploração espacial. Na época, o departamento de defesa dos Estados Unidos havia criado a Arpanet, um esforço de inteligência voltado para a Guerra Fria e que, na prática, tinha a função de conectar laboratórios, universidades e outros centros de inteligência.

Naturalmente, o objetivo de todo esse aparato era promover o desenvolvimento tecnológico no país, sobretudo, com fins bélicos. Naquele mesmo ano, entretanto, um professor da Universidade da Califórnia o utilizou para enviar o primeiro e-mail da história, com destino a um colega na Universidade de Stanford.

Conforme dispõe o jornal Folha de São Paulo, em seu artigo sobre a história da Internet, o uso da rede para fins acadêmicos foi ampliado em 1982. Ao mesmo tempo, toda essa infraestrutura, até então restrita aos Estados Unidos, passou a alcançar universidades de outros países. É nesse momento que surge o nome “internet”.

Navegação web versus Internet

Antes de seguirmos para contar como a web evoluiu até o modelo 3.0, também é importante salientar que a internet não se confunde com os usos que se fazem dela. Ou seja, conceitualmente, o termo “internet” refere-se a toda a infraestrutura de conectividade que possibilita a troca global de informações.

Já a web, em contrapartida, é um dos recursos possibilitados por esse conjunto de máquinas. Tal como os protocolos de e-mail e as plataformas em nuvem, portanto, a web é um dos mecanismos da internet, por meio do qual, e com a ajuda de um navegador, conseguimos acessar páginas, serviços e outros conteúdos. 

Assim, fica mais fácil imaginar por que a web 1.0 era tão rudimentar. Afinal, muito embora a conexão já existisse, todas as limitações vinculadas aos meios de transmissão da época, bem como servidores e computadores, impossibilitavam o amplo uso de conteúdos dinâmicos, como imagens, áudios e outros elementos audiovisuais.

Assim, a primeira geração da navegação de internet restringia-se à troca de e-mails, acesso a páginas estáticas, serviços de comunicação instantânea e outros itens, sempre baseados em texto. Com o avanço gradual em todos os componentes da rede, as imagens passaram a ser possíveis, mas de forma bastante limitada.

Paralelamente, surgiram os primeiros complementos à internet, como os recursos em formato Flash e Java Applet

Funcionando como recursos adicionais do navegador, mas que eram instalados e desenvolvidos de forma independente desse, esses softwares habilitavam artes e animações que coloriam as páginas da web 1.0, preparando espaço para o que veríamos hoje.

Web 2.0

Conforme revela o Visual Capitalist, o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 marcaram um apogeu para a navegação na internet. À época com pouco mais de 44 milhões de usuários em todo o mundo, os internautas conheciam, pela primeira vez, diversos elementos comuns na web atual, a exemplo dos banners de publicidade e sites de busca. 

Não por acaso, essa interface mais lúdica e intuitiva nas páginas de internet, possibilitada pelos recursos citados anteriormente, contribuiu ainda mais com o crescimento da rede. Afinal, à medida que a navegação se tornava mais fácil, visual e responsiva, maior era o interesse do público por estar online. 

Inclusive, é a partir desse movimento que a participação do internauta começa a se tornar mais ativa. Se antes o usuário apenas consumia informações, foi com a ajuda dos fóruns, blogs e, por último, das redes sociais, que seu papel também passou a incluir a criação de conteúdos. 

Não demorou muito até que a internet se transformasse num espaço de pura troca. Os posts, comentários e interações alimentavam o entretenimento de quem passava cada vez mais tempo conectado. Simultaneamente, quem mantinha toda essa infraestrutura buscava meios de lucrar com o movimento. 

Tal como foi no rádio e na TV, a publicidade sempre foi inerente à internet. Ainda conforme os dados do Visual Capitalist, o primeiro banner de anúncio remonta a 1994. O grande segredo da web 2.0, no entanto, foi entender que, além de comercializar serviços na internet, era possível extrair valor até mesmo da navegação em si. 

Surgiam, a partir de então, os primeiros anúncios contextualizados, popularizados a partir do Google AdSense, lançado em 2003. 

Mais adiante, tais anúncios abririam espaço para a publicidade direcionada, um conceito mais atual e abrangente, e que utiliza todas as informações ao alcance para maximizar a conversão dos anúncios. Ou seja, transformá-los em vendas. 

O que é a web 3.0? Entenda em detalhes

A Web 3.0, ou, simplesmente, Web3, pode ser entendida como a próxima geração da internet. Nela, não apenas a navegação, mas também os dados, paradigmas e até mesmo a estrutura que compõe a rede, deverão ser revolucionados, sobretudo por meio da descentralização.

Isso porque, segundo especialistas, o fluxo de informações será tão intenso que a única forma eficiente de geri-lo será a partir da autodeterminação informativa. Ou seja, a capacidade de cada usuário ou entidade ter controle sobre os próprios dados. Assim, a web 3.0 é marcada pela redução do poder que empresas e governos exercem sobre a rede atualmente.

Como é possível imaginar, tanta liberdade acerca dos dados também gera um pouco de temor, sobretudo no tocante à sua integridade. No entanto, é aqui que entra a blockchain, uma inovação capaz de atestar a autenticidade das informações, ao mesmo tempo em que o faz de forma pública e descentralizada.

Ademais, na web 3.0, a informação deixaria de ser diferenciada por atributos específicos, como tamanho em kilobytes ou formato de mídia. A partir dos avanços em Inteligência Artificial, os computadores seriam capazes de compreender o conteúdo presente nos arquivos, facilitando de modo considerável os processos de organização e, consequentemente, de busca de dados.

Por fim, outro ponto determinante para a web 3.0 seria a distinção cada vez menos clara entre os mundos físico e digital, possibilitada por avanços nas realidades virtual e aumentada.

Na prática, é essa tendência que conecta a terceira interação da web com o metaverso, bem como com os NFTs, uma vez que ambos são necessários para a criação de um ambiente online interativo e, virtualmente, sem limites.


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Web3 é um mundo completamente novo em possibilidades

Web 3.0 será mais ágil, segura, intuitiva e, sobretudo, mais aberta, afirmam especialistas

Conforme já dito, as hipóteses acerca do que efetivamente será a web3 ainda estão em discussão. Apesar disso, há um consenso quando se fala que a próxima geração da navegação de internet será mais aberta, rápida e segura. 

Ademais, assim como os elementos visuais foram parte essencial da transição para o modelo 2.0, as tecnologias interativas serão fundamentais para “dar o tom” da novidade. Ou seja, muito embora a web3 não se restrinja ao metaverso, esse, certamente, representa a camada mais palpável do que se espera para o futuro da internet.

Hoje, a maior parte dos dados disponíveis online está sob a custódia de alguma gigante de tecnologia. No modelo que sucederá o atual, por sua vez, cada pessoa terá o próprio repositório de informações, podendo compartilhá-las livremente, sem a intervenção de uma organização pública ou privada. 

Em entrevista concedida à BBC em janeiro de 2022, Colin Evrans, especialista e consultor na área, aponta que um dos efeitos da descentralização na web 3.0 será a volta do P2P. Sigla para peer-to-peer (par a par, na tradução em português), esse protocolo foi muito popular no início dos anos 2000, sobretudo para o compartilhamento de arquivos.

Para Evrans, de forma análoga à era do P2P, a troca de informações na web3 ocorrerá, majoritariamente, de usuário para usuário. Nesse modelo, a nuvem ainda será essencial para o processamento de informações, bem como a conectividade, para garantir a comunicação de ponta a ponta. 

Mais uma vez, no entanto, o que mudará é o papel do usuário. Em vez de ser simplesmente uma fonte de informações, da qual são extraídos atributos, tendências e insights, o internauta passará a ser detentor desses ativos, um movimento que fica evidente conforme surgem legislações de proteção a dados pessoais em todo o mundo.

Web 3.0 deve otimizar o mundo dos negócios, mas no âmbito digital

Muito embora a autodeterminação informativa possa aparentar uma ameaça à hegemonia dos negócios que se baseiam na extração de dados, é válido ressaltar que muitos discordam dessa visão. 

Em primeiro lugar, porque sempre será necessário manter e atualizar a infraestrutura que garante o funcionamento da rede. Segundo, porque, até nas previsões mais otimistas, tal transição levará anos para ocorrer, dando a oportunidade para que os players atuais se reinventem. 

Não por acaso, outro termo popularizado na esteira da Web3 são as Organizações Autônomas Descentralizadas, ou DAOs, na sigla original em inglês. Basicamente, o que seu conceito descreve é um tipo de organização autogerida por contratos inteligentes, na qual cada colaborador tem direito a uma parcela do controle e da tomada de decisão. 

A fim de impedir que essa “autogerência” se transforme em uma ingerência, os contratos, que são autoexecutáveis, estabelecem regras para cada atitude de gestão, impedindo ações que sejam prejudiciais ao todo. 

Na prática, especialistas estimam que as DAOs permitirão que cada usuário detentor de dados, dentre outros ativos virtuais, utilize-os de modo colaborativo para a construção de algo maior, similar ao que ocorre em uma empresa tradicional, por exemplo.

A diferença, contudo, é que, ao mesmo tempo em que todos os colaboradores são tomadores de decisão, regras invioláveis protegem seus interesses de forma mútua. É por esse motivo que as DAOs são consideradas um modelo ideal para fortalecer a governança corporativa, ao mesmo passo que multiplicam exponencialmente a capacidade de colaboração e cooperação humanas.


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Conclusão

Apesar de originar muitas especulações, a web 3.0 é o futuro da internet e, mais cedo ou mais tarde, deve se consolidar. Até lá, já podemos vislumbrar alguns dos seus principais elementos, seja no tocante à tecnologia, com os NFTs e a blockchain, seja a partir das mudanças no comportamento do usuário, que está mais preocupado com a privacidade.

Nesse caso, muito embora seja uma mudança a longo prazo, é dever de uma gestão eficiente se antecipar, projetando as oportunidades em potencial e pontos de melhoria. 

Especialmente no caso das big techs, a web 3.0 representa uma revolução em seus modelos de negócios. Ainda assim, é interessante avaliar como essa transformação também impactará a sua empresa — a organização conta com o aparato tecnológico necessário para aproveitar essa mudança? E os produtos e as metodologias, contam com um planejamento a longo prazo para se adequar à futura realidade da web? 

Se você ainda não se fez essas perguntas, é bom saber que ainda há tempo de estudá-las e planejar os próximos passos. Simultaneamente, contudo, é importante transformar os insights em ação. A web 3.0 pode significar o fim de muitos paradigmas, mas tal como costuma ser, toda evolução tecnológica tende a abrir novas oportunidades.

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